top of page
  • Foto do escritorMarcio Oliveira - Vinoticias

“PERFUME DE CHIANTI – PARTE 2”

Dando continuidade ao artigo que escrevi sobre este tradicional vinho da Toscana, vale a pena conhecer as lendas que o cercam.

Por decreto ministerial de 1932, a zona do Chianti compreende o entorno de Florença, como as colinas de Chianti, o vale de Elsa e Siena. São sete denominações. A região do Chianti Classico é a de maior destaque, formada por nove comunas: Castellina in Chianti, Gaiole in Chianti, Greve in Chianti, Radda in Chianti, Barberino Val d´Elsa, Castelnuovo Berardenga, Poggibonsi. San Cassiano in Val di Pesa e Tavamelle Val di Pesa.


O alinhamento com a Comunidade Europeia foi fator decisivo para a retomada da produção de vinhos de alta qualidade e o estabelecimento legal das denominações de origem, quando em 1963, o decreto 930 de 12/02 introduziu um sistema que assinalava uma divisão clara entre os vinhos considerados “de mesa” e aqueles de maior qualidade. Com esta lei, criou-se a sigla de VQPRD (Vino di Qualitá Prodotto in Regione Determinada).


A partir da safra de 1984, o CHIANTI tornou-se um vinho de Denominação Controlada e Garantida, DOCG. Com a inclusão da denominação, a quantidade de vinho no mercado diminuiu pela metade, pois alguns produtores medíocres não conseguiram produzir na qualidade mínima requerida, ainda assim a produção é imensa.


Os Chianti Classico Riserva são por lei, amadurecidos pelo menos dois anos em carvalho e envelhecidos três meses em garrafa, mas muitos produtores, em busca da excelência, trabalham seus vinhos por mais tempo. Os melhores têm corpo médio (típico da casta), e elegantes aromas de figo, ameixa, frutas compotadas e especiarias. Boa parte tem complexidade aromática, com toques oxidativos que costumam encantar quem os degusta.


Os vinhos rotulados como “Chianti” podem vir de uma vasta região na Toscana, desde o sopé das Apeninos até as planícies mais baixas e planas. Mas se você procura por vinhos que sejam as melhores expressões da Sangiovese, você precisará procurar por áreas de produção em elevações mais altas.


Para ser rotulado como Chianti, o vinho deve ser produzido na região de Chianti e feito a partir de uvas principalmente de Sangiovese. Na maioria dos casos, os produtores de vinho optam por usar completamente os sangioveses, mas em safras onde é necessário o equilíbrio, uvas nativas como Canaiolo e Colorino estão incluídas na mistura. Ocasionalmente, variedades internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah também aparecem.


Expressões mais jovens de Chianti apresentam sabores de frutas vermelhas, como groselha vermelha, framboesa ou ameixa. O tomate assado ou seco é outro descritor de degustação comum. Com a idade, Chianti desenvolve notas rústicas e terrosas, como flores secas ou pote de barro. Chianti é de corpo médio e alto em taninos e acidez, tornando-o ideal para combinações de alimentos.


Os limites originais de Chianti, onde os vinhos são produzidos em quantidades menores e os vinhos são de maior qualidade vêm do DOCG Chianti Classico. Esses vinhos tendem a envelhecer bem e os melhores vinhos do Chianti Classico serão rotulados como Riserva ou Gran Selezione.


ENVELHECIMENTO E CLASSIFICAÇÕES DE CHIANTI:


À medida que os vinhos da Sangiovese se tornam mais maduros e saborosos, perdem a cor e seus taninos suavizam. Mas apenas os melhores vinhos podem envelhecer por um longo período. Aqui estão alguns termos de rotulagem que você pode ver nos vinhos Chianti ou Chianti Classico.


- CHIANTI: envelhecido por 6 meses. Jovem, simples, azedo e fresco.


- SUPERIORE: envelhecido por um ano. Vinhos um pouco mais ousados com tanino mais suave.


