• Marcio Oliveira - Vinoticias

“MITOS SOBRE VINHOS”

Acredite se quiser: há pessoas que têm medo de vinho, e não estamos falando do medo de uma taça vazia! Quem sofre de enofobia pode ter diferentes graus de medo.

A enofobia ainda pode ser encarada como uma fobia social, uma vez que impede a pessoa de frequentar alguns locais onde a bebida está presente, ou até mesmo pessoas falando sobre vinhos, ou ainda o receio de escolher um vinho errado para um jantar, passando pelo medo de ser intoxicado pela bebida até o extremo de não poder sequer ver vinho derramado sobre uma mesa.

Muitas vezes estes receios de não entender a bebida, por conta de terminologias próprias do assunto, ou de pessoas que se fazem de entendidos e acabam gerando a falsa ideia do vinho ser algo muito difícil de avaliar e apenas para especialistas profissionais, por acreditarem que é algo muito sofisticado, criando uma nuvem nebulosa sob a cabeça dos iniciantes na bebida de Baco.

Para descomplicar as coisas vamos desmistificar alguns conceitos que “enochatos” gostam de proclamar:


● OS MELHORES VINHOS SÃO OS CAROS - O dinheiro é algo que sempre pesa nas nossas escolhas. Assim, muitas vezes nem pensamos em comprar vinho por achar que apenas os caros que são bons.

Mas isso é uma grande mentira! Existem muitos rótulos acessíveis que estão constantemente em listas de melhores vinhos.

É claro que as colheitas mais raras e as produções mais demoradas são as que geralmente são mais caras. O que nem sempre é receita para um bom resultado. O jeito, então, é pesquisar uvas boas e marcas baratas já consolidadas no mercado, e aproveitar um bom vinho gastando pouco. Leve em conta o seu gosto e o seu bolso!


● VINHO É UMA BEBIDA CHIQUE E CHEIA DE REGRAS PARA BEBER - Essa é uma das maiores mentiras sobre o vinho e que impedem muito as pessoas de beber. Não é preciso ser um grande entendedor de vinho para bebê-lo.

Para decidir seu gosto, tudo o que você precisa é experimentar e descobrir o que você gosta, sem se importar com as “normas” de especialista se você quer apenas beber.

Aproveite o momento, faça dele motivo de encantamento e prazer! O vinho serve pra inúmeros momentos e não precisa de ocasiões chiques e especiais para ser saboreado. Saboreie uma taça de vinho e veja como o pôr do sol fica mais lindo, ou uma noite mais estrelada!


● VINHO DÁ MUITA RESSACA - Mais um mito que assusta as pessoas sobre essa bebida. Consumindo com moderação, o vinho não irá causar ressaca.

Essa é, inclusive, a regra para todas as bebidas alcoólicas. Mas se você tem sensibilidade para a ressaca, uma boa dica é evitar vinhos muito doces.

Outro conselho que damos também é intercalar as taças de vinho com copos d’água. Se hidratar nunca é demais e vai te ajudar a prevenir a ressaca. Pronto, agora você já pode largar o medo e saborear seu vinho tranquilamente!


● VINHO ENGORDA - Vinho não possui um rótulo com informações nutricionais, isso por ser uma bebida, e não um alimento. Por isso, é difícil comprovar com certeza se ele engorda ou não. Mas ele é uma bebida produzida a partir da fermentação natural da uva - ou seja, não tem muitos elementos não naturais. Especialistas afirmam que as calorias podem variar de 110 a 330 em uma taça de 170 mL.

Se você está realmente preocupado em engordar, os mais indicados são os vinhos brancos, que geralmente contêm menos calorias. E, claro, o segredo também está sempre na quantidade que você beber. Beba com moderação!

E vale aquela boa lembrança, o que às vezes está engordando é o que você come enquanto saboreia uma boa taça de vinho!


● APENAS VINHOS FEITOS COM UM TIPO DE UVA SÃO BONS - Os especialistas garantem que não é preciso que um vinho seja feito somente de um tipo de uva (Malbec ou Cabernet Sauvignon, por exemplo) para que seja bom.

