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  • Foto do escritorMarcio Oliveira - Vinoticias

“AS REGIÕES VINÍCOLAS DE MENDOZA”

Preparando as malas para uma viagem por Mendoza com um Roteiro Enogastronômico carinhosamente preparado pela Zenithe Travelclub de Mariella Miranda e German Alarcon Martin, durante o próximo mês de março. Escrevemos nesta semana sobre as regiões vinícolas de Mendoza, na Argentina.

A província de Mendoza traduz a riqueza e a excelência de qualidade vitivinícola da Argentina. Afirmar que Mendoza é a principal região vitivinícola da Argentina é redundante. Para lá foram direcionados os maiores investimentos estrangeiros e, sem dúvida, é em Mendoza que estão estabelecidas as vinícolas mais tecnológicas do país. Das centenas de vinícolas espalhadas por seus mais de 160 mil hectares sai a maioria dos vinhos produzidos no país, o que significa pelo menos 70% do que é engarrafado pelas cerca de 1500 bodegas mendocinas.


A região vinícola de Mendoza, na Argentina, era originalmente conhecida como Cuyo. Esta região experimentou um grande boom na vinificação nos séculos 19 e 20, o que resultou na área se tornando a quinta maior região vinícola do mundo e a maior de toda a América Latina.


O clima de Mendoza é continental com áreas de condições desérticas semiáridas. Existem quatro estações distintas ao longo do ano, sem extremos de temperatura reais. Isso proporciona um ciclo de crescimento muito estável para as videiras sem grandes eventos, como dormência de inverno. A principal preocupação dos vinicultores em relação ao clima é o granizo durante os meses de verão, conhecido pelos moradores como La Piedra.


Transformada a partir da irrigação artificial – utilizando-se águas tanto de degelo da Cordilheira dos Andes como dos rios que banham a região. Seus vinhedos encontram-se em áreas elevadas, começando nos 600 metros e podendo ultrapassar os 1.500 metros acima do nível do mar.


Os solos em Mendoza são predominantemente de solos aluviais que contêm areia solta sobre camadas de argila. Os muitos rios de montanha da região, incluindo os rios Desaguadouro, Mendoza, Tunya, Diamante e Athel, são excelentes fontes de irrigação. A água desses rios é fornecida pelo derretimento das geleiras na Cordilheira dos Andes.


Em Mendoza, existem mais de 17.000 furos que fornecem à região o equivalente a dois rios de área de fluxo de água. Além disso, a região possui um intrincado sistema de irrigação de canais, canais e reservatórios que remonta ao século XVI.


Devido ao seu tamanho e diversidade de variedades de uvas, a região de Mendoza produz uma variedade de vinhos brancos e tintos que impressionam o paladar de diversos apreciadores de vinho. A área de Barrancas de Mendoza, por exemplo, é conhecida pela produção de vinho tinto que tem sabores de frutas mais escuras e níveis suaves de acidez. Barrancas produz Syrah, Malbec e Cabernet Sauvignon vinhos reconhecidos internacionalmente. Em Maipu, a produção de vinho tinto é dominada pelo Malbec, que confere ao vinho sabores de frutas vermelhas com notas de tabaco.


Os vinhos tintos do Vale do Uco são densos com camadas de sabores de frutas negras, como ameixas, amoras, azeitonas e framboesas. Estes vinhos apresentam notas de pimenta vermelha com um final de cacau em pó. A área de San Rafael produz principalmente vinhos tintos Cabernet Sauvignon e Malbec com sabores de frutas vermelhas torradas e um final herbal e salgado. Junto com isso, eles também produzem blends de vinhos tintos usando uvas Syrah e Malbec. Estes vinhos são roxos escuros com tons violetas.


Assim, engana-se quem acha que Mendoza tem características únicas. Cada uma de suas sub-regiões oferece condições geográficas próprias. Além da altitude, variam a composição do solo, o clima e a origem das águas, determinando terroirs e, portanto, vinhos diferentes.


Por isso, algumas das mais maiores e mais celebradas bodegas têm vários tipos de uvas plantadas nas várias sub-regiões. Com estudos e pesquisas, elas estão definindo quais são as castas mais indicadas nas mais diversas áreas, para produzir uvas capazes de gerar vinhos diferenciados e de ótima qualidade em cada uma delas. Todo esse processo, além de otimizar a produção, contribui significativamente para a melhoria do vinho argentino como um todo.


