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“OS DESTINOS DO ENOTURISMO EM 2026 – PARTE III”

  • Foto do escritor: Marcio Oliveira - Vinoticias
    Marcio Oliveira - Vinoticias
  • 10 de fev.
  • 19 min de leitura

Nos dois artigos anteriores escrevemos sobre regiões de enoturismo na Europa, e agora vamos para países da América do Sul.



O QUE CHAMA A ATENÇÃO NA AMÉRICA DO SUL – Durante muito tempo, ao se pensar em viagens de enoturismo na América do Sul, a Argentina e seus emblemáticos vinhedos de Mendoza dominavam a cena, seguidos pelos vales do Chile. No entanto, um novo protagonista vem se consolidando discretamente, com elegância e personalidade própria: o Uruguai.

 

● ENOTURISMO NO URUGUAI - Parrilla, doce de leite, e vinho. São três palavras que envolvem o imaginário quando se fala de Uruguai. O país vem apostando cada vez no enoturismo, principalmente dos brasileiros.


Hoje, o Uruguai ocupa a quarta posição em volume de produção na América do Sul, com cerca de 103 mil toneladas anuais de uvas e mais de 9 mil hectares cultivados. Mas o que realmente o diferencia é a proposta de oferecer experiências em vinícolas boutiques, intimistas e sustentáveis, voltadas a um público que busca exclusividade e autenticidade. Ao contrário de destinos turísticos massificados, o país aposta em rotas personalizadas, em parcerias com vinícolas familiares e em uma abordagem sensorial integrada, que une vinho, gastronomia, cultura e paisagem.


Considero o Uruguai um destino ainda subvalorizado pelos brasileiros, ante o potencial que o país tem com o enoturismo. Como é pequeno em território, é possível conhecer as principais regiões vitivinícolas do país no mesmo roteiro. Canelones e Montevidéu são onde ficam as vinícolas mais antigas, mas ainda tem produtores em San José, Rivera, Colônia e Maldonado - onde está localizada a gigante Garzón, eleita nos últimos quatro anos uma das 10 melhores vinícolas do mundo. Em março a vinícola faz a Festa da Vindima, uma das principais festividades da região.


A força desse novo posicionamento do Uruguai no mapa do enoturismo internacional ficou evidente em março de 2024, quando o país sediou a Primeira Cúpula Global do Enoturismo Responsável, realizada no Enjoy Punta del Este. O evento reuniu mais de 500 participantes de 16 países e promoveu um intenso intercâmbio de práticas sustentáveis, integração entre vinhedos, arquitetura, gastronomia e preservação ambiental — evidenciando o compromisso uruguaio com um turismo de alto padrão e baixo impacto.


Enquanto a Argentina e o Chile seguem como potências consagradas, com suas vinícolas centenárias e rótulos icônicos, o Uruguai constrói um caminho alternativo: menos sobre tradição e volume, mais sobre exclusividade, elegância e conexão genuína com o território. Em vez de replicar modelos, o país aposta na própria identidade, valorizando o pequeno produtor, o cuidado artesanal e a experiência personalizada.


Graças a iniciativas bem estruturadas e experiências de alta qualidade como o programa Punta Wine Trips, promovido pelo resort Enjoy Punta del Este, o país agora se posiciona como uma escolha sofisticada para os amantes de vinho, gastronomia e paisagens naturais.


O Punta Wine Trips, que acontece entre os meses de março e novembro, reúne o melhor da vitivinicultura uruguaia com o conforto e a exclusividade de uma estadia no resort Enjoy Punta del Este. Mais do que um roteiro turístico, trata-se de uma verdadeira imersão no terroir local, onde cada taça carrega não apenas o sabor do vinho, mas também a história, o cuidado e o refinamento por trás de sua produção. O programa oferece pacotes de três ou quatro noites que incluem visitas às vinícolas mais prestigiadas do país, degustações harmonizadas, experiências gastronômicas assinadas por chefs renomados e momentos de contemplação cultural e artística.