- RISERVA: envelhecido por 2 anos. Geralmente, os principais vinhos de um produtor de Chianti. Normalmente, eles terão alguns aromas de carvalho, como baunilha ou especiarias.


- GRAN SELEZIONE: Gran Selezione é o mais novo e mais alto nível da designação Chianti Classico DOCG. Os vinhos Gran Selezione devem envelhecer por um mínimo de 30 meses, pelo menos três dos quais em garrafa. Essa categoria também exige que os vinhos sejam feitos inteiramente de uvas cultivadas em propriedades, e um painel de degustação deve aprovar o produto final antes de chegar ao mercado. Alguns dos vinhos mais procurados na Toscana com taninos intensos, sabores e aromas que variam de aromas secos de cereja, fumaça, balsâmico e couro.


AS ZONAS DE PRODUÇÃO:


CHIANTI CLASSICO: Região Central, demarcada por Cosimo III em 1716, com 70.000 hectares e que abrange Greve in Chianti, Barberino Val d´Elsa, Tavarnelle Val di Pesa, San Casciano in Val di Pesa (Florença) Castellina in Chianti, Gaiole, Radda, Castelnuovo Berardenga e parte de Poggibonsi (Siena).


O vinho tem que ter 80% de Sangiovese e 20% de uvas tintas (brancas excluídas do corte em 2005). Podem ser usadas no corte as uvas Canaiolo Nero, Ciliegiolo, Colorino, Foglitonda, Malvasia Nera, Mammolo, Pugnitello, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah,...


Todos os vinhos rotulados como Chianti (incluindo as variedades Classico, Riserva e Superiore) são classificados como vinhos DOCG (Denominazione Di Origine Controlata E Garantita). O DOCG é a principal classificação de vinho italiana, um selo de aprovação que significa os métodos de produção mais alta e rigorosa. As regras estritas do DOCG exigem a origem regional, variedades de uva, maturação, processos de vinificação e requisitos de envelhecimento da Chianti.


Face a possibilidade de Chiantis receberem em seu corte uvas estrangeiras como Cabernet Sauvignon, uma pergunta que vem à mente é se os Super Toscanos podem ser classificados como Chianti? Os Super Toscanos não são tecnicamente uma classificação, mas denotam um vinho da Toscana de alta qualidade que não se encaixa em uma das outras classificações porque se afastaram dos padrões tradicionais, tanto que foram chamados anteriormente de “vinhos fora da Lei”.


A uva principal usada para fazer Chianti é a uva Sangiovese. A maioria dos chianti é 100% Sangiovese, mas alguns produtores de vinho da região gostam de inovar e desafiar as expectativas, misturando a uva local tradicional com a seguinte:


- Cabernet, uma uva potente e saudável que cresce bem em todo o mundo.


- Syrah, uma uva rica e de casca escura que se originou na França.


- Merlot, uma uva de casca azulada que cria boas misturas e por conta própria.


- Trebbiano, uma uva branca italiana amplamente cultivada que produz um Chianti de corpo mais leve.


A classificação por sub-regiões, como o nome sugere, leva a área em que o vinho Chianti é produzido. São elas:


● CHIANTI COLLI FIORENTINI: Região montanhosa ao redor de Florença. Terroir muito diferente do restante da área de Chianti, porque a vinha está nos vales dos rios Arno e Pesa. Reconhecido em 1932, usa o “Marzocco” como símbolo (o leão de Florença).


● CHIANTI COLLI MONTESPERTOLI: Sub-zona reconhecida em 1997 (era parte de Colli Fiorentini). Apenas 1.600 hectares. Sangiovese deve variar entre 70 e 100%, máximo de 10% de uvas brancas e 15% no máximo entre os Cabernets.


● CHIANTI COLLI MONTALBANO: Região a Noroeste de Florença. A qualidade dos vinhos Chianti Montalbano (hoje DOCG) remonta ao final do Séc. XIII. O corte de Montalbano é Sangiovese entre 70 e 100%. Outras uvas podem somar até 30%, sendo brancas até 10%, e Cabernets (Franc e Sauvignon) até 15%. Área de 500 hectares.


