top of page
  • Foto do escritorMarcio Oliveira - Vinoticias

“A CHAPADA DIAMANTINA E SEUS VINHOS – PARTE 3”

Continuando a escrever sobre a vitivinicultura baiana, em especial sobre a Chapada Diamantina, vamos escrever sobre as outras vinícolas visitadas na Região.

A UVVA não é a única vinícola da Chapada Diamantina, mas a primeira que foi visitada na região de Mucugê. Outras vinícolas da Chapada Diamantina são a Reconvexo, uma vinícola onde você se sente como na casa de um amigo, onde se degusta os aromas e sabores da Chapada Diamantina em meio a um “Wine Garden”. Visitamos também a Vinícola Santa Maria e a Vaz – Vinhas do Morro ambas na região de Morro do Chapéu. A Vaz tem diversos rótulos no mercado, entre eles os vinhos Ferro Doido Malbec, Agreste Syrah, Vaz Viognier, Vaz Rose, além de espumantes brut e rosé.


♦ VINÍCOLA RECONVEXO - A Vinícola Reconvexo está localizada a 1.030 metros de altitude na cidade de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. O terroir caracteriza-se pelo clima tropical de altitude, proporcionado boa amplitude térmica, e solo profundo com leito rochoso, qualificado como vermelho-amarelo latossólico. Essas condições, aliadas as belezas da Chapada Diamantina, no estado da Bahia, propiciam a produção de vinhos de excelente qualidade.


Lembremos que os primeiros aromas e sabores brasileiros foram encontrados na Bahia, quando da chegada de Pedro Alvares Cabral, na região conhecida como Recôncavo. Reconvexo não é só uma definição circunscrita à longitude. Ela é a reafirmação do convexo, a curva geométrica capaz de refletir a luz e ampliar a visão. O convexo nos permite enxergar com mais acuidade. O Reconvexo nos faz enxergar sensações. Reconvexo também é uma ode à Bahia e ao Brasil, um termo cantado e decantado por grandes personagens da nossa cultura. Ou seja, Reconvexo é a conjunção de elementos que, cada qual ao seu modo, representam as origens, as características e a essência do que é produzido em suas terras.


A criação da vinícola é um sonho de três engenheiros baianos: João Carlos Ramos, Murilo Plínio Nogueira Ribeiro e Rafael Gonçalves Bezerra de Araújo, projeto já implantado e em evolução, com crescente área de vinhedos e novas castas sendo cultivadas, com uma pequena cantina já em funcionamento com cave e adega subterrânea.


Hoje a vinícola já tem algumas linhas de vinhos sendo produzidas, tais como: Vila do Ventura (com os vinhos Malbec, o blend de Malbec/Syrah e o Syrah varietal); Linha TOM 9 com o Tom Rosê, blend de tempranillo e Syrah, Tom de Isabel; e, Tom de Marselan); a Linha ENLACE Brasil com as uvas Niágara, Cabernet Sauvignon e Merlot; e, a Linha PYMENT Hidromel de Syrah. As mudas de Malbec foram plantadas em outubro de 2019, posteriormente seguidas pelo plantio da Syrah e Chardonnay. Além delas, existem outras castas e experimentos que já estão dando resultados como a Tempranillo.


A Reconvexo tem irrigação, com reservatório próprio, bem como a energia elétrica é de fonte solar. Contando com projeto de enoturismo em pleno crescimento e serviços de atendimentos aos clientes com pratos de almoço, tábua de frios, embutidos e demais produtos produzidos na região.


Durante a visita ao Reconvexo tivemos a oportunidade de provar um almoço no Wine Garden, uma experiência gastronômica com a culinária Reconvexo, conduzida pelo renomado Chef Lino. Pratos selecionados para harmonizar com os vinhos.

