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“O DOURO E SEUS VINHOS – PARTE II”

  • Foto do escritor: Marcio Oliveira - Vinoticias
    Marcio Oliveira - Vinoticias
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

O Douro… só o nome evoca terraços vertiginosos, um rio majestoso e vinhedos esculpidos nas rochas.



Tombado como Patrimônio Mundial da UNESCO, este vale no norte de Portugal não é apenas o berço do Vinho do Porto: é também o palco para uma nova geração de vinhos secos do Douro que estão cada vez mais se destacando e figurando entre os melhores vinhos portugueses da atualidade.


Aqui, as vinhas crescem em encostas de xisto que descem em direção ao rio, como escadarias para o sol. O clima é quente e continental, mas o Douro é um mosaico de microclimas: mais fresco e verdejante a oeste (Baixo Corgo), equilibrado e ensolarado no centro (Cima Corgo), mais quente e seco a leste (Douro Superior). Esses contrastes, aliados a um solo que força as raízes a buscarem água e nutrientes em profundidade, produzem vinhos potentes e elegantes, com uma estrutura ideal para o envelhecimento.


Quando se fala de “vinhas heroicas”, pensa-se nas encostas do Douro, capazes de dar vertigens. Encontram-se diferentes sistemas de socalcos: os socalcos tradicionais (muros de pedra sobrepostos), os patamares (plataformas mais largas, por vezes mecanizáveis) e parcelas plantadas na vertical em encostas razoáveis. O resultado: micro parcelas com exposições múltiplas e um mosaico que nada tem de vinhedo industrial. Este trabalho paciente é uma aliança de um saber-fazer humano e de um meio natural transformado com delicadeza (e uma dose de coragem) ao longo do tempo.


O vinho do Porto fez a fama mundial do Douro. Vinho fortificado (no qual adiciona-se aguardente vínica para parar a fermentação e manter os açúcares, e por outro lado aumenta significativamente o teor final do produto), apresenta-se em vários estilos que convém conhecer antes de comprar ao acaso.


● Ruby, LBV, Vintage (evolução em garrafa): o LBV (Late Bottled Vintage), por exemplo, vem de uma única colheita, envelhece 4 a 6 anos em madeira e depois é engarrafado; pronto a beber, pode também continuar a evoluir conforme a menção. É a expressividade de um ano, sem a espera (e o preço) de um grande Vintage.


● Tawny, 10 anos, 20 anos etc. (evolução oxidativa em madeira): evoluindo do fruto crocante para nozes, caramelo claro, casca de laranja, com aquela cor âmbar que levanta uma sobrancelha satisfeita à mesa.


O Porto não é apenas um “vinho de final de refeição”. Servido ligeiramente fresco (Tawny 10 anos como aperitivo, por exemplo), brilha com amêndoas salgadas, patés picantes ou uma tarte de noz. E no inverno, um Ruby com um chocolate negro bem intenso é um excelente brinde para aquecer a temperatura mais baixa.


Atualmente, cerca de 55-60% da produção do Douro ainda se dedica ao Vinho do Porto fortificado, mas os vinhos secos (tintos e brancos) representam agora 40-45% do volume – uma quota que tem crescido de forma constante nos últimos 20 anos.


Embora o vinho do Douro ainda evoque muitas vezes a imagem do Vinho do Porto, os vinhos tintos e brancos secos da região conquistaram um lugar de destaque nas melhores mesas. Os tintos são frequentemente elaborados com Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz (Tempranillo). Oferecem aromas intensos de frutos escuros, especiarias e, por vezes, um toque floral. Os brancos, ainda minoritários (cerca de 20% da produção), estão a ganhar terreno com castas como a Rabigato, a Viosinho ou a Gouveio, capazes de produzir vinhos vibrantes e elegantes, com uma bela complexidade mineral.


Um dos marcos históricos chama-se Barca Velha (tinto criado em 1952, produzido apenas nos grandes anos), um vinho de guarda que mostrou que o Douro podia produzir grandes vinhos tranquilos… sem fortificação. Outras quintas e uma nova geração de enólogos, os “Douro Boys”, como propriedades como Niepoort, Quinta do Vale Meão, Quinta do Crasto, Quinta do Vallado etc. continuaram o movimento, passando da tradição exclusiva do Porto para uma leitura contemporânea dos terroirs, resultando em vinhos tintos profundos e estruturados, e brancos minerais vindos da altitude, que combinam muito bem com a gastronomia local.


A riqueza do vinho do Douro também provém da diversidade das suas castas. Mais de 80 castas locais são cultivadas, mas as estrelas permanecem:


Touriga Nacional: Potente, aromática, naturalmente elegante.

Touriga Franca: Suavidade e finesse, frequentemente usada para equilibrar os blends.

Tinta Roriz: Estrutura e notas especiadas.

Tinta Cão: Rara, mas oferece boa acidez e potencial de envelhecimento.


O vinho do Douro combina o melhor de dois mundos: a generosidade do sol português e a precisão do trabalho artesanal, muitas vezes ainda muito manual. Os produtores de vinho do Douro cultivam uma impressionante diversidade de castas autóctones, por vezes mais de 20 numa única vinha, o que lhes confere complexidade, personalidade e uma ligação inquebrável a este terroir único.


O Douro não passou simplesmente a vinificar seus vinhos em cubas de inox deixando de lado a paisagem típica do século XVIII. Seus produtores reinterpretaram as suas parcelas históricas com os meios de hoje. Assim, seleções parcelares finas, por vezes co-plantio antigo conservado (o que resulta “blends” a moda antiga numa única vinha.


 Ao longo do tempo, subiram os plantios em altitude e refizeram a gestão das ondas de calor pela orientação das videiras e trabalho dos solos.


A investigação sobre as castas mais resistentes e redução da pegada hídrica tem sido implementada de forma a criar vinhos tranquilos complexos e sutis - a herança não é um museu, é um saber-fazer vivo.


Os vinhos do Douro são como o seu vale, minerais, solares, profundos e vibrantes quando se lhes dá tempo para serem provados como devem ser. Contam uma história começada no século XVIII, assentada em socalcos e reavaliada por uma geração que sabe usar tanto a tesoura de poda como a enologia de precisão.


Herança e modernidade não são correntes conflitantes; são como duas taças em busca de um equilíbrio sempre um pouco mais justo, um pouco mais verdadeiro e que reflita o terroir que originou a bebida.


Um vinho tinto português do Douro harmoniza maravilhosamente com bife de costela grelhado, borrego estufado ou guisados ​​ao estilo mediterrânico. Os vinhos brancos, mais raros, são perfeitos com peixe grelhado, marisco ou até mesmo pratos asiáticos ligeiramente condimentados.


O Douro é também um destino de sonho para o enoturismo: cruzeiros fluviais, visitas a vinícolas familiares, provas com vistas para os terraços, noites em casas tradicionais… e, claro, pores do sol inesquecíveis sobre as vinhas com o Douro ao fundo.


O vinho do Douro é um pouco como o rio que serpenteia pelas colinas: potente, elegante e sempre em movimento! Saúde!!! Que tal comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).

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O VINOTÍCIAS foi criado por Márcio Oliveira, com o intuito de disponibilizar em um único espaço dicas de vinho, enogastronomia, eventos, roteiros de viagens e promoções. Inicialmente era disponibilizado na forma de uma newsletter para alunos, ex-alunos e amantes do vinho, com o crescimento do mercado e o amadurecimento do projeto a necessidade de um espaço maior para tantas informações se fez necessário e assim surgiu o blog e o site.

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