• Marcio Oliveira - Vinoticias

“AS MULHERES E O VINHO”

Sempre foi costume ver o vinho como "assunto de homem", e não de mulher. Não importa quem o sommelier do restaurante vai dar a garrafa recém-aberta para degustar ... para o homem da mesa, é claro! Mas, apesar disso e graças aos desenvolvimentos sociais relativos ao lugar e ao papel das mulheres em geral, as coisas estão mudando gradualmente.

As mulheres sempre tiveram um papel importante na história do vinho ... desde a Antiguidade! Esta é uma informação pouco conhecida ... Sim, as mulheres sempre tiveram o seu lugar na história do vinho. A começar pela Antiguidade, onde apareceram as primeiras mulheres sommelier há 3.000 anos, na Babilônia. Também no Egito, várias gravuras atestam o lugar importante do sexo feminino no trabalho da videira. Além de beber essa bebida alcoólica, seu papel era escolher e servi-la. E isso na mais estrita igualdade. Aliás, o Egito é um marco nesta igualdade, uma vez que o divórcio podia ser pedido pelo homem ou pela mulher!


O mesmo não acontecia com as sociedades grega e romana, entretanto. As mulheres, não sendo consideradas cidadãs, não tinham permissão para se entregar a esse tipo de prazer. Portanto, parece que o ponto de ruptura é neste período da história. Ao longo dos séculos que se seguiram, portanto, eles se tornaram cada vez mais raros e não se aproximavam mais realmente da bebida sagrada ...

Só muito mais tarde é que encontramos algumas precursoras, que chegaram ao mundo do vinho com a morte de seus maridos. Podemos citar então a famosa Veuve Cliquot, que muito fará pelo desenvolvimento das técnicas de vinificação em Champagne, Jeanne Pommery ou Madame de Lur-Saluces, que assumiu o Château d'Yquem em 1788.


Felizmente, as coisas estão mudando hoje em dia, e as mulheres estão mais propensas a seguir o caminho dos vinhedos e da enologia. Cada vez mais elas estão assumindo as propriedades de seus ancestrais como herança, ou mesmo optando por estudar enologia na universidade.


Da produção à comercialização, toda a cadeia do mundo do vinho está tendo participação feminina, mesmo que às vezes o ambiente seja difícil de penetrar. A explosão das missões do setor terciário no vinho - marketing, design, comunicação, enoturismo - permitiu que a profissão se feminizasse. No entanto, as profissões vinícolas também estão atraindo cada vez mais mulheres, e isso é bom porque as mulheres são particularmente talentosas quando se trata de produzir bons vinhos.


Essa atração das mulheres pela indústria do vinho não vai acabar tão cedo. Um dado marcante ilustra esta tendência: a formação na profissão de enólogo, que no passado era principalmente seguida por homens, é agora 50% seguida por mulheres.


Se olharmos para o consumo regular, os homens consumiriam mais do que as mulheres: de 100 homens, 69 dizem que bebem vinho diariamente, em comparação com 37 mulheres. Por outro lado, 37% deles estimam que bebem vinho ocasionalmente, contra 27% dos homens. As mulheres, portanto, não consomem da mesma forma ou com a mesma frequência que os homens.


No entanto, o equívoco de que os homens gostam de vinho tinto e as mulheres gostam de vinho branco ou rosé não é verificado pelas estatísticas! As mulheres amam o vinho tinto tanto quanto os homens, e a maioria afirma preferir o vinho tinto ao branco ou rosé. Esqueça os clichês!


Então, se você não tem uma ideia de presente para sua mãe, sua irmã ou sua melhor amiga, ofereça uma garrafa de vinho. Ou um Curso de Vinho, ou uma viagem de Enoturismo.


A história da mulher e do vinho confunde-se com a da sua emancipação, uma conquista duramente conquistada que teve de desconsiderar proibições, preconceitos, o que vai ser dito. O aparecimento das mulheres na indústria do vinho sobretudo no final dos anos 1970 - mulheres cujas faculdades olfativas são hoje reconhecidas como até cem vezes mais desenvolvidas do que entre os homens! - coincidiu com uma melhoria geral da qualidade do vinho. Mas antes de ganhar a liberdade de fazer e o prazer - tão suspeito, especialmente quando se trata do feminino - de beber vinho, terão se passado mais de dois milênios.


Segundo Jean-Pierre Corbeau, sociólogo da alimentação, esse tabu histórico se baseia em três crenças:


♦ a da incompatibilidade do vinho com a função reprodutiva das mulheres,

♦a da impureza das mulheres e o risco de que seu sangue menstrual não chegue a contaminam a bebida divina,

♦ e aquela que segue das duas precedentes e que tornaria o vinho prerrogativa de mulheres de pouca virtude, prostitutas, concubinas, mulheres adúlteras e outras mulheres leves.


Dizia-se que os mistérios da sexualidade feminina e da gestação não combinavam com esta bebida fermentada, ela própria o resultado de uma alquimia mal dominada. O sangue da videira não era adequado para mulheres: um sangue expulsa o outro. Era proibido nas adegas a presença feminina (elas faziam o vinho estragar!), e era proibido beber como os homens.


Antigamente, tudo o que se referia ao vinho era assunto dos deuses e dos homens. O papel da mulher se limita a servir vinho. Excluídas dos simpósios, as mulheres só provavam o vinho em segredo, fora da vista dos homens e por sua própria conta e risco (algumas perderam a vida!). O cristianismo torna a mulher que bebe um símbolo de devassidão e danação. Não foi até a Idade Média que as coisas começaram a mudar. A área da vinha aumentava e o consumo de vinho foi se tornando mais democrático.


Ele entra na dieta básica como uma bebida nutritiva e saudável. No campo, as mulheres bebem como os homens. Nas vilas e cidades, o vinho flui livremente durante as inúmeras festas que marcam o calendário e que servem de escoadouro, é o vinho do esquecimento, do prazer imediato, afirma Ségolène Lefèvre, historiadora da comida.


Mas, realmente será necessário esperar a segunda metade do século 20, para ver as mulheres entrando no mundo da produção. Havia algumas pioneiras, como as freiras na Idade Média. Na verdade, como o vinho é necessário para o exercício do culto, as irmãs trabalhavam as vinhas, podavam-nas e colhiam as uvas. No entanto, elas confiavam a vinificação a estranhos. Por outro lado, cuidavam da comercialização do seu vinho, alguns tendo desempenhado um papel importante na reputação de certos vinhos, como as Irmãs Hospitaleiras dos Hospices de Beaune.


Em Portugal é marcante a figura de D. Antónia Ferreira, a "Ferreirinha", uma proprietária que no século XIX luta pela preservação do patrimônio e do vinho da região do Douro, e que construiu uma das mais sólidas empresas de vinho do país.


Portanto, para não esquecer ninguém, entre as várias enólogas que fazem grandes vinhos na atualidade, neste mês de março, quando se comemora o Dia das Mulheres, um brinde ao papel que várias delas exercem neste mundo do vinho.


Aproveite para comentar se gostou ou não!!! Saúde!!! (baseado em artigos disponíveis na internet)