São cinco grandes sub-regiões em Mendoza: Central, Norte, Leste, Vale de Uco e San Rafael, cujas extremidades chegam a ter mais de 200 quilômetros de distância uma da outra.


● REGIÃO CENTRAL - Com clima temperado de fresco a quente, o centro da província de Mendoza, que compreende os distritos de Maipú e Luján de Cuyo, oferece uma das melhores condições do continente para o cultivo de uvas viníferas, em altitudes de 650 a 1.100 metros. Não por acaso foi ali que imigrantes italianos plantaram os primeiros vinhedos da Argentina e onde hoje estão a maioria das vinícolas tradicionais do país.


Luján de Cuyo abrange, entre outros, os conhecidos e reputados distritos de Las Compuertas, Vistalba, Perdriel, Agrelo e Ugarteche. Maipú inclui Lunlunta, Las Barrancas, Cruz de Piedra, Beltrán e Coquimbito.


O Rio Mendoza é uma região vitivinícola antiga e tradicional, também conhecida como a "primeira zona" dos vinhos argentinos. Estando ao sul da cidade de Mendoza, com os melhores solos da província - pedregosos, pobres e ricos em calcário -, fatores excepcionais para o cultivo da videira, que contribuem significativamente para que os vinhos produzidos na região estejam entre os melhores do país. Há uma diversidade de microclimas e a maioria das vinícolas se utiliza de uvas dessa área na produção de seus vinhos.


A casta mais característica da região é a Malbec, a partir da qual se obtêm vinhos emblemáticos, representativos da região, da província e do próprio país. Aliás, em Luján de Cuyo está a DOC - Denominação de Origem Controlada - para elaboração de Malbec. Lá, a fruta atinge aromas complexos, cor e ótima concentração. Entretanto, a Malbec obviamente não é a única casta cultivada na Região Central, onde se produzem bons vinhos também a partir de Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Entre as vinícolas de destaque na região estão: Alta Vista, Catena Zapata, Finca Flichman, Finca La Anita, Luigi Bosca, Mendel, Norton, Pulenta Estate, Ruca Malen, Santa Julia, Séptima, Terrazas de Los Andes, Trapiche, Trivento, Viña Alicia e Zuccardi.


♦ LUJÁN DE CUYO - Aos pés da Cordilheira dos Andes, com altitudes acima de 1.000 metros, Luján de Cuyo abriga a Denominação de Origem Controlada para produção de Malbec do país. O vinho Norton Malbec D.O.C. foi o primeiro do país a estampar a sigla em seu rótulo. Aliás, a primeira vinícola da Bodega Norton, a centenária Finca Perdriel, fundada em 1895, fica em Luján de Cuyo, justamente na sub-região de Perdriel. Além de Perdriel, compõem a sub-região Las Compuertas, Vistalba, Agrelo e Ugarteche.


♦ MAIPÚ - Em uma região mais baixa e quente, Maipú conta com inúmeros vinhedos antigos, do início do século 20. Assim como em Luján, há escassez de chuvas e a água advém do Rio Mendoza. Ela compreende os distritos de Lunlunta, Las Barrancas, Cruz de Piedra, Beltrán e Coquimbito.


● REGIÃO NORTE E LESTE - Integram a parte mais baixa da província de Mendoza, a menos de 750 metros do nível do mar, perfazendo uma planície desértica, com solo arenoso e clima quente. Abriga a maior parte das sedes de vinícolas da região, ainda que isso esteja mudando. Produz vinhos fáceis de se beber, de consumo rápido, mais maduros e frutados, por isso são consideradas potências vitivinícolas. A região Norte engloba o departamento de Lavalle e parte dos departamentos de Maipú, Guaymallén, Las Heras e San Martín. Já o Leste abriga os departamentos de Junín, Rivadavia, San Martín, La Paz e Santa Rosa.


Abrangendo ainda áreas de menor altitude, irrigadas pelo Rio Mendoza. A altitude pode variar entre 600 e 750 metros acima do nível do mar, com pequeno declive, e predominam solos de areia fina.


