“NAPOLEÃO E O CHAMPAGNE – PARTE I”
- Marcio Oliveira - Vinoticias

- há 4 horas
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Napoleão Bonaparte não foi apenas um dos maiores estrategistas militares da história. Ele também teve um papel decisivo na consolidação do Champagne como símbolo de prestígio, celebração e poder.

A ligação de Napoleão com o Champagne ultrapassou o gosto pessoal e teve impacto direto na forma como alguns dos vinhos mais famosos do mundo passaram a ser vistos.
O produtor de champagne Jean-Remy Moët, da dinastia Moët & Chandon e Napoleão se conheceram na escola militar francesa. A amizade começou em 1782, quando o futuro imperador estudava na escola militar de Brienne-le-Château. Foi lá que ele conheceu Jean-Rémy Moët, neto de Claude Moët, fundador da empresa Moët. O jovem Moët estava na escola buscando encomendas para os negócios da família quando encontrou Napoleão.
A palavra "Champagne" soou como música para os ouvidos de Napoleão. Os dois jovens formaram uma amizade sólida que não só se manteve forte e inabalável ao longo dos anos, como também, sem dúvida, contribuiu para que a bebida leve e borbulhante desempenhasse um papel importante na história francesa.
Antes de cada campanha militar, Napoleão fazia questão de visitar a Moët & Chandon para abastecer-se de caixas de Champagne. Na realidade, em todas as campanhas, exceto em Waterloo, segundo Don e Petie Kladstrup em seu livro "Champagne". Talvez tenha sido nessa ocasião que Napoleão proferiu a famosa frase: "Champagne! Nas vitórias é merecido, nas derrotas necessário!”