● CHIANTI COLLI RUFINA: Região mais famosa de Chianti, fica a nordeste de Florença numa área de 12.483 hectares, indo desde as margens do rio Sieve (cidade de Rufina) até o sopé dos Apeninos. Vinhas estão a 500 metros acima do nível do mar enquanto o restante está na média de 300 metros. Clima com variações mais intensas. Sangiovese deve variar entre 70 e 100%, máximo de 10% de uvas brancas e 15% no máximo entre os Cabernets.


● CHIANTI COLLI ARETINI: Fica na província de Arezzo, na região do Vale do Rio Arno. A base dos vinhos é Sangiovese a 70% no mínimo. É uma das sub-zonas menos conhecidas de Chianti, com vinhos mais leves que os outros Chianti de forma geral.


● CHIANTI COLLI SENESI: Uma das sub-zonas mais significativas de Chianti, nas colinas ao redor de Siena, com três ramificações em direção a San Gimignano, Montalcino e Montepulciano. Aqui a Sangiovese tem que representar algo entre 75 e 100%. Os 25% geralmente é complementado com Cabernet Franc e Cabernet sauvignon. Até 2015, Trebiano Toscano e Malvasia del Chianti podiam entrar no corte até o máximo de 10%.


● CHIANTI COLLI PISANE: Região das colinas mais baixas e próximas do mar, e seus vinhos tendem a ser mais leves e suaves que o restante da área, próxima a Pisa. A região não é uma DOCG, mas segue a legislação geral de Chianti.


O sistema de produção italiano define principalmente a zona geográfica da denominação; as uvas e os percentuais com os quais os vinhos devem ser produzidos; o rendimento máximo das uvas por hectare; a graduação alcoólica mínima; a tipicidade dos vinhos contemplados pela região de denominação; o tempo mínimo de afinamento antes da liberação ao mercado, além de características químicas e físicas e qualidade organoléptica.

O sistema é construído nas categorias idealmente concebidas em uma “pirâmide di qualitá”, na qual está no vértice o nível qualitativo mais alto. O mercado está repleto de Chiantis, mas nem todos são bons, o ideal é garimpar, pois algumas surpresas são vinhos excepcionais. Se for possível opte pelos vinhos da região Classico, ou ainda pelos Galo Nero.

A história do vinho de Chianti é repleta de lendas, e uma delas conta que as cidades de Florença e Siena viviam brigando pelas extensões de seus vinhedos. Depois de algumas batalhas, a Igreja e o Duque Cosimo de Médici 3º - Grão-Duque da Toscana, interferiram no conflito e ficou decidido que num dia determinado, ao raiar do dia e o galo cantar, um cavaleiro sairia de Florença, armado no seu cavalo e outro sairia de Siena. Onde eles se encontrassem, seria o limite dos vinhedos de uma cidade e de outra.


Para tanto, Siena fez um concurso para escolher o galo que cantaria ao raiar do dia, escolhendo um campeão, um típico Chester, de peito inflado e espora armada. Já Florença, escolheu um galo magrinho, preto, morto de fome! Resultado: ao primeiro raio de sol, o galo de Florença cantou e o cavaleiro saiu correndo, ganhando espaço para os vinhedos serem reconhecidos como florentinos O galo de Siena, bem alimentado, depois de uma noite de folia no galinheiro, só acordou com o sol já indo alto. Quando o cavaleiro de Siena montou no cavalo e saiu na estrada, praticamente o representante de Florença já estava chegando à muralha da cidade. Oficialmente, o cavaleiro florentino estava a cerca de 12 Km de Siena. Acordo feito, resultado colhido, Siena e Florença respeitaram os limites determinados neste encontro.


Os produtores de Florença comemoram até hoje o feito, dando aos melhores produtos o “scudetto” del Galo Nero. Florença ficou com o território maior para fazer os Chianti Clássicos. Siena ficou com a denominação genérica Chianti. Si non é vero ...


Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações durante a prova dos vinhos e pesquisas).

Comentarios


bottom of page