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ESPANHA: AS UVAS TÍPICAS


Enquanto o nosso editor segue por suas andanças em terras espanholas, nós do VINOTÍCIAS seguimos com nosso trabalho de sempre divulgar informações interessantes sobre vinho.

Dessa vez elaboramos um apanhado sobre as uvas típicas espanholas, algumas bem conhecidas outras ainda não tão exploradas pelo consumidor internacional. Um fato bem curioso com relação aos vinhedos espanhóis é que em sua maioria planta-se cepas brancas, mas a fama dos vinhos de lá, esta ligada às uvas tintas e em grande parte as uvas típicas.

A Espanha tem um dos maiores patrimônios quando se fala de varietais para vinho - cerca de 600 uvas diferentes. Entretanto, só usa efetivamente em volume 20 delas, destacando:

TEMPRANILLO

É a cepa com maior destaque e emblemática do país,cultivada extensamente por todo o norte e centro da Espanha. Com sua casca mais grossa e baixa acidez, quando plantada em áreas de clima moderado, mostra sua melhor faceta. Seu nome vem da palavra “temprano”, que significa“cedo”, provavelmente pelo fato de que a Tempranillo amadurece antes das outras variedades. É a espinha dorsal de muitos rótulos espanhóis.

É uma casta de uva para a produção de vinho tinto especialmente, oriunda da Península Ibérica, especificamente da Espanha, onde sua presença é predominante. Mas, devido sua fácil adaptação a diferentes climas e solos, no último século, tem sido muito cultivada em partes diversas do mundo do vinho, do México à Austrália.

Ela possui várias outras designações, dependendo do país de cultivo a Tempranillo pode ser conhecida como Aragonez ou Tinto Roriz (Portugal), Negretto (Itália), Valdepeñas (EstadosUnidos), etc., e, mesmo dentro do seu país originário, sua identificação muda substancialmente. Em geral, produz um vinho tinto com acidez e teor alcoólico de nível médio, textura macia e deliciosamente elegante.

GARNACHA

Já falamos um pouco sobre essa uva espanhola aqui no VINOTÍCIAS, no artigo "GARNACHA , GRENACHE E BOAS SURPRESAS NA TAÇA"! Essa uva conhecida como Grenache na França, a Garnacha está espalhada por toda a costa do Mediterrâneo. Na Espanha, dá origem a grandes vinhos no Priorato, sobretudo quando estamos falando das vinhas velhas que a região preserva. Além do Priorato, a cepa também está presente em outras regiões da Catalunha, como Montsant e Penedès, em Aragão, nas suas diversas DO´s dessa região, e entre as uvas autorizadas em Rioja – a que melhor se adaptou ao terroir da quente e seca Rioja Baja, única sub-região de Rioja que recebe influência do Mediterrâneo. Seus vinhos, quando a uva é cultivada em vinhas velhas, são alcoólico e encorpados, com bastante intensidade e complexidade aromática.

MONASTREL

Não se engane se nunca ouviu falar em Monastrell (ou Mourvèdre, como é chamada na França), pois você certamente já provou algum vinho que contenha a variedade em seu corte. A cepa é uma das três que entram no blend mais tradicional dos vinhos do Rhône – conhecido pela sigla GSM, ou Grenache, Syrah e Mourvèdre. Se na França ela divide o pódio com as outras duas, ficando muitas vezes na terceira posição, na Espanha ela encontrou o seu lugar ao sol (literalmente) e protagoniza muitos dos vinhos da costa do Mediterrâneo. A Monastrell dá origem a vinhos muito encorpados e tânicos, com destaque para o caráter de frutas negras maduras e especiarias. Por vezes, seus taninos são controlados realizando se maceração carbônica. Se adaptou bem às regiões de Jumilla e Yecla, justamente por precisas de condições quentes e ensolaradas para amadurecer completamente, além de ser resistente à seca.

CARIÑENA, MAZUELO OU SAMSÓ

Dependendo da região da Espanha, a cepa mais conhecida como Carignan (em francês) recebe um nome diferente – Mazuelo em Rioja, Samsó na Catalunha e Cariñena nas demais regiões.

A casta dá origem a vinhos com elevada acidez, taninos e cor – por essas suas características, é comumente adicionada em cortes para dar mais estrutura ao vinho.

MENCÍA

Embora a Mencía seja pouco explorada pelos brasileiros, a cepa tem grande potencial a ser explorado (sobretudo para os amantes de tintos mais leves, como Pinot Noir ou Gamay!). Trata-se da principal casta de Bierzo, região localizada a noroeste da Espanha, entre a Galícia e a Meseta Central. Os melhores vinhedos de Mencía estão localizados em encostas íngremes de xisto. Produz vinhos de corpo leve, com acidez naturalmente alta e caráter frutado. Quando cultivada em vinhas velhas, mostra mais corpo e maior concentração de fruta.

BOBAL

Grandes chances de nunca ter ouvido falar na pouco conhecida Bobal (apesar de ser a terceira uva mais cultivada da Espanha!). Está presente em Valência, sua região de origem, e em La Mancha. Normalmente entra em cortes com Monastrell e Cabernet Sauvignon, por contribuir com intensidade de cor e acidez à bebida. Trata-se de uma casta rústica que, resistente a pragas, foi amplamente cultivada para produzir vinhos em grandes volumes. Quando cultivada em menor produtividade, dá origem a vinhos com certo caráter rústico, mas complexas notas de chocolate e frutos secos.

GRACIANO

Por décadas a Graciano foi deixada de lado na Espanha, mas está começando a ressurgir pela grande contribuição nos cortes de Rioja. Ela empresta aromas de frutas negras ao vinho, além de contribuir para o aumento da acidez e dos taninos (ou seja, ajuda o vinho com estrutura para envelhecer). Ainda não tem importância significativa em varietais ou em outras regiões do país, algo que deve mudar futuramente.

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