• Marcio Oliveira - Vinoticias

“EM QUE UM ROSE É DIFERENTE DOS VINHOS BLUSH / PINK E BLANC?”

Comumente referido como "Vinho do Verão", o rosé não precisa necessariamente ser bebido ao ar livre, ao sol e apenas no verão. No entanto, somos criaturas de hábitos e parece um rito de passagem beber vinhos rosé quando o tempo está um pouco mais quente.

“Márcio, eu vi as mesmas uvas listadas em um vinho rotulado 'Blush', 'Blanc' ou 'Rosé'. Qual é a diferença entre estes vinhos?" – está é uma pergunta que é comum em algumas Confrarias.


Pergunta muito interessante, e uma, infelizmente, que pode não ser tão fácil de responder quanto parece. Em primeiro lugar, nenhum destes termos tem uma definição regulamentada ou efetivamente enológica associada a eles, o que torna bastante difícil distinguir entre vinhos rosé e blush, ou mesmo vinhos brancos levemente “cobreados”.


Pinot Noir pode ser um vinho branco, ou mesmo ligeiramente rosado, feito de uma uva tinta. Chenin Blanc e Pinot Blanc são uvas brancas com a palavra "Blanc" em seus nomes. Portanto, é fácil perceber a confusão entre os diferentes tipos de vinhos que podem ser criados a partir destas uvas.


Quando o termo "Blanc" é aplicado a um vinho criado a partir de uma uva tinta, geralmente significa que o vinho foi esmagado com o mínimo de contato com a pele (casca do bago de uva). É o contato com a pele que dá cor ao suco. O suco de quase todas as uvas tintas é branco puro. Sem contato com a casca da uva, o vinho seria branco. Normalmente, uma uva tinta precisa apenas fazer contato entre o suco e a casca por algumas horas para obter aquele "blush" de cor no vinho, logo o termo.


O termo “blush” vem de corar, ruborizar....


Uma uva tinta usada na produção de um vinho branco é comum em Champagne, onde a maioria das uvas usadas são tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier. Elas são esmagadas sem contato com a pele, razão pela qual a maioria dos champanhes, embora feitos com uvas tintas, são brancos.


Um Rosé é normalmente um tipo de vinho rosado feito de uma uva tinta que teve um pouco de contato com a pele para lhe dar a cor rosada. Mas, novamente, não existem regras. Basta olhar nas prateleiras da sua loja ou importadora preferida e você verá vinhos rotulados como rosé que abrangem o espectro desde o mais leve rosa até um rubi escuro. Você também pode fazer um vinho rosé pegando um vinho branco e adicionando vinho tinto até atingir a cor desejada. Esta é uma experiência que você pode experimentar em sua própria casa, e muitos produtores trabalham desta forma.


Claro, tudo isso pressupõe que haja algum resultado final em mente. A maioria dos vinhos blush são de pouca importância em termos de qualidade. Nos Estados Unidos são normalmente elaborados com vinhos de qualidade inferior, levemente adoçados, para esconder as suas imperfeições, e misturados de forma a ter um sabor aceitável a um preço competitivo.


Os verdadeiramente maravilhosos rosés nascem nas regiões francesas de Tavel, Provence e Anjou. Infelizmente, toda essa categoria foi rejeitada pela maioria dos amantes de vinhos porque o mercado foi inundado por vinhos medíocres rotulados como "Rosé". Como resultado, muito pouco deste vinho é feito que possa ser comparado aos seus homólogos franceses. Existem alguns, no entanto, alguns rótulos de qualidade e vale a pena procurá-los.


Um ótimo Rosé é uma combinação sublime para alimentos saudáveis como bouillabaisse, cioppino e similares. Bouillabaisse- sopa tradicional francesa da região de Marselha, feita com peixes brancos e batatas. Cioppino - caldeirada italiana de frutos do mar.