A mistura de mais de um tipo de uva (chamada de assemblage, ou corte) pode, sim, render ótimos vinhos resultando em bebidas super harmoniosas e elegantes.

Um dos melhores exemplos de vinhos de misturas de uvas são os Champagnes (em geral uma mistura de Chardonnay + Pino Noir + Pinot Menieur) e os Bordeaux (mistura de Cabernet Sauvignon + Merlot + Cabernet Franc).


● O VINHO BRANCO É EXCLUSIVAMENTE PRODUZIDO COM RECURSO A UVAS BRANCAS - O vinho branco também pode ser produzido a partir de uvas tintas. Serão uvas tintas preferencialmente não tintureiras, e não devendo a pele (ou casca) entrar em contacto com o mosto.

Explicando melhor: Nem sempre se faz vinho branco apenas de uvas brancas. É possível fazer vinho branco com uvas tintas, basta fermentá-las sem a casca (pois é ela quem dá cor ao vinho).

Espumantes, principalmente Champagnes, são belos exemplos de vinhos brancos que levam uvas tintas. Mas vale lembrar que algumas uvas, como a Alicante Bouschet, são conhecidas por ter a polpa e o suco já tintos (por isso também são chamadas de uvas tintureiras), enquanto a maioria das uvas tem polpa e suco branco.


● O VINHO ROSÉ OBTÉM-SE ATRAVÉS DA MISTURA DE VINHO TINTO E VINHO BRANCO - O fato é que o vinho rosé é produzido a partir de uvas tintas. Por que ele fica com essa cor rosada? Isto acontece porque existe pouco contacto com as películas das uvas no processo de produção. Os vinhos rosés podem ser produzidos a partir de vários métodos:

♦ Método de prensagem direta - Nesse método, as uvas tintas são prensadas delicadamente (tal como na produção de vinhos brancos) permitindo que o mosto (suco) seja levemente colorido pelos pigmentos das cascas. Depois, ele segue para fermentação em branco (sem as cascas). Costuma resultar em vinhos delicados e de cores muito claras.

♦ Método de maceração curta - Aqui os vinhos seguem a forma de produção dos tintos, porém, as cascas ficam em contato com o mosto (maceração) por curto período de tempo, horas geralmente. Esse processo pode ocorrer antes da fermentação (maceração pré-fermentativa) ou durante a fermentação, com as cascas sendo, então, separadas do mosto que segue com a fermentação em branco.

♦ Método de sangria - É o método no qual as uvas tintas seguem o processo de produção de vinhos tintos. Porém após certo período de maceração com o líquido tendo atingido uma coloração rosada, parte do mosto é separada e segue para fermentação em branco, e o restante do mosto que ficou no tanque com as cascas segue a fermentação para resultar em um tinto. Resulta em um rosé mais escuro, mais alcoólico e com mais corpo. Muitos o consideram um subproduto do vinho tinto.

♦ Método de corte - Esse é aquele em que literalmente se mistura uma parte de vinho tinto a um vinho branco. Países como a África do Sul e Estados Unidos, por exemplo, permitem essa técnica, que é proibida na Europa. Esse é justamente o método ao qual muitos atribuem resultados de má qualidade, contudo, se pensarmos na quantidade de variedades de uvas que existem, abre-se um número enorme de possibilidades.

Sempre vale lembrar que a qualidade de um vinho se deve muito à qualidade da matéria-prima e às escolhas de quem o produz, sendo assim qualquer método de produção poder resultar ou não em algo satisfatório.

♦ Método de cofermentação - Utilizado em raros casos (rosados da D.O. Cigales, por exemplo), consiste em misturar uvas tintas e brancas fermentando-as em conjunto. É um método que oferece certa dificuldade de controle sobre os resultados.

Independente da forma de fazê-los, os rosés , em que não é obrigatório a menção do método de produção, têm ganhado espaço em todo o mundo, sendo produzidos em diversos países e regiões, além daquela que é para muitos a maior referência em vinhos rosés, a Provence, na França. Uma região única em que cerca de 89% de todo vinho produzido é rosé.


