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“PORQUE ESTÁ MAIS DIFICIL BEBER GRANDES VINHOS DA BORGONHA?”

  • Foto do escritor: Marcio Oliveira - Vinoticias
    Marcio Oliveira - Vinoticias
  • há 12 minutos
  • 6 min de leitura

A questão sempre discutida de quem é melhor entre Bordeaux e Borgonha, surge agora sob uma outra ótica para quem aprecia vinhos tintos.



Os vinhos da Borgonha são amplamente considerados difíceis de apreciar devido à sua complexidade inerente, preços elevados, qualidade inconsistente entre produtores e safras, e necessidade de condições específicas de serviço. Não que sejam fisicamente difíceis de beber, mas sim que apreciar suas nuances sutis pode ser um desafio para os iniciantes.


Na Borgonha, tudo começa com o lugar. A região fica no centro-leste da França, estendendo-se aproximadamente de norte a sul, dividida em cinco sub-regiões principais: Chablis (vinhos brancos frescos e mineralizados); Côte de Nuits (a meca do Pinot Noir); Côte de Beaune (mais Pinot Noir, além de Chardonnay de classe mundial); Côte Chalonnaise (excelente custo-benefício); e Mâconnais (vinhos brancos ensolarados e generosos). E o paraíso dos enófilos reside em uma faixa de 48 quilômetros no seu coração – a apropriadamente chamada Côte d’Or.


Dentro dela, encontram-se centenas de vilarejos e milhares de vinhedos, cada um com seus próprios microclimas (climats), tipos de solo e histórias. O jeito borgonhês de ser é minucioso, obsessivo, profundamente cheio de nuances.


De certa forma, Bordeaux, no ensolarado sudoeste, prioriza os blends e a vinícola. A Borgonha preza pela especificidade e pela pequena escala de produção.

 

COMPLEXIDADE E INCONSISTÊNCIA - A região da Borgonha com seu mosaico de vinhedos possui um sistema de classificação complexo baseado em parcelas de vinhas específicas e minúsculas, chamadas climats, cada uma com uma identidade e composição de solo (terroir) únicas. Essa fragmentação extrema significa que vinhos de fileiras adjacentes podem ter sabores dramaticamente diferentes.


Existem inúmeros produtores independentes (domaines) e negociantes, e a qualidade pode variar significativamente mesmo dentro da mesma vila ou vinhedo. Encontrar um produtor confiável requer experiência e orientação. E esta variação entre produtores pode ser tão extrema que basta lembrar de o vinhedo do Clos de Vougeot tem vários produtores diferentes dentro de uma área de pouco mais de 50 hectares.


Clos de Vougeot é um dos maiores vinhedos Grand Cru da Borgonha, juntamente com Corton e Echézeaux, com cerca de 50 hectares. Com tamanha área, uma de suas particularidades é possuir uma enormidade de proprietários (por volta de 80). A maioria deles possui cerca de 0,2 hectare de terra. Ao todo, o vinhedo produz cerca de 17 mil caixas de vinho e, por ser tão vasto (para os padrões borgonheses) e ter tantos produtores, os vinhos também costumam ser muito díspares.


Há ainda o fato de muitos amantes de vinhos considerarem a Pinot Noir a “Uva da Desilusão", já que a principal uva tinta da região - Pinot Noir, tem casca fina e é notoriamente difícil de cultivar e vinificar com sucesso. É extremamente sensível ao clima e às escolhas de vinificação, o que contribui para inconsistências entre as safras.


A Borgonha produz uma quantidade relativamente pequena de vinho em comparação com outras grandes regiões, mas a demanda por seus vinhos de alta gama é global e intensa. Isso eleva os preços, muitas vezes resultando em uma relação custo-benefício ruim em faixas de preço mais baixas. Em resumo, os vinhos da região que tem sofrido com as questões climáticas, têm “alta demanda e baixa oferta”.


Por isso, o risco de decepção é muito grande. É muito fácil gastar uma quantia significativa de dinheiro em uma garrafa de qualidade inferior ou "sem graça", o que pode ser desanimador para quem está começando a apreciar vinho.


Para muitos amantes de vinhos, a Borgonha é muito chata e muitas vezes decepcionante para se preocupar, considerando o que mais existe por aí.

 

UM ESTILO DIFERENCIADO? - Ao contrário dos vinhos do "Novo Mundo" (por exemplo, da Califórnia, do Oregon, da Argentina, África do Sul e Nova Zelândia), que frequentemente apresentam sabores frutados ricos e evidentes, os vinhos da Borgonha são tipicamente mais sutis, enfatizando a finesse, a mineralidade, o caráter terroso e os aromas complexos que evoluem com o tempo. Os apreciadores acostumados a vinhos mais encorpados podem inicialmente achar a Borgonha decepcionante ou "leve".


Além disto, para ser apreciado adequadamente, o Borgonha tinto deve ser servido em condições específicas de serviço, como uma temperatura específica (em torno de 14–16°C), ligeiramente mais fria do que a maioria dos vinhos tintos. Servi-lo muito quente pode atenuar seus aromas delicados e tornar a acidez mais proeminente.


Muitos Borgonhas de qualidade precisam de tempo para amadurecer, frequentemente vários anos, antes de atingirem o seu auge. Abrir um vinho complexo muito jovem significa perder a oportunidade de apreciar todo o seu caráter.


O serviço dos vinhos da Borgonha tem algumas nuances, onde há necessidade de observar a cor e a idade, que influenciam o caráter do vinho que será degustado!

• Os vinhos brancos são mais sutis do que os tintos.

• Os vinhos mais antigos (maduros) são mais complexos do que os jovens (seus aromas são mais ricos e variados).