Destacam-se a produção de vinhos brancos a partir de Chardonnay, Sauvignon, Chenin Blanc, Ugni Blanc e Torrontés, e de tintos feitos com Syrah, Cabernet Sauvignon, Bonarda e Malbec. Aqui e na região Leste o foco está na produção de vinhos mais acessíveis e de maior volume de produção.


Considerando a superfície de vinhedos e a quantidade de vinícolas estabelecidas na região, o Leste da província de Mendoza constitui verdadeira potência vitivinícola. Com altitudes que descendem de 750 a 640 metros, apresenta diferenças substanciais no clima, solo e amplitude térmica, de acordo com diferentes áreas.

Nos setores localizados nos arredores da cidade de Mendoza, os solos apresentam pouca capacidade de drenagem. Já no extremo leste, especialmente nos departamentos de Santa Rosa e Rivadavia, a terra em geral é arenosa e bem permeável; a paisagem é desértica e verifica-se grande amplitude térmica. Todos esses fatores contribuem para que vinhos do Leste - e também do Norte - sejam mais maduros e frutados, próprios para consumo rápido e agradem a maioria dos paladares.


Cultivam-se praticamente todas as castas existentes na Argentina, destacando-se, entretanto, as produções das brancas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Chenin Blanc, Torrontés e Viognier e das tintas Sangiovese, Syrah, Bonarda e Tempranillo. Merecem destaque as vinícolas Santa Rosa e Zuccardi.


● REGIÃO DO VALE DE UCO - Com grandes investimentos internacionais, é a região que mais cresce na Argentina em termos de vitivinicultura. O solo pedregoso irrigado por águas puras de degelo e altitudes de até 1.700 metros acima do nível do mar são um convidativo diferencial. Seus vinhos de altitude fazem sucesso, como acontece com os rótulos e os lançamentos batizados Altura, com Malbec, Cabernet Franc e Pinot Noir.


O Vale de Uco é composto por diversos distritos, com destaque para Altamira, Gualtallary, Chacayes, Vista Flores, Tupungato, Tunuyán e San Carlos, que incluem, entre outras, as reputadas localidades de Vista Flores, La Consulta, Altamira e Gualtallary, conhecidas pela alta qualidade dos vinhos produzidos. Com clima ameno, grande amplitude térmica e solo pobre, pedregoso e bem drenado, caracterizam-se por sua capacidade de produzir uvas de qualidade superior, com bom tanino, cor e ótimo equilíbrio entre acidez e açúcar; qualidades que permitem a vinificação de brancos e tintos capazes de envelhecer por longo período.


Tradicionalmente, cultiva-se na região Sémillon e Malbec. Mais recentemente, foram introduzidas Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot, que mostram grande adaptabilidade ao terroir local, assim como Syrah e Tempranillo. Hoje o vale vive seu auge, recebendo investimentos internacionais e produzindo grandes vinhos.


Destaque para diversas vinícolas, entre elas, Andeluna Cellars, Atamisque, Catena Zapata, Clos de Los Siete, Doña Paula, Finca Sophenia, Flecha de Los Andes, François Lurton, Monteviejo, O. Fournier, Rutini, Salentein, Terrazas de Los Andes, Trivento e Vistalba.


● REGIÃO DE SAN RAFAEL - Localizado na porção sul de Mendoza, onde também fica General Alvear, possui solo calcário e uma altitude descendente de 800 a 450 metros acima do nível do mar. Seu clima é mediano, ameno e os solos calcários, a irrigação é feita pelos rios Atuel e Diamante. Ainda que ampla e um tanto genérica, existe uma Denominação de Origem Controlada San Rafael.


Destaca-se como a principal área de cultivo de Chenin Blanc na Argentina, além de produzir também bons vinhos a partir de Chardonnay, Malbec, Sauvignon Blanc, Merlot e Cabernet Sauvignon. Merecem destaque na região, as vinícolas Casa Bianchi e Alfredo Roca.

Nos próximos artigos falaremos mais sobre as outras regiões de produção além de Mendoza.


Não perca a chance de provar uma taça de vinho argentino !!! Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações durante a prova dos vinhos e pesquisas).

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