Meu vinho comentado é o TOM DE MARSELAN 2022 – um tinto que homenageia um cachorro mestiço, de grande porte, e de latido forte chamado TOM, que é cão de guarda da Reconvexo, de espírito brincalhão, e que não tem noção de sua força. Este tipo de homenagem é na realidade bem comum entre produtores de vinho e geralmente chamam a atenção pela qualidade. A uva francesa Marselan é resultado de um cruzamento entre as variedades Cabernet Sauvignon e Grenache Noir, e têm se adaptado extremamente bem aos terroirs da Serra e Campanha Gaúcha e agora me surpreendeu com este vinho feito na Chapada Diamantina, em parceria com a Terrazzo Manfroi (uma vinícola urbana instalada em Florianópolis/SC), o Marselan 2022 foi premiado com 91 pontos no Wine of Brazil Awards.


O vinho tem cor vermelha intensa, com nariz de aromas herbáceos, de cheiro verde com um toque de fumo. Com o tempo em taça, a complexidade se mostra em aromas confeitos como brioche, fermento e cereja escura bem madura. No paladar a complexidade se manifesta também, e os sabores são exóticos, de casca de fruta escura, toques ferrosos, com um fundo tostado. Os taninos volumosos e a acidez se destacam neste vinho. Pode acompanhar um churrasco com carnes variadas, ou uma suculenta massa ao molho de tomates, ou legumes grelhados. Bem versátil.


♦ VINÍCOLA SANTA MARIA - A produção de vinhos em Morro do Chapéu teve início em 2009, quando foram plantadas as primeiras videiras onde hoje é a Vinícola Santa Maria. O projeto experimental, que inicialmente avaliou a adaptação de 10 variedades da espécie Vitis vinífera na região, foi fruto de uma parceria entre diversas instituições e perdurou até o início de 2019.


Localizada na Fazenda Capãozinho, no Vale do Ouro, é a área mais antiga da Chapada Diamantina na plantação de videiras desde 2009, começando através de um estudo de experimentação e adaptação da Embrapa. E como consequência, onde se instalou e funcionou durante muitos anos o Centro de Pesquisas da Embrapa Uva e Vinho.

A região tem potencial para produção de grandes vinhos. A latitude é baixa (11° S), mas sua altitude média de 1.100 metros garante um clima temperado e boa amplitude térmica ao longo de todo o ano. Em condições normais, os invernos são relativamente frios e secos; e os verões úmidos, com noites frescas. Os solos apresentam uma acidez mais elevada, a qual tem sido manejada com outras culturas.


A Santa Maria é, portanto, uma precursora na região, e, como consequência, tem servido de base para algumas Vinícolas que foram instaladas por lá posteriormente. Após a desativação do Centro, em 22 de março de 2022, nasceu a Vinícola Santa Maria, assumindo o local, dependências e vinhedos do que foi aquele centro de pesquisa da Embrapa.


O nome da vinícola foi escolhido pelo coração cheio de amor, fé e reverência à Santa Maria do Ouro e a capela a ela dedicada. O vinhedo com 1,2 ha e 9 variedades, será ampliado para até 5 ha introduzindo também a Syrah e Chardonnay na linha de produção. Os vinhos produzidos atualmente são saborosos, com acidez média alta, excelente cor e um perfil bastante jovem. A degustação é feita ao lado da capela que fica dentro da vinícola, sendo os vinhos harmonizados com tábua de queijos, grissinis e geleias e embutidos feitos na própria região.


Meu vinho comentado é o SANTA MARIA GRAN RESERVA 2019 - um tinto rubi escuro, com olfativo inicialmente fechado. Com o tempo em taça mostrou os aromas de frutas escuras, como amoras e cerejas, algo de ameixa madura, além de toques tostados. No paladar o vinho mostra boa estrutura de taninos, boa acidez, bom corpo e persistência. Ainda precisa de guarda para os taninos ficarem mais macios, mostra grande potencial gastronômico para acompanhar carnes grelhadas e embutidos.