● O VINHO TINTO DEVE SER SERVIDO À TEMPERATURA AMBIENTE - Cada vinho tem a sua temperatura ideal. O mais simples, a memorizar, para fazer sempre uma escolha acertada é: quanto mais simples e fresco o vinho é, mais frio deve ser servido. Ao passo que, quanto mais complexo e sofisticado, mais temperado deve ser apresentado. Este é apenas o primeiro dos 10 maiores mitos sobre o vinho.

O importante é definir o estilo do vinho antes de poder determinar sua temperatura.

♦ Podemos tomar esta tabela como referência:

Brancos frescos: entre 7° e 9° C.

Brancos com corpo: entre 10° e 13° C.

Tintos simples: entre 14° e 16° C.

Tintos com corpo: entre 16° e 18° C.

Grandes vinhos tintos: entre 18° e 20° C.


● SIRVA OS VINHOS BRANCOS GELADOS E OS TINTOS A TEMPERATURA AMBIENTE - Os vinhos, tal como mencionávamos no ponto acima, têm diferentes temperaturas de serviço recomendadas e as suas máximas estão entre 7° e 20° C.

Há que ter muito cuidado ao usar habituais champanheiras, frapés, baldes de gêlo. Um vinho demasiado gelado pode fazer com que este não ‘abra’ o suficiente, não se expresse na plenitude das suas capacidades. Por outro lado, um vinho demasiado quente pode evaporar e tornar-se e alterar a sua estrutura.


● O VINHO DEVE SER ABERTO MEIA HORA ANTES DE SERVIR - É verdade que os vinhos requerem oxigenação, tanto os tintos jovens como os tintos mais envelhecidos e complexos. O ideal é que todos fossem decantados antes de servir. O gargalo da garrafa, por ser estreito, não satisfaz a necessidade de entrada de ar, para conseguir que os aromas se revelem. Pelo menos não tanto quando o desejável.

Ou seja, não é por abrir uma garrafa meia hora antes que ele vai ter melhor contacto com o ar. Se é por esse motivo, deve decantar o vinho para conseguir explorar ao máximo os aromas do vinho.


● DECANTAR MELHORA O VINHO - Muita gente pensa que o decanter é apenas mais um acessório que quase todo “enochato” gosta de usar para chamar a atenção, mas a verdade é que essa espécie de jarra de pescoço alongado ajuda (e muito) a mostrar as melhores características do vinho.

Basicamente, o decanter expõe o vinho à oxigenação, responsável por acelerar a maturação (ou envelhecimento) da bebida, e esse processo deixa os aromas mais fortes, os taninos mais suaves e o álcool menos acentuado.


● HARMONIZE VINHO TINTO COM CARNE E VINHO BRANCO COM PEIXE - Apesar de ser verdade que é complicado encontrar muitos casamentos harmônicos entre Vinhos Brancos e carnes vermelhas, os Tintos podem ser, muito facilmente, harmonizados com peixe, podemos lembrar que toda regra tem exceções.

Muitas pessoas vão sugerir que você nunca combine vinhos tintos com peixes, pois o tanino (presente na maioria dos tintos) e a carne de peixe, combinados, formam um gosto desagradável e meio metálico na boca.

Isso é verdade, mas tanto o mundo dos vinhos quanto o mar de peixes são muito grandes para não haver combinações possíveis. Peixes mais untuosos e encorpados (como o bacalhau ou o salmão) podem harmonizar facilmente tintos de taninos leves, como os Pinot Noirs da Borgonha ou os Gamays de Beaujolais.

O bacalhau é um bom exemplo de harmonização com vinho tinto. Escolha um tinto Alentejano (por exemplo) de bom corpo para harmonizar com Arroz de Polvo, por exemplo. O Tinto não se limita na carne vermelha, assim como o branco não acompanha apenas peixe e marisco.


● OS MELHORES VINHOS ESTÃO NAS GARRAFAS MAIS PESADAS E ROBUSTAS - Uma garrafa robusta significa apenas que o produtor investiu na garrafa do ponto de vista de marketing ou percepção do produto. Esse investimento vai-se traduzir, forçosamente no preço do vinho. Mas a garrafa robusta conjugado com um preço mais alto, não faz do conteúdo da garrafa melhor ou pior.

