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“O DOURO E SEUS VINHOS”

  • Foto do escritor: Marcio Oliveira - Vinoticias
    Marcio Oliveira - Vinoticias
  • há 3 horas
  • 6 min de leitura

Prestes a fazer uma grande degustação harmonizada vinhos e gastronomia desta região portuguesa, nada melhor do que rever minhas anotações.



A Região do Douro, localizada no norte de Portugal, é mundialmente conhecida pelas suas paisagens únicas e pelo conjunto de características que a tornaram o berço dos vinhos do Douro e do Porto, famosos há séculos. Hoje em dia, tornou-se um destino especial para quem deseja aprender mais sobre a cultura portuguesa e como estes vinhos são produzidos. As paisagens são deslumbrantes e a melhor época para apreciar esta beleza é durante a primavera e o outono, quando o clima é ameno e as vinhas estão no seu auge de beleza.


A paisagem do Alto Douro Vinhateiro (ADV) foi inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2001. A Região Demarcada do Douro (RDD) estende-se ao longo do rio Douro e dos seus afluentes, abrangendo cerca de 250.000 hectares. O Vale do Douro é definido pela sua paisagem dramática, moldada ao longo de milênios pelo rio Douro. O rio nasce na Espanha (como Rio Duero) e serpenteia através das montanhas portuguesas, dando origem a encostas íngremes.


Esta região foi delimitada pela primeira vez em 1756, marcando o início da demarcação dos "Vinhedos do Alto Douro" e estabelecendo o primeiro modelo institucional para a organização de uma região vitivinícola a nível mundial. Inicialmente criada para regular a produção do vinho fortificado que hoje conhecemos como Vinho do Porto, inclui também a Denominação de Origem Controlada para os vinhos do Porto e do Douro.


A produção vitivinícola neste território é um excelente exemplo de determinação e engenho na otimização dos recursos naturais, uma vez que as vinhas são plantadas em encostas íngremes com escassez de água. Estes socalcos, onde as diversas castas originam os vinhos mais requintados, são conhecidos como socalcos e "níveis", tão característicos da Região do Douro em Portugal.


O fato de o Vale do Douro ser Patrimônio Mundial da UNESCO, sem mencionar seu isolamento histórico do Porto, o manteve relativamente livre de arquitetura feia e arranha-céus que ocorreram na evolução urbana das cidades portuguesas. Mesmo no início do século XXI, este pode parecer um lugar selvagem e agreste, com solos duros, rochosos, de ardósia e granito, adequados para o cultivo de vinhas e oliveiras, mas pouco mais.


Trabalhar nesses vinhedos é um trabalho árduo e cansativo. Ao longo de grande parte do seu percurso, o rio é ladeado por vinhas e, ocasionalmente, por quintas de vinho do Porto. Estas construções discretas são um híbrido entre adega e casa de campo. Olhando para cima, do comboio ferroviário que percorre a região, se poderá notar alguns nomes familiares pintados nas suas paredes: Dow, Graham, Fonseca, Sandeman, Warre, Taylor, Quinta do Noval e Croft. São produtores de Vinho do Porto, possivelmente o vinho fortificado mais famoso do mundo e o produto que tornou o Vale do Douro conhecido no mundo do vinho.


Ao sair do comboio em Pinhão ou Régua, em pleno verão, faça uma pausa num café antes de subir aos vinhedos e perceberá por que a região é tão propícia à produção de vinhos tintos intensos, aromáticos e de longa guarda. Os terraços íngremes, murados em pedra, são banhados por horas de sol implacável, endurecendo as cascas das uvas e elevando os seus níveis de açúcar até à maturação plena. É difícil, senão impossível, produzir vinhos delicados e etéreos num lugar como este.


Mas antes de abordarmos os diferentes estilos de Vinho do Porto, sem falar da crescente indústria de vinhos de mesa, vejamos alguns fatos e números. O Vale do Douro situa-se no nordeste de Portugal. A região abrange cerca de 250.000 hectares, mas apenas 15% (cerca de 38.000 hectares) estão plantados com vinhas e apenas 26.000 hectares destes estão autorizados para a produção de Vinho do Porto. Como seria de esperar num clima tão quente, (na realidade diz-se que a região só conhece dois climas – o inverno e o inferno), a maioria dos vinhos produzidos aqui (cerca de 90%) são tintos, com o restante dividido mais ou menos igualmente entre brancos e rosés.


O clima do Vale do Douro é influenciado pelas serras circundantes, em particular a Serra de Alvão, a Serra de Padrela e a Serra de Bornes a norte e a Serra do Marão a oeste. Fundamentalmente, estas barreiras protegem a região dos ventos úmidos de oeste que sopram do Oceano Atlântico. O clima no Porto e do outro lado do Passo do Marão pode ser drasticamente diferente. As temperaturas no Vale do Douro podem atingir os 45°C no verão, o que representa um aumento de 15 a 20°C em relação à costa do Porto.