Para distinguir bem as qualidades dos vinhos, experimente degustá-los de acordo com os seguintes princípios:

• Um vinho branco geralmente vem antes de um tinto, exceto no caso de queijos.

• Um vinho jovem é sempre bebido antes de um vinho antigo.

• Um vinho leve deve sempre ser bebido antes de um vinho encorpado.

 

Preparando-se desta forma para o seu encontro com os vinhos da Borgonha, você terá experiências de degustação surpreendentes. Na prática, beber vinho com queijo, segundo o conselho de Jean-Pierre Renard, especialista da École des Vins de Bourgogne - “Lembre-se: não existe um vinho que harmonize com todos os queijos!


Cada tipo de queijo combina melhor com uma categoria específica de vinhos. Por exemplo, o queijo de cabra geralmente combina com um vinho branco seco e mineral, como um Chablis, enquanto um reblochon pode ser acompanhado por um vinho tinto suave e frutado, como um Côte de Beaune-Villages.


Em uma degustação que inclua vários vinhos e queijos, não há problema em brincar com a ordem usual de degustação. Por exemplo, você pode querer beber um vinho branco encorpado, como um Saint-Aubin Premier Cru ou um Corton Grand Cru, depois de um vinho tinto leve e frutado, como um Coteaux Bourguignons ou um Bourgogne Côte Chalonnaise.


Ao finalizar uma refeição com uma seleção de queijos, nem sempre é prático oferecer vários vinhos para acompanhar a sua escolha. Na prática, uma boa dica pode ser comer o queijo com o vinho tinto que acompanhou o prato principal. Se você bebeu um vinho branco com a entrada ou o prato de peixe, pode voltar a este para aqueles convidados que preferem queijo de cabra ou ovelha.

 

DICAS PARA PROCURAR POR BORGONHAS - A Borgonha pode parecer um clube fechado, com regras demais e onde você precisa dominar um conhecimento que se adquire com o tempo e tendo provado muitos vinhos. Então algumas discas pode te ajudar:


Comece por um produtor, não por um rótulo. Escolha um enólogo cujo estilo você goste e acompanhe-o ao longo das safras e vilarejos. É mais confiável do que se concentrar apenas nas denominações de origem.


Explore vilarejos menos conhecidos. Gevrey-Chambertin e Puligny-Montrachet são famosos o suficiente para serem armadilhas para turistas ou amantes iniciantes em Borgonhas. Existem vinhos incríveis sendo produzidos em lugares menos conhecidos – e mais acessíveis – como Maranges (tintos estruturados, dignos de envelhecimento), Saint-Aubin (brancos elegantes) e Fixin (tintos encorpados e brancos complexos onde o Chardonnay pode ser acompanhado pelo Pinot Blanc).


Encontre um bom importador, ou cavista ou sommelier. A Borgonha é um vinho que recompensa relacionamentos. Sua melhor opção é encontrar alguém que conheça os produtores e possa te guiar.


Experimente de forma abrangente. Borgonha é uma questão de preferência pessoal. Você gosta da elegância e sutileza de Chambolle-Musigny ou da profundidade robusta de Nuits-Saint-Georges? Você nunca saberá a menos que os experimente.


Conheça a qualidade e as referência das safras antes de comprar vinhos. Em geral, 2020 é equilibrado e elegante; 2021 foi um pesadelo crescente, mas há alguns exemplos encantadores; 2022 é fresco e acessível e 2023 está se mostrando belíssimo.


A Borgonha não é simples. Exige atenção, paciência e, às vezes, crédito. Mas também oferece as maiores emoções no mundo do vinho, o tipo de vinho que faz os escritores recorrerem aos adjetivos. É o vinho da desilusão amorosa, o vinho do obsessivo, o vinho que continua se revelando, taça após taça, ano após ano.

 

ONDE BUSCAR OPÇÕES SE VOCÊ GOSTA DE TINTOS DA PINOT NOIR? - Além de sua região de origem, a Pinot Noir também é encontrada com frequência em outras regiões da França, como Jura, Vale do Loire (Sancerre) e Alsácia. Recentemente aumentou também o cultivo em regiões mais mediterrâneas, como Languedoc. No restante da Europa, os destaques são os tintos da Alemanha, onde é conhecida como Spätburgunder, Áustria e Suíça a conhecem como Blauburgunder, e nordeste da Itália como Pinot Nero.


No Novo Mundo, a uva se adaptou bem área do Pacific Northwest da América do Norte, com destaque para o Oregon, Washington e na Colúmbia Britânica, no Canadá. É muito plantada na Califórnia, em especial em regiões com forte influência oceânica.


Na Oceania, se tornou a referência principal de uva tinta da Nova Zelândia, sobretudo na ilha sul e no sul da ilha norte, além de regiões no sul da Austrália.


Na América do Sul, destaque para regiões de maior altitude ou menor latitude, como a Patagônia e os Andes chilenos e argentinos. No Brasil acabou se adaptando também ao Vale dos Vinhedos.]


Em resumo, dominar a Borgonha para procurar por seus vinhos requer atenção, paciência e disposição para aprender suas peculiaridades. Muitos entusiastas consideram a jornada gratificante, mas é um compromisso considerável! Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).

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O VINOTÍCIAS foi criado por Márcio Oliveira, com o intuito de disponibilizar em um único espaço dicas de vinho, enogastronomia, eventos, roteiros de viagens e promoções. Inicialmente era disponibilizado na forma de uma newsletter para alunos, ex-alunos e amantes do vinho, com o crescimento do mercado e o amadurecimento do projeto a necessidade de um espaço maior para tantas informações se fez necessário e assim surgiu o blog e o site.

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