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  • Foto do escritorVinotícias - Marcio Oliveira

JUSTINO´S MADEIRA COLHEITA 1995 – MADEIRA – PORTUGAL

Na Madeira, as uvas brancas são consideradas as mais nobres, mas quem domina os vinhedos é a Tinta Negra Mole.

De acordo com as estatísticas oficiais, ela ocupa 80% da área de vinhedos. Versátil, resistente a doenças, adaptada ao clima local, vigorosa e produtiva, ela provavelmente foi introduzida na ilha durante o Século XVIII, mas passou a dominar os vinhedos com o replantio que se seguiu à filoxera, que atingiu a ilha em 1872.


Associada a vinhos básicos, cozidos em estufagem, coloridos com caramelo, e usados principalmente na cozinha, a Negra Mole não é muito bem-vista pelos críticos de vinho. Por isso, nem costuma constar no rótulo das garrafas. Mas alguns poucos produtores da ilha perceberam que a variedade não é um problema se for bem tratada: com manejo para controlar a produtividade, vinificação cuidadosa, e sem adição de corante caramelo, é possível obter um grande Vinho Madeira, 100% de Negra Mole.


Um dos produtores a perceber seu potencial foi a Justino's Madeira, uma das empresas de maior estoque de vinhos, e maior visibilidade no mercado internacional. A prova é o Justino's Madeira Colheita 1995, um vinho 100% Negra Mole, de uma só safra (algo relativamente raro, reservado aos melhores vinhos), vinificado em bica aberta (sem contato com as cascas) e envelhecido em sistema de canteiro, em cascos (barris) de carvalho francês e americano, por ao menos 10 anos, antes do engarrafamento.


● Uvas: 100% uva Negra Mole.


● Notas de Degustação: Apresenta cor âmbar de reflexos dourados e aromas complexos de frutos secos como figos secos turcos, amêndoas torradas, avelãs, damasco, caramelos e um toque de café. Também é intenso na boca, com a acidez característica desses vinhos, que equilibra plenamente a alta doçura (120g/L de açúcar residual) e o álcool (19%). Tem uma grande persistência em boca, frutas e em compota, bem como notas florais e de especiarias doces, além de toques de café e de casca de laranja. Em boca, é estruturado, intenso, profundo, suculento e de final muito longo, confirmando o nariz. Surpreende pelo ótimo equilíbrio entre sua doçura e acidez vibrante. Uma delícia de vinho que pede imediatamente um segundo gole.


● Estimativa de Guarda: Poderá evoluir por mais tempo, mas já tem um bom depósito de borras. Apesar de ser um vinho considerado "imortal" (porque já é um vinho totalmente cozido e oxidado), a minha garrafa apresentou um depósito no final, o que indica que provavelmente já havia sido engarrafado havia bastante tempo.


● Notas de Harmonização: Recomendo decantar para separar a borra. Vale por uma sobremesa. No nosso caso, acompanhou muito bem um tiramisu.


Serviço: servir entre 9 e 10ºC (Beba numa taça apropriada como uma taça de degustação).

Faixa de Preço – $$$$


Degustado na Confraternização da CONFRARIA FOUS DE VIN. Importado pela Casa Flora e Porto a Porto.

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