O vinho rose felizmente abrange o espaço de cores entre o vinho tinto e o branco, de certa forma, costumo dizer que o rosé é mais como um estado de espírito.


Como você pode imaginar, quase qualquer uva de vinho tinto (de Cabernet Sauvignon a Syrah) pode ser usada para fazer vinho rosé, no entanto, existem vários estilos comuns e uvas que são preferidas para rosé.


♦ Origens improváveis: Bordeaux - O desenvolvimento do vinho rosé talvez tenha começado com a popularidade do Claret - um estilo comum de Bordeaux tinto durante o século XIX. Naquela época, os ingleses gostavam de vinhos claros feitos com Cabernet Sauvignon e Merlot. Hoje em dia, os vinhos de Bordeaux se tornaram mais ousados e mais escuros para se adequar ao perfil de sabor do vinho tinto de hoje. E o Rosé conquistou uma categoria própria. Uma região francesa que produz rosé por excelência há mais de 2.600 anos é a Provence e na minha opinião, a orgime vem dali!


A região já era uma grande fornecedora de vinhos, feitos em ânfora na época dos fenícios e gregos que dominavam o comércio pelo Mar Mediterrâneo. Muito provavelmente algum mercador chegou num produtor e comprou o que estava disponível, e era um vinho que estava começando a vinificar junto com suas cascas e, portanto, era rose. Dai, deve ser a origem deste estilo, que tem na Provence uma região de referência com seus vinhos levemente rosados.


♦ O sabor do vinho rosé - Os sabores principais do vinho rosé são frutas vermelhas, flores, frutas cítricas e melão, com um agradável sabor verde crocante no final, semelhante ao de aipo ou ruibarbo. Obviamente, dependendo do tipo de uva com que o vinho rosé é feito, o sabor varia muito. Por exemplo, um italiano Aglianico rosé é um rosé profundamente colorido e é chamado de “Rosato” na Itália, - oferecerá sabores de casca de cereja e laranja, e um Grenache rosé de cor clara da Provença na França terá gosto de melão, limão e aipo.


♦ Como se faz uma rose? - Existem 3 formas principais de fazer vinho rosé e a forma mais comum é a de maceração.


● Método de Maceração - O método de maceração é quando as uvas de vinho tinto são deixadas para descansar, ou macerar, no suco por um período de tempo e depois todo o lote de suco é finalizado em um vinho rosé (como se fosse um branco e para manter a fruta e frescor não passa por madeira). O método de maceração é provavelmente o tipo mais comum de rosé que vemos disponível e é usado em regiões como a Provence e Languedoc-Roussillon, França, onde o rosé é tão importante quanto o vinho tinto ou branco. Os vinhos rosés tocam as cascas das uvas tintas por cerca de 2 a 20 horas.


● Método do Vinho Cinzento - “Vinho Cinzento”, é quando as uvas tintas são usadas para fazer um vinho quase branco, portanto uma derivação do método de maceração. “Vin Gris” é um estilo de vinificação rosé é popular para as variedades de vinho tinto mais leves, como Pinot Noir nos Estados Unidos e Gamay ou Cinsault na França, podendo ser entendido como um vinho de Método de Maceração com tempo muito, muito curto.


● Método Sangria - “Saignée” - O método Saignée é quando durante as primeiras horas de fabricação de um vinho tinto, parte do suco é “sangrado” e colocado em uma nova cuba para fazer rosé. Este método é muito comum em regiões vinícolas que produzem vinhos tintos finos, como Napa e Sonoma nos Estados Unidos O propósito de sangrar o suco não só produz um rosé adorável, mas também concentra a intensidade dos vinhos tintos. Os vinhos “Saignée” são muito raros, devido ao método de produção e frequentemente representam apenas cerca de 10% ou menos da produção de uma vinícola.


