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  • Foto do escritorMarcio Oliveira - Vinoticias

“CHAPADA DIAMANTINA E SEUS VINHOS – PARTE 1”

Em um marco histórico para a vitivinicultura baiana e brasileira, a região do Vale do São Francisco recebeu o reconhecimento de ter a primeira indicação de procedência de vinhos tropicais no Brasil em 01.11.2022.

Com este selo, a Europa, referência na produção de vinhos no mundo, reconhece a região como referência no Brasil no tocante à produção de vinhos. Antes disso, o Vale do São Francisco tinha apenas reconhecimento pelo manejo e produção de uvas de mesa e frutas tropicais. O registro conquistado – Indicação de Procedência Vale do São Francisco – abre mercados internacionais para o vinho baiano.

A nova indicação protege vinhos originais do Vale do São Francisco, indicada como região geografia peculiar no contexto mundial, levando em consideração a diversidade de tipos de uvas que podem ser cultivadas. No Vale do São Francisco pode-se encontrar variedades adaptadas a diferentes condições de clima, solo e biomas. O registro contribui para o fortalecimento da relação entre as vinícolas da região, especialmente pela busca comum de melhoria constante na qualidade e expressão da tipicidade nos vinhos por elas elaborados.


Os vinhos tropicais do Vale do São Francisco são, na sua maioria, jovens, frescos, aromáticos, frutados e florais, e estão disponíveis ao consumidor em qualquer época do ano. Também são produzidos vinhos de guarda e mesmo vinhos nobres com colheitas de uvas em períodos específicos do ano. Segundo a legislação brasileira, para que um vinho seja considerado “nobre”, ele precisa apresentar um teor alcoólico natural entre 14,1% e 16%.

No Vale do São Francisco, em função do clima quente ao longo do ano, é possível a produção de uvas e vinhos de janeiro a dezembro, com duas podas e duas safras anuais, com possibilidades de colheitas escalonadas ao longo do ano nas diferentes parcelas de vinhedos. O carro-chefe da produção são os espumantes, com aproximadamente três milhões de litros por ano, seguidos dos vinhos tranquilos, com produção de cerca 1,5 milhão de litros anuais.


♦ O QUE SÃO VINHOS TROPICAIS? - O “Velho Mundo” (continente europeu), é consagrado historicamente na produção de vinhos. Entre os mais tradicionais produtores estão países como França, Portugal, Espanha e Itália. Já os países do “Novo Mundo” tiveram seus vinhos reconhecidos, sobretudo, a partir da segunda metade do século XX. Aí se incluem os Estados Unidos, Chile, Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e o Brasil, onde a produção foi concentrada inicialmente nas regiões de clima subtropical, nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em comum entre os dois “mundos” está a característica de apenas um ciclo da videira e uma colheita de uvas por ano.


Mais recentemente, o mapa da vitivinicultura mudou, passando a contemplar outras regiões do mundo, com os chamados “vinhos tropicais”. Produzidos nas latitudes mais baixas, entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, são definidos como os vinhos obtidos de uvas produzidas em regiões nas quais é possível, em condições naturais, mais de um ciclo anual da videira, com uma ou mais colheitas por ano. As variantes de clima exploram localidades com períodos menos úmidos até climas áridos.


Essa nova geografia do vinho está estabelecida em mais de uma dezena de países, de diferentes continentes. Na América do Sul, destacam-se o Brasil e a Venezuela, além do Peru e Equador. Na Ásia, os principais produtores são Myanmar (antiga Birmânia), Tailândia, Índia, Indonésia e Vietnã. A África é representada pela Etiópia, Gabão, Quênia, Namíbia e Tanzânia; e a Oceania, pela Polinésia Francesa.


Além disso, em tempos em que as mudanças climáticas sugerem desafios às regiões produtoras tradicionais, a vitivinicultura tropical pode ser considerada como um laboratório permanente para avaliar os efeitos da produção em condições de clima mais quente. A adaptação de variedades em áreas tropicais para vinhos de qualidade poderá ser uma referência para as regiões de clima temperado se anteciparem aos potenciais impactos no futuro.


No entanto, não existe apenas uma vitivinicultura tropical, pois são diversas as variações entre as regiões. Na Índia e na Tailândia, por exemplo, o clima é Tropical de Monções, com inverno extremamente seco e verão bastante chuvoso. O norte do Peru é quente e árido, praticamente sem chuvas. Já o Semiárido brasileiro é quente, seco e com pouca precipitação. Cada um desses atributos exige um modo diferente de produção.


O sol é escaldante o ano inteiro. Clima seco, altas temperaturas e pouca chuva. Um cenário improvável para a produção de vinhos, tradicionalmente oriundos de regiões mais frias. A tarefa desafiante é cumprida no Vale do Submédio São Francisco, na região semiárida do Nordeste brasileiro, onde as características naturais são aliadas a tecnologias, incluída a irrigação. Dessa forma, é possível colher uvas e elaborar vinhos tranquilos e espumantes, brancos, tintos e rosés, nos 365 dias do ano.


Isso porque, no Vale do São Francisco, o momento da colheita é definido pelo produtor, que consegue escalonar a produção de uvas de forma ininterrupta. Diferentemente das demais regiões vitivinícolas, em que os estágios das plantas são determinados pelo clima característico de cada época do ano, no Semiárido, onde não há grande variação climática de janeiro a dezembro, os ciclos vegetativos são induzidos pelo estresse ou oferta de água e pelas podas nos períodos desejados.


A possibilidade de uma videira chegar a produzir até cinco safras de uvas a cada dois anos também diferencia a região em relação a outras áreas de produção. É um paradoxo para a tradicional e já consagrada vitivinicultura do “Velho e do Novo Mundo”, centrada em regiões de clima temperado, em que a videira produz apenas uma safra por ano e sempre na mesma época.


Se os vinhos do Vale do Rio São Francisco já eram uma realidade, agora reconhecida, mais surpreendente ainda são as vinícolas que surgiram na Chapada Diamantina, em torno de Mucugê e Morro do Chapéu.


Na próxima semana escreveremos sobre nosso Roteiro de Visitas pela Chapada Diamantina. Se você ainda não provou um vinho desta região, daremos motivos para bebê-los!!!


Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações durante a prova dos vinhos e pesquisas).

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