• Marcio Oliveira - Vinoticias

“EM ÉPOCA DE PANDEMIA, VINHOS DA PUGLIA PODEM SER ALGO A EXPLORAR”

Na medida em que o isolamento social da quarentena nos obriga a ficar em casa, as adegas vão sendo consumidas e os amantes do vinho perguntam onde encontrar bons vinhos por preços mais acessíveis, já que as receitas financeiras estão curtas e fazer uma economia é sempre bom. Então, uma dica pode ser procurar por vinhos fora do radar!!!

Quando se fala em vinho italianos, a maioria das pessoas logo se lembra de Barolo, Brunello di Montalcino, de Amarone della Valpolicella, de Barbaresco, mas uma pergunta que faço é se você já bebeu um vinho da Puglia, da Sicília, da Campanha !!!


Para muitos amantes da bebida de baco, a Itália é um “Mundo de Vinhos a Descobrir”...


Alguns dos melhores valores do vinho italiano vêm da Puglia, uma região ensolarada e seca. A maioria dos vinhos da é tinta, encorpada e combina muito bem com uma grande variedade de alimentos. Os produtores têm se concentrado em fazer ótimos vinhos tintos e uvas locais como Negroamaro e Primitivo, criando vinhos realmente deliciosos.


A região da Puglia tem uma paisagem bem diversificada. O clima quente e o solo fértil facilitam o cultivo de quase tudo. Metade do azeite da Itália é produzido no calor seco desta região, cercada por água por três lados, permitindo uma brisa fresca a moderada vinda do Mediterrâneo.


Os dois vinhos mais populares e disponíveis nas boas importadoras, supermercados e lojistas são Salice Salentino e Primitivo.


♦ O SALICE SALENTINO: a região de Salice Salentino é nomeada para a Península de Salento, localizada na parte traseira do calcanhar da bota da Itália que se estende até o oceano. O tinto é feito da uva Negroamaro (em italiano significa "amargo negro"). O vinho seco tem aromas e sabores de ameixa madura, framboesas secas, notas de especiarias como anis estrelado, pimenta da Jamaica e canela. Embora seja um vinho encorpado, não é muito tânico ou ácido e, cai logo no gosto dos brasileiros, harmonizando com pizzas, massas ou polpetones. Uma dica – se gostar de Malbec, vai gostar muito de Negroamaro !!!


♦ O PRIMITIVO: se você estiver procurando por um tinto mais rico e encorpado, com peso abundante, a opção será o Primitivo. O vinho tem aromas e gosto de frutas escuras, como figos frescos, amoras secas, geléia de Mirtilo nos vinhos jovens. Nos vinhos com algum tempo de guarda aparecem aromas de couro, defumados e de frutas secas.


Importante ressaltar que a palavra “Primitivo” não significa primitivo em italiano, mas na verdade significa amadurecimento precoce, pois essas uvas acumulam muito açúcar no início da temporada. O amadurecimento precoce significa que os vinhos resultantes são ricos, saborosos e cheios de frutas. No entanto, o mais fascinante do Primitivo é que, às vezes, os cachos de uvas amadurecem desigualmente, para que as uvas verdes sejam colhidas juntamente com as maduras.


O Primitivo é a mesma uva que o Zinfandel da Califórnia. A uva em si é originária da Croácia, onde foi chamada Tribidrag ou Crlenak Kaštelanski (pronunciado “Kjell-nak Cas-tell-lansky”). Em algum momento da história, ela atravessou o mar Adriático (entre a Croácia e a Itália) e foi plantada na Puglia, onde se consolidou surpreendentemente bem nos vinhedos.


A comprovação científica, de que a Zinfandel e a Primitivo possuem o mesmo DNA, ou seja, que são a mesma uva, aconteceu em 1996, pela cientista de análise genética da vinha e professora de enologia da Universidade da Califórnia, Carole Meredith, junto com pesquisadores croatas.


Há a hipótese dos imigrantes italianos do sul, no final de 1800 e início de 1900, trouxerem suas uvas nativas com eles para a Califórnia! O recém-nomeado Zinfandel tornou-se uma uva clássica para vinhos doces e secos também nos Estados Unidos!


Mas há também a versão de que teria chegado aos Estados Unidos ainda sem nome, em 1829, pelas mãos de George Gibbs. Na região de Boston, passou a ser chamada de zenfendel ou zinfindal. Já em 1949, com a “Corrida do Ouro”, a uva chegou à Califórnia, passando a ser cultivada em Napa e em Sonoma.


Como a história das uvas é cercada de histórias e lendas, há a versão das mudas terem sido trazidas do Jardim Botânico dos Imperadores Austro-Húngaros, uma vez que dizem que o novo nome derivava de tzinifándli, nome austríaco da uva Zierfandler, e que foi levada à América por imigrantes da Áustria.


♦ HARMONIZAÇÃO COM UMA ENORME VARIEDADE DE PRATOS - Os vinhos da Puglia funcionam bem com grande variedade de alimentos. Os elementos crus da culinária do sul da Itália são adequados para tintos brilhantes e fáceis de beber, como os da Puglia. Legumes frescos, tomates frutados e azeite apimentado são facilmente complementados pelos grandes e maduros sabores dos tintos locais.


Na cozinha regional os vegetais como favas, berinjelas, pimentões, entram em massas, gratinados e ensopados. Berinjelas recheadas, ensopado de cabrito e ervilha e macarrão orecchiete com nabo são alguns exemplos.


Para quem procura explorar a abundância do verão e cozinhar ou assar muitos vegetais, o vinho da Puglia é um complemento perfeito.


Uma lembrança amiga quando falo dos vinhos da Puglia é Armando Martini, saudoso amigo da Casa do Vinho em BH que nos apresentou a Apollonio e sua surpreendente linha de vinhos!!! Vinho é compartilhamento, amizade, paixão!!! Muitos amantes dos vinhos da Puglia dizem que a frase “vinho é luz do sol engarrafada” foi cunhada após alguém beber vinho pugliano !!! Creio que é verdade !!! Saúde !!!