• Marcio Oliveira - Vinoticias

“O CONSUMO DE VINHO E O TAMANHO DA TAÇA”

Sabemos que as porções médias de comida consumidas ao longo tempo foram aumentando observando com mais cuidado os detalhes de pinturas de cenas de mesas ao longo do tempo. Comecei a me perguntar, a partir desta contestação, se o consumo de vinho também aumentou conforme o tamanho da taça?

Na Inglaterra, o volume de taças de vinho aumentou seis vezes desde o início do século XVIII. Seguiu-se o mesmo com o consumo de vinho. Simples coincidência ou consequência?

Entre 1700 e hoje, o volume médio das taças aumentou gradativamente de 70 para 450 mililitros. Vários estudos já demonstraram que o tamanho do prato influencia a quantidade de alimentos ingeridos. Existe tal ligação entre o tamanho dos copos e o consumo de vinho? "É possível", dizem pesquisadores da Universidade de Cambridge que, pela primeira vez, examinaram a questão. Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), relata trabalhos inusitados. Isso mostra que o volume médio de taças de vinho na Inglaterra aumentou seis vezes entre 1700 e 2017. Um aumento está correlacionado ao consumo de vinho, que tem aumentado constantemente na Inglaterra, especialmente no século XX.


Os cientistas começaram medindo a capacidade de mais de 400 taças de vinho, feitas entre 1700 e hoje. Nesse período, o volume médio dos copos aumentou gradativamente de 70 para 450 mililitros. Ao longo do século 18, o tamanho das taças permaneceu bastante modesto. Segundo os pesquisadores, essa estagnação pode ser explicada pelo "imposto do vidro", imposto instituído em 1746 na Inglaterra que cobrava dos fabricantes uma quantia proporcional ao peso do vidro vendido. Esse imposto foi abolido em 1845. O tamanho dos copos começou realmente a aumentar, antes de sofrer um aumento meteórico desde os anos 1990. Quanto ao consumo de vinho, aumentou oito vezes desde o início dos anos 1960.


No entanto, os pesquisadores tiveram o cuidado de não generalizar seus resultados. “Não sabemos se os copos que escolhemos são representativos de sua época”, explicam, ressaltando que não conseguiram obter os dados de venda dessas taças. "Também não sabemos se as tendências que vemos na Inglaterra são verdadeiras em outros países."


Além disso, os pesquisadores também não se aventuram a estabelecer formalmente um vínculo causal. “Não podemos afirmar que o aumento do consumo de vinho na Inglaterra se deve ao aumento do tamanho do copo, alertam os pesquisadores. Também não podemos dizer que a redução do tamanho dos copos reduziria o consumo de álcool. Mesmo assim, nossas observações chamam a atenção para uma questão que precisa de um estudo mais aprofundado".


Outros fatores também contribuíram para o aumento do consumo de vinho, como apontam os cientistas. Os preços mais baixos, a disponibilidade em supermercados e também a publicidade contribuíram amplamente para esse fenômeno.


Na Inglaterra, o vinho é geralmente servido em copos de 250 mililitros, que é um terço do volume de uma garrafa padrão. Taças pequenas de 125 mililitros costumam faltar nos restaurantes e bares. Em conclusão, os autores do estudo se propõem a regular o tamanho dos copos e incentivar os produtores de vinho a diversificar o tamanho de suas garrafas.


Alguns relatos históricos indicam o francês Jules Chauvet como o criador da taça conhecida atualmente como ISO. Esse químico, vinicultor e grande degustador realizou diversas experiências, entre elas, o desenvolvimento desta taça. Chauvet também estipulou possíveis medidas e capacidade de volume total, além da quantidade de vinho ideal a ser servido para realçar as percepções aromáticas do vinho.


No mundo do vinho, encontramos uma grande diversidade de taças disponíveis, que se diferem no tamanho, no formato, na composição e até na especificidade para determinadas uvas e vinhos como, por exemplo, os elaborados nas regiões de Bordeaux e Borgonha.


● Existem basicamente três opções de materiais para as taças: de cristal, cristal de vidro ou vidro. A diferença entre elas é a presença e o teor de chumbo, metal utilizado em sua produção. A de cristal tem até 24% de chumbo, o cristal de vidro vem com cerca de 10% e o vidro não tem. O chumbo dá mais leveza, delicadeza e sonoridade, além de fazer com que a espessura da taça seja mais fina. As taças de cristal também são mais porosas. Esse fator também é positivo, pois, ao girarmos um vinho enquanto o degustamos, forçamos as moléculas contra a parede áspera, quebrando-as e, desse modo, obtendo grande concentração de aromas. Por fim, em 2006, foram lançadas as taças "inquebráveis", feitas de um material chamado Kwarx, pela Mikasa, Schott Zwiesel e outros.


Existe uma prova bastante clara sob outro aspecto importante na degustação de vinhos, que o tamanho da taça afeta na melhor percepção das qualidades do vinho. Experimente provar um bom vinho numa taça do modelo degustação (chamada de taça ISO) e depois coloque o mesmo vinho numa taça maior. Em geral, o vinho ganha em intensidade. Isto de certa forma explica porque em alguns restaurantes, quando se pede um vinho melhor, geralmente as taças na mesa são trocadas por outras maiores....


Reconhecida como ISO 3591:1977, essa taça deve ser transparente, lisa e composta por cristal com, no máximo, 9% de chumbo. Sua estrutura com haste e base possui uma abertura mais estreita, com 4,6 cm, em relação a parte mais convexa que mede 6,5 cm. A altura possui 15 cm, divididos entre 10 cm de corpo e 5 cm de haste e base.


Mesmo com capacidade para cerca de 220 ml, o ideal é servir cerca de 50 ml de vinho, pois assim o líquido tem espaço para o movimento circular de agitação, o que proporciona o desprendimento dos aromas devido ao contato com o oxigênio. Esse volume também permite chegar o nariz mais próximo do interior do bojo da taça, local de maior concentração dos aromas.


Saúde!!! (artigo escrito a partir de informações disponíveis na internet).