♦ VAZ – VINHAS DO MORRO – Fundada por Jairo Vaz, um dos responsáveis pelo projeto experimental vitivinícola em Morro do Chapéu, a vinícola já teve vinhos premiados durante a 9ª edição da Grande Prova Vinhos do Brasil (GPVB). O empresário Jairo Pinto Vaz, proprietário da vinícola, explicou durante o tour pela vinícola, que os primeiros vinhos foram elaborados em 2018, em uma produção de aproximadamente 1,2 mil garrafas - Malbec, Syrah, Sauvignon Blanc e Viognier.


Já na safra 2019, foram produzidos os espumantes Brut elaborados pelo método Charmat (Pinot Noir e Chardonnay), Brut Rosé (Malbec, Sauvignon Blanc e Viognier), Moscatel (Muscat Petit Grain) e, também, os vinhos tintos Malbec e Syrah, em um total de pelo menos 10 mil garrafas.


A vinícola é muita nova, tem estilo de vinícola boutique, os vinhedos têm apenas 4 para 5 anos e, a premiação do Vinho Tinto Malbec e do Espumante Brut Branco na Grande Prova de Vinhos Brasileiros 2020, classificados com 88 pontos com a medalha “Good Wine”, foi um incentivo e o reconhecimento de um persistente trabalho, de se produzir vinhos e espumantes de qualidade na Chapada Diamantina e, colocando, definitivamente, esta região como um novo polo vitivinícola brasileiro.


São 20 hectares plantados com diversas castas, tais como: Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Malbec, Syrah, Cabernet Franc, Merlot, Chardonnay, Viognier, Sauvignon Blanc e Niágara, e o manejo é da Dupla Poda cujo ciclo de verão se inicia com a poda no começo de Primavera, no final de setembro com a colheita em Janeiro/Fevereiro, e o ciclo de inverno com a poda no final do verão, em Março e colheita em Julho/Agosto.

A cantina foi ampliada em 2021 para produzir 50 mil litros. As uvas são transportadas em caminhão climatizado (ar-condicionado) e processadas em cantinas parceiras, mediante contratos formais, sob a supervisão técnica do Enólogo Flávio Durante.


Em 2018 foram elaborados os primeiros vinhos Vaz Malbec, Syrah, Sauvignon Blanc e Viognier na cantina da Escola do Vinho do Instituto Federal Sertão em Petrolina. Em 2019 foi elaborado o vinho “Ferro Doido Malbec” na Vinícola Mandacaru em Lagoa Grande, PE, no Vale de São Francisco. Além dos espumantes Vaz Brut, Burt Rosé e Moscatel na Vinícola Vale do São Francisco em Santa Maria da Boa Vista, PE.


A vinícola tem um projeto de enoturismo sendo implantado com um condomínio de casas com os quintais tendo pequenos vinhedos, onde os proprietários poderão aprender sobre cultivo, manejo e produção de vinhos. Além disto, estão sendo instalados barricas de vinho com a função de dormitórios onde você ficará pertinho das videiras.


Meu vinho comentado é o PINOT NOIR VAZ 2022 - um tinto rubi mais escura que a translúcida, característica do Pinot Noir. No nariz o vinho reflete a tipicidade e delicadeza da casta, com aroma elegante e complexo, de frutas vermelhas e escuras maduras como cereja, morango, framboesa, amora preta e notas florais de violetas e rosas, além de um toque de especiaria como a pimenta preta. No paladar o se mostra harmonioso, elegante, equilibrado, com taninos macios, um agradável retrogosto frutado e levemente picante. Vai bem com pratos de massas, risotos (em especial o de cogumelos e tomilho), aves e carnes grelhadas (desde que não muito gordurosas).


Então, depois de ler sobre os vinhos da Chapada Diamantina, que tal provar um deles?


Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações durante a prova dos vinhos e pesquisas).


Comments


bottom of page