• Marcio Oliveira - Vinoticias

“OS VINHOS DO ROUSSILLON”

Aproveitando a dica de Jorge Lucki sobre “vinhos fora do radar”, vamos comentar algumas regiões menos conhecidas no Mundo do Vinho, começando pelo Roussillon.

Como o Languedoc, a região do Roussillon oferece muitos vinhos tintos ricos em álcool e vinhos locais de boa qualidade. No entanto, distingue-se do vizinho pela produção de vinho doce natural de elevada qualidade.


O Roussillon passou por mudanças qualitativas muito positivas por duas décadas. Numa vinha que produz muitos vinhos com elevado teor alcoólico e pouco interessante, detectou-se um potencial qualitativo sob a liderança de alguns produtores, nomeadamente de vinhos doces naturais.


Os vinhos tintos se destacam enquanto os brancos e os rosés ficam para trás. Os vinhos tintos devem ser bebidos cedo (jovens), quando de certa forma a percepção da fruta está mais intensa. Entretanto, para alguns críticos, um pouco de guarda pode intensificar suas notas mediterrâneas de garrigue (vegetação típica local, constituída por arbustos, maquis e gramíneas principalmente localizadas entre o fim das planícies costeiras da região e o começo da área de montanhas) e especiarias, desde que sejam maturados moderadamente em carvalho.


Vale chamar a atenção para a grande qualidade de alguns vinhos doces naturais: muscats ou vinhos grenache, como rivesaltes, maury e banyuls. Ignorados muito injustamente, sofrendo de uma imagem velha e negativa, que considerava parte destes vinhos de forma imprecisa como um “vinho cozido”, servindo para aperitivo barato. Mas, estes vinhos com uma excelente relação qualidade / preço merecem uma prova para seu conhecimento.


AS DENOMINAÇÕES DA VINHA DE ROUSSILLON


♦ Côtes du Roussillon, Côtes du Roussillon-Villages: a qualidade geral da produção de vinho é heterogênea. Quando têm sucesso, os vinhos tintos são sólidos, evitando o excesso de álcool. Os mais distintos vêm das vinhas velhas de Grenache e Carignan. Vale a pena prestar atenção em alguns vinhos brancos (predominantemente Grenache Gris e Blanc) produzidos em áreas de calcário ao norte dos Pirenéus Orientais (Fenouillèdes).


♦ Collioure: vinhos tintos, brancos e rosés secos. Equilibrados e razoavelmente finos, os vinhos tintos estão progredindo, mas ainda são frequentemente muito secos e caros em comparação com o nível da qualidade. Os vinhos brancos Grenache Blanc e Gris têm potencial.


♦ Banyuls, Banyuls Grand cru: excelentes vinhos doces naturais feitos a partir da Grenache. Existem dois estilos distintos: os vinhos tradicionalmente envelhecidos em cascos durante vários anos, daí a sua cor âmbar e soberbas notas de rancio, e os "vintages", mais coloridos e aromáticos com muitos aromas e sabores de frutas escuras.


♦ Rivesaltes: vinhos doces naturais feitos de Grenache, de maior produção e de qualidade mais heterogênea do que em Banyuls. Os melhores produtores, entretanto, oferecem excelentes rivesaltes tradicionais, muito longe de alguns dos rótulos à venda nos supermercados.


♦ Muscat de Rivesaltes: quando conseguem manter uma certa frescura na boca, são vinhos amplos e aromáticos, deliciosos para harmonizar com sobremesas baseadas em fruta.


♦ Maury: vinhos doces naturais do sopé dos Pirenéus, feitos de Grenache. As safras de muito bom nível estão se tornando cada vez mais numerosas nesta denominação homogênea.


VINHOS PAYS DE ROUSSILLON


A tradução mais correta para o termo “pays” é área vinícola determinada e não país, que poderíamos entender pela similaridade fonética com o português. Essa categoria é muito heterogênea: os melhores vinhos, infelizmente, costumam ficar lado a lado com os piores. Reúne vinhos que não beneficiam de denominação de origem controlada, seja porque as suas práticas de cultivo não cumprem as normas estabelecidas para a denominação, seja porque não são produzidos em zona AOC. Para contornar a proibição de vinificação aplicada a certas variedades de uvas muito difundidas (cabernet, chardonnay, etc.) e não sofrer com a má reputação de certas denominações locais, muitos produtores foram levados a se dedicar aos vinhos locais. Assim, não é raro que a qualidade dos vinhos Roussillon supere a de certos vinhos da vinha com denominação de origem controlada.


O jeito é provar e anotar o nome do produtor se você tiver gostado do vinho.


Aproveite para comentar se gostou ou não!!! Saúde!!! (baseado em artigos disponíveis na internet)