Por outro lado, é óbvio que um produtor investirá numa boa garrafa para os seus melhores vinhos. Ou seja, há bons e maus vinhos em garrafas robustas. Interessa não tomar decisões precipitadas na escolha de um vinho. Se nós sabemos que esse é um dos critérios que nos faz comprar vinho, os produtores também.


● UM VINHO COM A INDICAÇÃO ‘DOC’ É SUPERIOR A UM VINHO COM A INDICAÇÃO “REGIONAL” - Para entendermos este mito temos de saber o que é a denominação DOC e Regional.

DOC- (Denominação de Origem Controlada) significa que o vinho foi produzido exclusivamente com castas recomendadas e autorizadas para a região em questão. Ao passo que o vinho Regional foi produzido com castas não recomendadas ou autorizadas para a região em causa.


● OS MELHORES VINHOS SÃO AQUELES QUE CONTÊM NO RÓTULO PALAVRAS COMO ‘COLHEITA SELECIONADA’, ‘SELEÇÃO ESPECIAL’, ‘GARRAFEIRA’ OU ‘RESERVA’ - Isso não tem qualquer importância sem que leve em conta a origem do vinho. Estas designações servem apenas para que este mito exista. Apenas as palavras ‘Reserva’ e ‘Garrafeira’ têm um valor normativo em Portugal, como exemplo - identificam vinho como um estágio mínimo em barricas e em garrafa.

O fato de um vinho estagiar mais ou menos em garrafa não determina por si só a qualidade de um vinho.


● QUANTO MAIS VELHO MELHOR - Vinho não tem prazo de validade? Quanto mais tempo guardar um vinho, melhor ele fica? Vinho velho é que é vinho bom?

“Quanto mais velho, melhor” é um dos mitos mais falsos associados ao vinho. Cerca de 90% dos vinhos nas prateleiras dos mercados do mundo inteiro é para pronto consumo e apenas o restante é para guarda.

Pesquisas de mercado feitas na Inglaterra e nos Estados Unidos mostram que 2/3 do vinho vendido em supermercados é para consumo em 48 horas após a compra. Por outro lado, as mesmas pesquisas mostram que 2/3 do vinho nestes países é vendido em supermercados, o que poderia indicar que 45% dos vinhos vendidos em geral tem consumo muito rápido, o que também sugere que o mercado principalmente compra vinhos mais acessíveis e que não se prestam para a guarda, porque o foco está na fruta. São vinhos sem maiores complexidades e para serem bebidos jovens.

Além disto, o vilão, no caso dos vinhos, nem é o tempo, mas o ar – o oxigênio, em contato com certas substâncias do vinho, inicia uma série de reações químicas que levam a sua oxidação.

Então, tudo tem a ver com a combinação de oxigênio, corpo, tanino e acidez de um vinho. É preciso ser um vinho muito estruturado para aguentar mais do que cinco anos evoluindo e, na verdade, nem 30% dos vinhos que vemos no mercado melhoram com o tempo.

A recomendação para a maioria das garrafas de vinhos em circulação é de abrir nos primeiros anos de vida. A regra geral (com as devidas exceções) é de 3-5 anos para os tintos e 2-3 anos para os brancos. Isto quando a garrafa é corretamente conservada, ou seja, deitada, em lugar fresco e ao abrigo da luz. Caso contrário este prazo pode se reduzir ainda mais.

A grande dica neste sentido é não ficar esperando o tal do momento certo ou aquela ocasião especial: abra sua garrafa quando tiver vontade e seja feliz. Na dúvida é melhor beber um vinho ainda não pronto que um já passado do ponto.


● SÓ VALE A PENA GUARDAR VINHOS TINTOS - Alguns vinhos brancos – champagnes, Sauternes, Reislings e alguns vinhos brancos secos ou envelhecidos – são tão bons para guardar e envelhecer em garrafa quanto os tintos. Envelhecem muito bem em garrafa e revelam todo o seu encantamento ao longo de anos.