Após suas campanhas triunfantes na Itália, Napoleão presenteou seus soldados e oficiais com caixas de Moët & Chandon. Sua estreita relação com Jean-Rémy Moët, o proprietário da Moët & Chandon, ajudou a catapultar a marca para a fama internacional.
Mesmo nas derrotas de Napoleão, sua amizade com a família Moët permaneceu forte. Na Guerra da Sexta Coligação, houve um desastre terrível para o imperador, para a França e para qualquer um que um dia tivesse tido um pensamento positivo sobre os franceses. Não só levou ao primeiro exílio de Napoleão para a ilha de Elba; mas o pior veio após o seu exílio, quando os russos tomaram a região de Champagne e saquearam praticamente todas as adegas dos produtores.
"As adegas de toda Champagne foram assaltadas, sendo as da Moët as que sofreram as piores perdas, onde seiscentas mil garrafas foram esvaziadas por soldados russos acampados no local", escreveram os Kladstrup em seu livro “Champagne”. Nem mesmo uma perda dessa magnitude conseguiu abalar o laço de Napoleão e Jean-Remy A Moët não entrou em pânico. Em vez disso, lembrou-se de um antigo provérbio francês: “Qui a bu, boira”, ou “Quem bebeu uma vez, beberá outra”. “Todos esses soldados que estão me arruinando hoje me darão fortuna amanhã”, disse Moët a todos os seus amigos. “Vou deixá-los beber o quanto quiserem. Eles ficarão viciados para sempre e se tornarão meus melhores vendedores quando voltarem para seus países.”
Ele não estava apenas sendo leal ao seu amigo Napoleão. Ele estava absolutamente certo. Os negócios da Moët prosperaram nos anos seguintes e, entre os muitos clientes que clamavam por um gole do fino espumante, estavam alguns dos famosos adversários de Napoleão - incluindo o Primeiro Duque de Wellington e Frederico Guilherme III da Prússia.
A profundidade dessa amizade pode ser também considerada pelos presentes trocados entre os dois amigos ao longo dos anos. Comecemos pela réplica do Grand Trianon - o palácio em Versalhes - que Moët construiu em sua propriedade com aposentos para Napoleão e a Imperatriz Josefina quando os visitavam.
Claro, Napoleão também não ficava atrás quando o assunto era presentear. Ele não só presenteou a família Moët com o último de seus famosos chapéus bicorne, como também lhes concedeu a Cruz de Oficial da Legião de Honra - a mais alta condecoração francesa por realizações militares e civis - por todos os serviços prestados à família, que consolidaram a reputação da França como líder mundial em vinhos.
Em retribuição, a casa criou posteriormente o famoso rótulo Moët Impérial em sua homenagem para seus champagnes branco e rosé que compõem a maior parte da produção da Moët & Chandon. Na verdade, eles são o motivo pelo qual o "champagne rosé" deveria estar no topo da lista de coisas que vêm à mente de todos quando ouvem "Napoleão Bonaparte". O Champagne Impérial recebeu esse nome em homenagem ao falecido imperador em 1869, e a casa continua a produzi-lo com esse nome desde então.
O Império francês e seu Código Napoleônico influenciaram indiretamente a indústria, permitindo que viúvas possuíssem e administrassem empresas. Essa brecha legal permitiu que Barbe-Nicole Ponsardin (Veuve Clicquot) administrasse sua própria casa de champagne e fosse pioneira em técnicas inovadoras de remuage e dégorgement.
Entretanto, durante a invasão de 1814, enquanto as tropas aliadas russas e prussianas varriam Reims, a astuta "Viúva Clicquot" (Veuve Clicquot) abriu suas adegas aos soldados ocupantes. Essa ousada atitude permitiu que ela conquistasse o mercado russo e lançasse seu império do champagne assim que a guerra terminasse. Ela usou o mesmo raciocínio dos Moët.
A Viúva Clicquot revolucionou a indústria ao armazenar as garrafas de cabeça para baixo em suportes especiais, girá-las e, em seguida, congelar o excesso de levedura. A nova técnica resultou em um sabor mais refinado, menos doce, com bolhas menores.
Contudo, mal havia aperfeiçoado a sua técnica quando hordas de soldados russos invadiram sua adega. Alguns de seus rivais mais experientes optaram pela clandestinidade. Fecharam seus negócios e protegeram seus vinhedos dos soldados invasores. Inicialmente, a viúva Clicquot considerou essa abordagem. "Tudo está indo mal", escreveu ela a uma amiga. "Passei tantos dias ocupada murando minhas adegas, mas sei muito bem que isso não impedirá que sejam roubadas e saqueadas. Se isso acontecer, estarei arruinada."
Então, Clicquot fez o que todos os bons empreendedores fazem. Ela mudou de estratégia para aproveitar uma oportunidade de marketing. Resolveu embebedar o exército russo. Sua aposta era que, quando os soldados retornassem à Rússia, teriam um gosto insaciável por seu champagne. "Hoje eles bebem", disse ela. "Amanhã pagarão!" Ela os afogou em vinho, mas astutamente reteve a safra de 1811, considerado como o primeiro champagne verdadeiramente moderno.
Quando soldados franceses chegaram alguns meses depois para expulsar os russos, ela repetiu sua artimanha. Deu champagne e taças de graça aos oficiais de Napoleão, mas como eles não conseguiam segurar as taças enquanto cavalgavam, pegaram seus sabres militares e cortaram os gargalos das garrafas. Teria nascido o costume cerimonial da sabragem.
Daí este outro aspecto ligado a Napoleão Bonaparte que é a técnica de abrir garrafas de champagne com uma espada ou sabre (conhecido como sabragem). A lenda diz que as tropas de Napoleão, em especial aos hussardos de elite são creditados com a invenção da arte de usar o sabre. Para celebrar seus triunfos militares de forma extravagante a cavalo, os soldados cortavam o gargalo das garrafas com suas espadas.
Anotações manuscritas mostram que, durante seu exílio em Santa Helena, Napoleão tinha permissão para consumir uma garrafa de champagne e dez garrafas de vinho tinto por dia! Saúde!!! Que tal comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).





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