Entre os destaques do roteiro está a Bodega Garzón, considerada a Melhor Vinícola do Novo Mundo pelo Wine Star Award, onde os visitantes exploram vinhedos sustentáveis e degustam rótulos premiados em harmonia com pratos elaborados pelo icônico chef Francis Mallmann. Outro ponto alto da jornada é a visita à Bodega Alto de la Ballena, uma vinícola boutique familiar instalada entre colinas suaves e a Laguna del Sauce. Ali, os vinhos de alta gama são acompanhados por pães artesanais, queijos e charcutaria local, em uma experiência sensorial marcada pela autenticidade e pelo cuidado nos detalhes.


O tour contempla ainda um almoço no restaurante Las Espinas, da tradicional família Bouza, com vista para o Rio da Prata e menu autoral. E para os que valorizam o diálogo entre arte e paisagem, uma parada na icônica Casapueblo — obra do artista Carlos Páez Vilaró — oferece a possibilidade 1 de assistir à emocionante Cerimônia do Sol, uma homenagem poética ao entardecer.


A partir da década de 1990, o país passou a investir seriamente na modernização de seus vinhedos, introduzindo clones europeus e técnicas sustentáveis. A uva Tannat, variedade emblemática do país, ganhou notoriedade internacional graças à sua potência e complexidade, mas também despontam com elegância variedades como Albariño, Chardonnay e Pinot Noir, especialmente na região de Maldonado. A influência oceânica nessa área proporciona vinhos mais leves, minerais e frescos - um contraponto interessante aos tintos intensos de outras regiões sul-americanas.


Há várias outras vinícolas a serem visitadas, e com a vantagem de serem concentradas nas proximidades de Montevideo. A Pizzorno é uma vinícola histórica fundada em 1910 por Don Próspero José Pizzorno, que inclusive dá nome a uma das linhas de vinhos. De lá para cá são quatro gerações da família que unem a tradição com inovação tecnológica. A bodega fica apenas a 20Km de Montevideo e vale a pena reservar pelo menos uma noite para aproveitar a pousada. São quatro quartos em uma casa que antigamente era da família e foi revitalizada para se tornar em um lugar que é puro aconchego! Todos os quartos têm um deck individual com vista para os vinhedos, para você relaxar e aproveitar. E à noite, em uma área externa da casa você pode aproveitar empanadas e pizzas preparadas na hora e saindo da parrilla direto para a sua mesa, tudo organizado pela equipe de cozinha da Pizzorno.


A Bodega Familia Deicas é daquelas vinícolas já surpreendem na chegada a. A vinícola está localizada em uma fazenda histórica que pertenceu aos jesuítas e fica a cerca de 40 km de Montevideo. A Família Deicas adquiriu a fazenda em 1979 e desde então as gerações da família acompanham a evolução da vinícola, hoje com o enólogo Santiago Deicas à frente na elaboração dos vinhos e Mercedes Deicas como chef executiva. São oferecidos três tipos de degustação, com linhas diferentes de vinhos da Família Deicas e todas acompanhadas de uma tábua individual com queijos, charcutaria, pães artesanais e azeites.


A Narbona é vinícola, pousada e fazenda, original de 1909. Você pode fazer tours com degustações harmonizadas, piquenique, almoços e até ficar hospedado em um dos cinco quartos charmosíssimos da pousada. Você pode fazer a tour com degustação harmonizada de queijos e vinhos e o piquenique. E antes de ir embora, não deixe de passar na loja para garantir as delícias produzidas por eles como o doce de leite, geleias, compotas, queijos e logicamente, os vinhos!


A El Legado é uma vinícola pequena e familiar comandada pela mãe e dois filhos, que levam o legado do pai (por isso o nome na vinícola) na elaboração de vinhos e paixão pelo que fazem. Está localizada em Carmelo, em uma área cheia de verde e tranquilidade. Você pode fazer um tour com degustação de vinhos, e não deixe de provar o blend de Syrah e Tannat elaborado na El Legado, uma das poucas vinícolas do Uruguai que apostam na uva Syrah. Além de vinícola, a El Legado também é pousada. Fica em uma área onde a paz reina e é um refúgio perfeito com vinho, calma e quartos super charmosos para você ficar hospedado e descansar.


