“CONCURSOS E AVALIAÇÕES DE VINHOS”
- Marcio Oliveira - Vinoticias

- há 6 dias
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As avaliações às cegas são as bases para uma evolução correta dos concursos de vinhos.

Existe um enorme segmento do mercado em que os consumidores se importam com pontos e medalhas, especialmente em contextos de varejo onde não há um profissional de vinhos experiente por perto que possa ajudar a escolha de um rótulo mais adequado para se harmonizar com o prato que será servido num jantar, como num restaurante sem um sommelier.
Outro grupo depende mais de avaliações de consumidores do que de profissionais. Algumas pessoas leem avaliações profissionais, mas não baseiam suas escolhas nelas, exceto quando compram algo muito caro, específico, ou fora da sua esfera de conhecimento. Não se importam com avaliações técnicas de críticos de vinhos, e o que mais odeiam é aquele adesivo dourado colado na garrafa, indicando quantos pontos recebeu de quem e em qual concurso. Para estes, pouco importa o que A ou B pensa sobre o rótulo, e aquele adesivo de pontuação estraga a aparência da garrafa, se importando mais com a história do produtor, o local, a vinha e como o vinho foi feito.
Entretanto, a verdade da situação é que os consumidores ficam loucos por avaliações profissionais e adesivos dourados com notas como “95 Pontos” neles. Notas altas indicam bebidas bem-feitas, sem defeitos de fabricação e equilibradas, especialmente quando dadas por 4 ou mais críticos ou revistas especializadas. Avaliações e prêmios de vinhos em concursos sérios importam e não há dúvida de que isso afeta os compradores.
As avaliações técnicas de vinhos podem ser um guia de qualidade técnica, devendo ser usadas como referência e não como uma regra absoluta para o seu paladar. Ajudam a escolher entre milhares de rótulos nas lojas e podem indicar garrafas que entregam mais qualidade pelo valor cobrado. Importante levar em conta seu gosto pessoal e entender que o que é excelente para um crítico famoso pode não agradar o seu paladar.
Há de certa forma um “Efeito Manada” - notas coletivas em aplicativos, principalmente quanto atribuídas por consumidores, sofrem influência do preço ou da fama da marca. Nas avaliações por aplicativos, vinhos potentes e vinhos leves disputam espaço, mas nem todo mundo gosta dos mesmos perfis. A imagem de que são vinhos bem pontuados vai atrair vários novos consumidores, porque a grande maioria das pessoas está muito mais preocupada com a gratificação instantânea do que com o tempo gasto procurando algo que valha realmente a pena.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Basileia, na Suíça, mostrou que o vinho “barato” bate mais agradavelmente no paladar quando é sugerido que seus valores são elevados. O experimento envolveu 140 mulheres e homens, que degustaram três tintos italianos, com preços e qualidade diferentes. Alguns dos degustadores puderam ver os preços reais, mas, para outros, a marcação foi propositalmente exorbitante. O vinho mais em conta, apresentado com um valor quatro vezes maior, teve um desempenho 20% mais alto no teste de degustação - e foi considerado o melhor de todos. Em resumo, existe um efeito psicológico evidente a depender do modo como o ser humano é submetido ao consumo.
Durante muitos anos, valores altos eram indicativos de qualidade e durabilidade de um produto inacessível para as pessoas comuns, e instintivamente refletimos que um produto bom deve custar caro. A reação vale para todo produto cobiçado, sejam vinhos, roupas, eletrônicos ou qualquer outro item considerado de luxo. Talvez por isso, se você quiser impressionar os convidados para um jantar regado a vinhos, diga a eles que está oferecendo garrafas pontuadas e caras! Sirva no decanter, sem mostrar os rótulos. Só mostre os rótulos depois para o pessoal ver que a maioria deles avalia vinhos pela pontuação é não pelo próprio paladar.
Mas o que dizer de vinhos que fazem propaganda mostrando pontuações exorbitantes e Medalhas de Ouro de concursos no “fim do mundo”? Como é que as garrafas foram avaliadas, por quem elas foram degustadas e pontuadas? Há revistas especializadas que promovem Concursos sérios de vinhos, regidos por normas bem definidas e uma delas – diria eu que fundamental, é que os rótulos sejam degustados às cegas e em mesmas condições de temperatura e taças padrão para todas as amostras.
Os melhores concursos de vinhos do mundo e do Brasil são o Decanter World Wine Awards (DWWA), o Concours Mondial de Bruxelles e o International Wine Challenge (IWC). Eles usam provas às cegas com jurados especialistas para dar notas e medalhas justas.
O Decanter World Wine Awards (DWWA) foi criado pela revista inglesa Decanter, realizado em Londres, é um dos maiores e mais influentes do mundo, com milhares de amostras avaliadas por painéis de especialistas (incluindo Masters of Wine).
O Concours Mondial de Bruxelles é uma competição itinerante de grande rigor técnico e total independência, muito respeitada para guiar a compra de consumidores na Europa e no mundo.
O International Wine Challenge (IWC), também realizado em Londres, conhecido pelo rigor do processo de avaliação em duas etapas. Desta forma, é famoso por sua avaliação muito dura e justa, que passa por várias etapas de prova cega para garantir a qualidade real da bebida.
O International Wine & Spirit Competition (IWSC), é um dos mais antigos, fundado em 1969, e que avalia tanto aspectos sensoriais quanto de produção.
Há ainda outros Concursos europeus tradicionais, como o Mundus Vini, realizado na Alemanha, com um grande volume de amostras, muito relevante para vinhos europeus, bem como o Challenge International du Vin realizado na França.
Falando de Concursos norte-americanos, temos o San Francisco International Wine Competition e o Los Angeles International Wine Competition.
Cada um deles tem metodologia própria (às cegas, em painel, com ou sem contexto de preço), então uma medalha em um concurso não é diretamente comparável a outro.
No Brasil e na América Latina vale citar o Brazil Wine Challenge que é promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), sendo um dos concursos internacionais mais importantes da América Latina, reunindo centenas de amostras de vários países avaliadas por um júri global.
Temos que citar também a Grande Prova Vinhos do Brasil, que é a maior degustação focada exclusivamente nos rótulos nacionais, avaliando vinhos, espumantes e sucos de uva em dezenas de categorias.
Portanto, vale a pena considerar as avaliações feitas por especialistas em Concursos, mas não se engane por beber exclusivamente vinhos pontuados. Valorize o seu bom senso e sobretudo o seu gosto pessoal! Saúde!!! Que tal comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).





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