● ROLHA DE CORTIÇA É MELHOR QUE SCREW CAP - Enquanto os vinhos da Austrália são fechados com screw cap desde os anos 1970 e 80% dos vinhos da Nova Zelândia também, a maior parte do mundo ainda tem preconceitos com o lacre de alumínio.

Mas sabia que, apesar de não ser hermeticamente lacrado, o screw cap separa mais ar do vinho do que as rolhas convencionais, o que contribui para a preservação dos aromas e sabores do vinho (além de ser mais barato). Principalmente para os vinhos que são bebidos jovens, é o tipo de tampa mais indicado.


● COZINHAR COM VINHO NÃO DEIXA ÁLCOOL NA COMIDA - Que o álcool é volátil, todos sabemos. Mas, quando misturado à água, a solução evapora em partes iguais. Se sobrou resíduo líquido, então é certo que haverá algum álcool na mistura. A quantidade depende do tipo de preparo e tempo de cocção. Só para se ter uma ideia, algo flambado mantém 70% do álcool, e um cozido pode conter até 80%! Mesmo as receitas mais longas, como um boeuf bourguignon, que fica entre duas e quatro horas no fogão, não têm menos do que 5% de álcool.


● SE TEM BOLHAS É CHAMPAGNE - Todo Champagne é um espumante, mas o inverso nem sempre é verdade. Champagne é uma denominação de origem com região demarcada e uvas regularizadas. Apenas os espumantes produzidos na província histórica de Champagne, lá na França, são de fato Champagnes.


● É ESPUMANTE OU É FRISANTE - Para entender a diferenciação entre um vinho e o outro, é preciso relembrar o processo de fermentação das bebidas alcoólicas. Essa fermentação acontece no processo de quebra das partículas de açúcares, sendo os responsáveis pelo processo os microorganismos e leveduras presentes nas bebidas. O resultado da quebra desses açúcares é a produção de gás-carbônico, característicos dos espumantes e frisantes.

Os espumantes são produzidos em duas fases de fermentação. A primeira delas, o chamado Vinho Base, ainda não possui quantidade significativa de gás-carbônico, que é obtido somente na segunda fase do processo de fermentação. Existem dois métodos de produção dos espumantes, o Champenoise e o Charmat:

♦ Champenoise: a 2ª fase da fermentação do vinho ocorre dentro da própria garrafa.

♦ Charmat: diferente da Champenoise, a 2ª fase de fermentação do vinho acontece em tanques de aço inoxidável.

Ao final da produção, o vinho fermentado e já com o gás-carbônico já diluído, recebe uma mistura chamada Liqueur d'expedition, responsável pela classificação do espumante em brut ou demi sec.

Já o vinho frisante passa por apenas um processo de fermentação, sem a presença do vinho base, dando origem ao tom alcoólico da bebida. A obtenção das bolhas de gás-carbônico acontece tanto de maneira natural, quanto artificialmente. Devido às diferenças na produção, o frisante apresentará uma quantidade menor de gás quando comparado ao espumante.

A diferença entre os dois vinhos também se dá no teor de álcool nele encontrado. Os frisantes, normalmente, apresentam graduação alcoólica menor, aproximadamente 7%, enquanto os espumantes variam de 9,5% a 12%.

Quanto as denominações de origem, os espumantes do tipo Champagne são, sem dúvidas, os mais famosos mundialmente. E só pode receber essa denominação aqueles que forem produzidos na região de Champagne, na França, dentro de um processo de fabricação específico. Outra denominação recebida pelos espumantes é a Cava, produzido na Espanha, e o Prosecco, produzido na Itália.

Como vimos, as diferenças entre vinhos frisantes e espumantes é bem delineada. Enquanto os espumantes apresentam grande quantidade de gás-carbônico, os frisantes possuem menos. O volume alcoólico também é diferente entre as bebidas, sendo os espumantes com maior porcentagem.


● VINHO VERDE É VERDE, VINHO DO PORTO É FEITO NO PORTO - Nem uma coisa nem outra. Ambos os nomes se referem a denominações de origem. Vinho Verde fica em Portugal, às margens do Minho, e os vinhos produzidos lá recebem esse nome (seja tinto, branco ou rosé… menos verde!).