● Método de Mistura - O método de mistura é quando um pouco de vinho tinto é adicionado a uma cuba de vinho branco para fazer rosé. Não é preciso muito vinho tinto para tingir um vinho branco de rosa, então geralmente esses vinhos terão até 5% ou mais de um vinho tinto adicionado. Este método é muito incomum com vinhos rosés, mas acontece muito mais em regiões de vinhos espumantes como Champagne. Um exemplo de vinho muito fino feito com essa técnica é o Champagne rosé da Ruinart, que é principalmente Chardonnay com um toque de Pinot Noir tinto misturado.


♦ Quais variedades são usadas para fazer vinho rosé? - Grenache, Cinsault, Tempranillo, Pinot Noir… quase todas as uvas para vinho tinto são usadas para fazer vinho Rosé. Como a popularidade da categoria cresceu, há mais opções do que nunca. Então, por onde você começa e quais estilos são os mais populares? Tradicional? Qual o melhor?


Vinho Rosé Seco - Este estilo de vinho Rosé é o estilo mais comum produzido hoje em todo o mundo. França e Espanha lideram a produção de vinho rosé e é típico ver uma mistura de 2-3 variedades de uvas diferentes até mesmo na Itália. Aqui estão as variedades de vinho rosé seco mais comuns usadas sozinhas ou em combinação: Grenache, Sangiovese, Syrah, Mourvedre, Carignan, Cinsault, Pinot Noir.


Vinho Rosé Doce - Qualquer vinho rosé pode ser produzido em um estilo doce simplesmente não fermentando todo o açúcar em álcool. No entanto, não é tão comum e principalmente reservado para a produção de vinho a granel. Se você está em busca de um vinho rosé doce, os seguintes vinhos serão adequados: White Zinfandel, Merlot Branco, Moscato Rosa.


O epicentro do mundo do vinho Rosé está no sul da França. Lá, ao longo do Mediterrâneo, variedades regionais como Grenache, Carignan e Syrah são combinadas para fazer um Rosé refrescantemente seco. O sul da França é a Provence e Languedoc-Roussillon ou, às vezes, apenas rotulado como “Pays d'Oc”. Os vinhos da região têm aromas de morangos e framboesas e são refrescantes com uma acidez picante. Se você procura qualidade, procure vinhos com alto percentual de Grenache, Syrah ou Mourvedre versus Carignan ou Cinsault. A maioria dos Carignan e Cinsault não são tão complexos.


No restante da França espere encontrar vinhos Rosé ainda mais secos e rápidos do Vale do Loire. Sabores de toranja, menta e até pimentão vermelho são comuns. Em Bordeaux, o Rosé feito de Merlot podendo inclinar-se para o lado doce com aromas de molho de morango e pêssego.


♦ O Tavel - Os franceses dizem com muito orgulho que no mundo do vinho, há branco, rosé, tinto e ... Tavel.


O Tavel é um Grand Cru do Vale do Rhône, e segundo muitos gourmets, considerado o melhor rosé do mundo. Nas encostas que fazem fronteira com a margem direita do Rhône, entre a Pont d'Avignon e a Pont du Gard, aninha-se um terroir excepcional… o “Reino de Tavel”. Neste terroir variegado de ardósia, seixos, areia e cascalho, as castas nobres expressam-se plenamente, dando origem a este vinho único dedicado ao rosé.


Tavel é um vinho com denominação de origem controlada produzido nas comunas de Tavel e Roquemaure, no Gard. O Tavel não é apenas um vinho de verão, mas um vinho para uma refeição completa, que pode ser consumido durante todo o ano. Pode ser degustado jovem, mas também em safras maduras, uma vez que tem longevidade maior dos que os rosés que são vinhos em sua maioria para beber nos dois primeiros anos de vida.


O Tavel tem a capacidade de ter várias vidas: uma infância doce e florida, uma adolescência encorpada e apimentada, uma grande idade apimentada e carnuda.


As harmonizações com Tavel são todas as cozinhas do mundo: sabores picantes, coloridos, exóticos ..., tudo vai bem com Tavel !!!!...............Saúde !!!