• Márcio Oliveira

EXISTE O TAL VINHO DE VERÃO? – PARTE 3


De maneira geral, a preferência do brasileiro amante de vinhos é pelos tintos. E para a alegria de todos eles, há tintos que podem ser muito agradáveis no verão, combinando harmonicamente com os pratos mais leves e as altas temperaturas desta estação. O foco estará em vinhos mais jovens, de muito frescor, mais frutados, com menos taninos, sem passagem por madeira e menor teor alcoólico e corpo.

No caso dos vinhos de verão, o serviço deve ser próximo de 14ºC e, se há dificuldades de controle da temperatura, é preferível servir mais frio porque o vinho aquece rápido e, se for necessário aquecê-lo mais um pouco, basta envolver a taça com as mãos.

Quanto mais leve e com menos taninos for o vinho, mais fresco deve ser servido. Um Beaujolais comum, por exemplo, tinto de verão por excelência, pode ser servido entre 12 e 14ºC, pouco mais que um branco. Lembramos que os tintos de verão são ótimo para acompanhar embutidos, presuntos, carnes frias como rosbife, massas e queijos simples e pouco gordurosos, saladas sem vinagre, legumes e carnes grelhados, que não deixam de fazer parte do cardápio brasileiro durante todo ano.

A grande pergunta então que se faz é que uvas e estilos preferir neste momento? Vinhos tintos de uvas como a Pinot Noir, a Barbera e a Gamay, ou ainda os Valpolicellas e Bardolinos do Vêneto, Itália, são exemplos que se encaixam perfeitamente nesse perfil.

Apesar de ser uma uva desvalorizada em quase todo mundo, a Gamay é certamente uma das uvas mais indicadas para a produção de vinhos leves. Já foi a época do sucesso do Beaujolais Nouveau, que com todo estardalhaço era lançado na terceira quinta-feira em todo mundo. Mas os Crus de Beaujolais são belos vinhos e que evidenciam os aromas e sabores frutados, corpo leve, pouco alcoólicos e que podem ser bebidos refrescados.

A exceção dos grandes vinhos da Borgonha, e alguns grandes rótulos dos Estados Unidos e Nova Zelândia, a uva Pinot Noir no resto do mundo cria vinhos mais leves e com muito frescor. Entretanto, é comum que estes Pinots tenham teores alcoólicos mais altos (em torno de 14,5% de álcool), e não são os mais indicados para consumo no verão. Os vinhos produzidos com a uva Pinot Noir vão muito bem com pratos leves, como saladas, carnes brancas, frango e pato, desde que não sejam acompanhados por molhos encorpados.

Falando ainda de uvas francesas, a Cabernet Franc, principalmente com origem no Vale do Loire, cria vinhos mais leves e com certo frescor. E no Vale do Rhône, e no Languedoc Roussillon, não podemos deixar de lado as uvas que podem produzir vinhos mais leves. Grenache, Mourvedre e Carignan são a base dos vinhos leves das regiões e podem vir muitas vezes misturadas com a Syrah.

Na Itália, as uvas Corvina, Rondinella e Molinara, são base dos Valpolicellas e Bardolinos, que são os vinhos típicos da região do Vêneto. Ainda na “Bota”, a disputa entre Piemonte e Toscana continua. De um lado, representando o Piemonte, os Grignolinos, Barberas e Bracchetos. Do outro, os deliciosos e especiais Chiantis da Toscana.

No Piemonte, a Barbera pode oferecer, além de vinhos leves, vinhos ultra encorpados, que estagiam em barricas de carvalho. Os Barbera Barricados são vinhos muito intensos e não se encaixam no grupo de vinhos leves para o verão.

Na Espanha, a uva Tempranillo produz excelentes tintos jovens (sem passagem por madeira) e de médio corpo, principalmente nas regiões de Rioja, Pénèdes, Toro e alguns locais da Ribera del Duero. Nas regiões ao redor de Valência há muitos tintos jovens à base da uva Garnacha.

Se preferir vinhos de Portugal, onde a variedade de rótulos é enorme, opte por vinhos mais leves nas regiões do Dão, Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado.

Quanto aos estilos de vinhos tintos para o verão, prefira os Noveau (como o Beaujolais Noveau), Vinhos Jovens com Taninos Não Marcantes e que devem ser consumidos jovens, e os Vinhos de Corpo Médio.

Os “Nouveau” são comercializados logo após a vinificação, ou com pouco tempo de maturação. Os mais conhecidos são os Beaujolais, e os Crus de Beaujolais, como os Morgon ou os Fleurie, podem ser citados também como Vinhos Jovens e com Taninos Leves.

A tradição do Nouveau não se restringe à França, na Itália também se produz o Vinho Novello, que sofre de descrédito junto aos apreciadores, mas os deliciosos Barberas D'Asti são uma boa opção para um dia quente de verão.

O grupo de vinhos de corpo médio agrega uma grande diversidade de uvas, regiões e países, e tem como característica a madeira não pronunciada, teor alcoólico médio, e foco no frescor.

Com estes três artigos, você já conhece as dicas do que deve buscar entre brancos, rosés e tintos para refrescar os dias quentes do verão!!!! Saúde !!!

E para não dizer que não demos uma boa receita para seus dias quentes, vai aqui a receita que se popularizou pela Espanha, tanto por sua capacidade de refrescar, quanto por sua praticidade no preparo.

O preparo do Tinto de Verano é muito simples. Tudo que você precisa é de uma boa garrafa de vinho tinto (sim, é preciso investir em uma bebida de qualidade para garantir o bom sabor do drink) e uma bebida gaseificada com pouco açúcar de sua preferência:

- 1 garrafa de vinho tinto;

- 750mL de bebida gaseificada (refrigerante de soda, água com gás ou água tônica);

- gelo.

Misture as duas bebidas bem em um recipiente próprio e sirva imediatamente em um copo com muito gelo. Você pode finalizar o preparo com uma fatia de limão ou laranja.

O Tinto de Verano combina com petiscos típicos espanhóis: fatias de jamón, tortilhas, chorizo, Gaspacho e até uma boa Paella!

Apesar do Tinto de Verano e a Sangria serem preparados com vinhos tintos, o Tinto de Verano é uma bebida relativamente mais simples do que a Sangria. Ele é preparado apenas com vinho tinto, muito gelo e uma bebida gaseificada de sua preferência. A Sangria, por sua vez, é uma mistura mais complexa de frutas (maçãs, abacaxi, pêssegos, uvas Itália sem sementes, tudo bem picadinho), suco de laranja, água com gás e vinhos tintos, que demanda mais tempo de preparo que o Tinto de Verano.

#verão

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por MÁRCIO OLIVEIRA

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