E o tão famoso Vinho do Porto, na verdade, é produzido no Douro. Ficou assim conhecido por ser o primeiro vinho de Portugal a ser exportado e, portanto, passava um bom tempo no Porto aguardando as embarcações para serem despachados para os países importadores.


● VINHO DOCE LEVA AÇÚCAR - São vários os tipos de vinhos doces: fortificados, de colheita tardia, ou aqueles que são botrytizados… Mas uma coisa é certa: nenhum deles leva adição de açúcar – a doçura que se sente no paladar vem da própria uva (é o açúcar residual, ou seja, que não foi transformado em álcool durante a fermentação).

Em um dos tipos de colheita tardia mais tradicionais que existe, quando a uva não é colhida depois de já estar madura ela fica vulnerável ao ataque de um fungo, chamado Botrytis cinerea. O micro-organismo perfura a pele da fruta e a desidrata, fazendo com que ela perca água, mas concentre mais açúcares. Isso faz com que essa uva produza um vinho adocicado, mas equilibrado com a acidez. Esse processo é denominado “podridão nobre”, origem dos mais famosos vinhos de sobremesa da região de Bordeaux: o Sauternes e o renomado vinho húngaro Tokaji. As uvas mais utilizadas nesse tipo de produção são Riesling, Furmint, Sauvignon Blanc, Semillon e Gerwürztraimer.

Os vinhos suaves, esses simples que vemos nos mercados? Eles, sim, têm açúcar, e por isso acabam não entrando na categoria dos vinhos finos.


● VINHO PODE SER FEITO DE UVAS CONGELADAS - Outro processo de colheita tardia ocorre também em países mais frios. As uvas são colhidas no período de temperaturas mais baixas, quando já estão com os bagos congelados. Esse congelamento natural também provoca maior concentração de açúcares, já que somente a água congela, os demais elementos sólidos não.

O resultado desse tipo de produção é também um vinho com maior teor de açúcar e mais alcoólico. Entre os países que mais utilizam essa forma de produção estão Estados Unidos, Canadá, Áustria e Alemanha.


● ACIDEZ É A MESMA COISA QUE AZEDO - A acidez, assim como o tanino e o álcool, tem grande importância no conjunto e estrutura de um vinho. Ela indica a vivacidade e o frescor de um vinho, e é muito comum encontrar vinhos brancos ácidos com notas de limão, mas acidez e azedume não têm muito a ver.

A acidez de um vinho se nota pela saliva que se forma à boca – quanto mais te fazer salivar, mais ácido é. Como base, coisas azedas serão, na maioria das vezes, ácidas; mas coisas ácidas, muitas vezes, não são azedas.


● SÓ VINHO TINTO TEM TANINO - A maior parte dos taninos estão na casca e nas sementes das uvas, e como os vinhos brancos são fermentados sem a casca da uva (para continuarem brancos e por outros motivos mais), acabam não apresentando a sensação adstringente que um vinho tinto passa.

Mas como existem taninos nas sementes e engaços, e até dentro da própria uva, então, tenha certeza que um vinho branco que tenha sido fermentando com sementes e/ou engaços também terá tanino, e existem rótulos que mostram isso bem fortemente.


● VINHO MANCHA - São vários os mitos da mancha – leite mancha, café mancha, molho shoyu mancha… Pois é, infelizmente, vinho realmente mancha.

Pense na uva, ela mancha as mãos, os dentes e tem o poder de deixar um líquido roxo, bem roxo. A “tinta” de um tinto é realmente forte, utilizada até para pinturas na antiguidade. É por isso que ela penetra com força nas linhas de uma roupa ou tapete. Mas fique calmo, tem formas de amenizar esse acidente.

Ao derramar vinho tinto no tecido, use vinagre branco na mancha. Retire o excesso do líquido com guardanapo de papel, despeje um pouco de vinagre branco por cima novamente, e retire o excesso com o guardanapo, enquanto a mancha some. Em seguida, se puder, lave a peça com água e sabão.