A Alto de la Ballena propõe uma experiência mais próxima com o produtor e com o ambiente onde o vinho é elaborado. É uma vinícola pequena, mas que faz vinhos super reconhecidos e fica a 15 km da costa de Punta del Este. A vinícola nasceu da paixão da enóloga Paula Piven e seu marido, Alvaro Lorenzo, pela viticultura, e entre os rótulos criados por eles que vale a pena você provar o clássico Tannat Reserva e um blend de Tannat-Viognier que mistura a emblemática uva tinta do Uruguai e a aromática casta branca.


A Cerro del Toro é uma vinícola boutique pequena, charmosa e com uma vista linda! A bodega fica pertinho de Punta, na cidade de Piriápolis e do ponto mais alto da vinícola é possível ver o mar, e inclusive os vinhos recebem essa influência oceânica na sua elaboração. Dos rótulos da Cerro del Toro se destaca o albariño, que é o vinho emblemático da vinícola.


São dezenas de vinícolas localizadas principalmente em três eixos de enoturismo: Carmelo e Colônia del Sacramento, Montevidéu e Canelones, e Punta del Este e Pueblo Garzón. E é justamente essa autenticidade dos vinhos, aliada à sofisticação e hospitalidade que transforma o Uruguai em um novo destino obrigatório para os apreciadores do vinho.

 

ENOTURISMO NA ARGENTINA – A região de Mendoza é um dos principais destinos de enoturismo na Argentina. Com suas belas paisagens e clima ideal para o cultivo de uvas, Mendoza atrai turistas de todo o mundo em busca de experiências únicas. Entretanto, a Argentina tem muito mais a oferecer, já que outras regiões vinícolas, como Salta, San Juan e La Rioja, também têm ganhado destaque no cenário do enoturismo argentino. Cada uma dessas regiões possui suas próprias características e estilos de vinho, proporcionando aos visitantes uma ampla variedade de opções para explorar.


O enoturismo na Argentina não se limita apenas às vinícolas. Há também a possibilidade de participar de festivais e eventos relacionados ao vinho, como a tradicional Festa Nacional da Vendimia, que ocorre anualmente em Mendoza.


O enoturismo tem se mostrado uma importante fonte de receita para a economia argentina. Os turistas que visitam as vinícolas contribuem para a geração de empregos diretos e indiretos, além de movimentar a cadeia produtiva do vinho. Desta forma, cada vez mais produtores têm investido na melhoria da infraestrutura para receber os visitantes, incluindo a construção de hotéis, pousadas, restaurantes e centros de visitantes. Isso tem impulsionado o turismo na região e proporcionado um aumento no número de turistas estrangeiros que visitam o país.


O Enoturismo no Norte da Argentina com seus vinhos de altitude, paisagens surreais e experiências que despertam todos os sentidos têm chamado a atenção de quem busca algo além de Mendoza.


Entre montanhas coloridas, desertos silenciosos e vilarejos andinos cheios de alma, surge uma das regiões vinícolas mais surpreendentes da América do Sul mostrando Salta, Cafayate e aos vales de altitude onde cada garrafa de vinho conta uma história. Aqui as altitudes extremas (entre 1.700 e 3.000m) criam um terroir único gerando vinhos intensos, aromáticos e de personalidade marcante, especialmente o Torrontés, ícone da região.


Há várias vinícolas boutiques e experiências intimistas, com visitas privativas, almoços harmonizados em cenários cinematográficos e passeios guiados por enólogos apaixonados. Vinícolas como a Piatelli, El Esteco, Colomé e Finca Quara impressionam pela estética, pela filosofia e pela atmosfera. Os vinhedos convivem com tradições ancestrais, mercados locais e vilarejos com uma energia que só o Norte da Argentina tem.


A variedade de experiências que o enoturismo oferece também contribui para a atração de diferentes perfis de turistas. Desde os apreciadores de vinho mais experientes, até os amantes da natureza e da gastronomia, a Argentina tem algo para todos os gostos.