Caracterizado por uma série de vales profundos e frequentemente imponentes, interligados, o Douro possui um clima continental clássico, com invernos muito frios e verões quentes e secos. Dito isto, quanto mais a leste se sobe o vale em direção à fronteira espanhola (a região vinícola deToro não fica muito longe do outro lado), mais quente e seco se torna o clima. A influência atlântica ainda se faz sentir no baixo Douro (1200 mm de precipitação), enquanto no topo do vale (380 mm) é insignificante. Esta é apenas uma generalização, contudo, uma vez que a altitude, a exposição solar, a idade das vinhas e a produção também influenciam a qualidade das uvas e, consequentemente, o estilo do vinho.


O Douro possui três sub-regiões vitivinícolas. O Baixo Corgo é a região mais ocidental, abrangendo a área desde Régua até um afluente do Douro chamado Corgo. Mais a Leste fica o Cima Corgo, uma área que inclui a cidade de Pinhão, seguida pelo Douro Superior, uma região enorme que se estende de Pinhão a Barca d'Alva. O Baixo Corgo é a menor das três, mas possui a maior concentração de vinhedos (14.582 hectares). O Cima Corgo é o coração da produção de Vinho do Porto e abriga muitas das marcas e quintas mais conhecidas, com 20.969 hectares de vinhedos. Já o Douro Superior é muito menos utilizado para o cultivo de uvas, com apenas 10.175 hectares.


Para os amantes do vinho que estão cansados ​​das chamadas "Quatro Grandes" uvas (Chardonnay, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Syrah/Shiraz), o Vale do Douro representa uma mudança maravilhosa. É possível encontrar pequenos vinhedos dessas e de outras variedades internacionais (engarrafadas sob a denominação Vinha Regional Trás-os-Montes, em vez da DOC Douro), mas são as uvas autóctones que tornam o Vale do Douro tão especial. Existem mais de 80 variedades, mas as mais importantes são a Touriga Nacional, a Tinta Roriz, a Touriga Francesa, a Tinta Barroca e a Tinto Cão para os tintos (as chamadas "cinco grandes") e a Rabigato, a Gouveio, a Viosinho e a Malvasia Fina para os brancos.


Os melhores vinhos brancos do Douro podem ser surpreendentemente bons, especialmente se forem cultivados em vinhedos próprios.


Os habitantes do Douro são muito apegados à sua terra e às suas tradições. Essa ligação é evidente nas festas, na gastronomia e no artesanato da região. A gastronomia do Douro é rica e saborosa, com pratos que refletem a herança agrícola da região. Os visitantes podem desfrutar de pratos tradicionais marcados por sabores intensos, com destaque para o guisado português, o bacalhau, o bife à mirandesa, o arroz de pato, o cabrito assado no forno com batatas e arroz, enchidos (fumeiro), polvo assado e arroz de lampreia. Harmonizada com vinhos do Douro e Porto, a culinária utiliza ingredientes locais, azeite de qualidade e técnicas ancestrais, como o forno a lenha. Literalmente, a cozinha duriense é uma "cozinha de conforto", focada na sazonalidade e na preservação dos sabores locais.


As festas são uma parte importante da vida no Douro, com muitas celebrações centradas na vindima. A mais famosa é a Festa das Vindimas, que se realiza em setembro, onde habitantes e visitantes podem participar na tradicional pisa das uvas e desfrutar de música, dança e, claro, muito vinho.


Embora o Douro permaneça profundamente enraizado na tradição, também abraçou o seu estatuto de destino turístico moderno. Nos últimos anos, a região assistiu ao desenvolvimento de espaços requintados e restaurantes gourmet que satisfazem o paladar de quem por lá passa. Apesar da modernização, o Douro ainda consegue conservar a sua autenticidade, oferecendo aos visitantes uma combinação única de charme antigo e conforto moderno.


Então, já provou algum vinho do Douro? Saúde!!! Que tal comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).

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O que é o VINOTÍCIAS...

O VINOTÍCIAS foi criado por Márcio Oliveira, com o intuito de disponibilizar em um único espaço dicas de vinho, enogastronomia, eventos, roteiros de viagens e promoções. Inicialmente era disponibilizado na forma de uma newsletter para alunos, ex-alunos e amantes do vinho, com o crescimento do mercado e o amadurecimento do projeto a necessidade de um espaço maior para tantas informações se fez necessário e assim surgiu o blog e o site.

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