Uma outra forma para ser mais efetivo é a seguinte: faça uma solução com 3 partes de vinagre e uma de água morna. Despeje o líquido sobre o tecido e deixe agir de 10 a 15 minutos. Depois disso, lave a sua roupa normalmente.

Há ainda a solução de usar o bicarbonato de sódio, que é famoso por tirar manchas mais facilmente. E com o vinho, não é muito diferente. Basta aplicar o ingrediente diretamente na área manchada do tecido, deixar agir por alguns minutos e depois lavar normalmente.


● PARA FAZER BOM VINHO, AS UVAS SÃO AMASSADAS COM OS PÉS - Uma das práticas mais tradicionais do processo de vinificação é a pisa das uvas.

Apesar de ser um costume arcaico, considerado muitas vezes antiquado, a prática ainda existe em algumas vinícolas pequenas, principalmente de Vinho do Porto.

Uma vez esmagada, a polpa da uva se separa da casca e caroço, dando origem ao mosto que será fermentado. Os mais tradicionais acreditam que amassar as uvas com os pés proporciona melhor qualidade à bebida. Em vinícolas seculares, a pisa só é feita para os melhores rótulos da casa!


● O SEDIMENTO QUE SE FORMA NO FUNDO DAS GARRAFAS É CORANTE - Algumas pessoas acreditam que o sedimento que se deposita no fundo da taça é algum tipo de corante artificial agregado à bebida artificialmente.

A borra, resíduo, sedimento ou poeira, é resultado da polimerarização de substâncias encontradas no vinho. Isso significa que micro partículas se juntam, colam e formam uma partícula maior, mais pesada, que tende a afundar. Assim como quando um suco fica parado por algum tempo, o líquido separa do sólido e percebemos duas consistências diferentes no copo.

A uva possui corantes naturais, contidos na casca. Esses corantes polimerizam e podem formar borra. Vinhos de guarda normalmente possuem borra. Pense que as garrafas ficaram por anos deitadas, descansando.

Parte do processo de fabricação do vinho é sua filtragem, no final da fermentação e antes do engarrafamento. Alguns vinhos com tendências mais “naturebas”, não são filtrados; o que aumenta a incidência de borras.

Então, por mais que não represente nenhum tipo de problema ou falta de qualidade, sabemos que a última taça da garrafa pode trazer essa “sujeirinha” que não é tão agradável de tomar. Para evitar que isso aconteça, sugerimos utilizar o decanter em garrafas com mais de 7 anos de idade e deixar os últimos mililitros para trás.

Ao servir, evite chacoalhar muito a garrafa para que esses sedimentos fiquem no fundo!


● A FRANÇA É O MAIOR PRODUTOR DE VINHOS - Na verdade, a França, berço tradicional do vinho, não é nem o país que mais produz nem o que mais consome vinho. Ela fica em segundo lugar nos dois rankings, mas os campeões são outros. A Itália é a maior produtora do mundo nos últimos anos. Já os Estados Unidos são os maiores consumidores, quase 12% do consumo mundial de vinho (a França responde por 10,4%)!


● REGIÃO QUENTE NÃO FAZ VINHO DE QUALIDADE - Dizem que uva precisa de frio para ficar boa, mas ela também precisa de sol para amadurecer. Aí, é fácil pensar na Europa e seus países frios, mas iluminados pelo sol. Realmente, são ótimos terroirs, mas o que faz bem mesmo para as vinhas é a amplitude térmica – dias quentes, noites frias, eis o ideal.

Então, por que é possível fazer vinhos em lugares quentes, secos, desérticos como Washington (Estados Unidos), Barossa Valley (Austrália) ou Vale do São Francisco (Brasil)? São países que fazem muito calor no verão, e um frio mínimo necessário no inverno, mas o que mantém a produção mesmo são as terras áridas – com solo pobre em nutrientes, mas super fértil, só precisa de uma boa irrigação para dar bons vinhos (claro que muitas vinhas morrem no caminho, mas as que sobrevivem se potencializam).


● SÓ NO BRASIL HÁ VINHO DE MESA - Acha que vinho de mesa, ou esses de garrafão feitos com uvas não viníferas (feitas para consumo “em mesa”, e não para a produção de vinhos), só existem no Brasil?