           

PATAGÔNIA – UM DESTINO QUE COMEÇA A CHAMAR A ATENÇÃO - Uma região comum a Argentina e Chile é a Patagônia. Os dois países vivem disputando o título de lugar com a vinícola mais austral do mundo. Realmente, esta região tem os vinhedos que mais se aproximam do Polo Sul. A Patagônia vem se transformando em um destino importante para enófilos, enólogos e viajantes ávidos por conhecer lugares “fora do comum”, pelas suas incríveis belezas naturais em suas planícies ventosas, suas montanhas nevadas e grandes geleiras.


A produção ainda é pequena, se comparada à dos vinhedos de Mendoza e dos vales mais centrais do Chile, mas os vinhos patagônicos vêm sendo cada vez mais elogiados. Produzidos em altitudes que variam de 300 a 500 metros acima do nível do mar, em regiões como Rio Negro, Neuquén, La Pampa (na Argentina) e Vale de Puelo, Cochamó e Aisén, no Chile, os “vinhos do fim do mundo” têm sabor intenso, cor forte e riqueza aromática. Essas características são oriundas de fatores como a aridez da região, o frio do inverno e as noites frescas do verão.


No passado, a aridez impedia a formação de vinhedos nessa região, que requer sistemas de irrigação pela falta de chuvas, mas graças aos colonizadores ingleses, que no século 19 cavaram canais de irrigação às margens do Rio Negro, a agricultura local foi viabilizada. Cultivadas em altitude menos elevada do que em outras regiões vinícolas argentinas, como Mendoza, San Juan e Salta, as uvas patagônicas têm um período de amadurecimento mais longo e lento, que lhes confere características especiais.


Nos 4.550 hectares de vinhedos plantados na região patagônica, é cultivada uma grande quantidade de uvas, que geram vinhos para gostos variados. Entre os tintos, destacam-se Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Pinot Noir e Malbec. Já para quem prefere os brancos, a dica é experimentar os Chardonnay, Sauvignon Blanc, Viognier e Sémillon. Fala-se muito nos Pinot Noir patagônicos, que na minha opinião são espetaculares, mas em termos de autenticidade, a Sémillon gera exemplares equilibrados que evoluem muito bem com o tempo na garrafa, com nuances aromáticas complexas e grande personalidade no paladar.


A Pinot Noir gera vinhos que quando bem vinificados, mostram-se complexos e harmônicos, combinando acidez refrescante e ótima concentração de fruta, com boa expressão do terroir local. Evite compará-los a Pinot Noir da Borgonha. Na Patagônia, vale à tipicidade da uva. Muitas vinícolas focam a produção no aperfeiçoamento dessa casta, considerada temperamental, e de difícil cultivo. Uma destas vinícolas é a Humberto Canale, a oeste de Neuquén, bem perto da cidade de General Roca. É a vinícola mais antiga da Patagônia, em atividade há 110 anos. Além de restaurante, o lugar oferece passeios guiados, participação na colheita e até trekking.


Outra visita imperdível é na Otronia, bodega que faz parte do Grupo Bulgheroni, do bilionário Alejandro Bulgheroni, que aliás é o proprietário da Garzon no Uruguai. Na Patagônia, a Otronia trabalha em condições quase extremas, com bastante atenção ao processo para vencer as condições inóspitas, busca fazer um trabalho inédito, produzindo vinhos que lembram os da Borgonha em elegância, refletindo o terroir sofrido da região.


Nas adegas biodinâmicas da Bodega Chacra encontramos os Pinot Noir mais famosos da Patagônia, produzidos, em um processo beneficiado pelos vinhedos antigos e abandonados por colonizadores italianos e que foram plantados há mais de 80 anos.


Do lado argentino, Neuquén é a principal região vitivinícola da Patagônia e sua capital, homônima (430 quilômetros ao sul de San Carlos de Bariloche), é a base para viajantes que querem submergir na produção das vinícolas locais. Sede de um bom aeroporto regional, Neuquén permite visitas a adegas nas regiões de Rio Negro e da própria província de Neuquén.


Sugerimos uma visita a Bodega da Familia Schroeder, aberta para visitantes, que oferece um bom restaurante (sem hospedagem). Em 2003, durante a escavação para o estabelecimento do vinhedo, os trabalhadores encontraram o fóssil de um Gigantosaurus — que se tornou marca registrada nos rótulos dos vinhos da vinícola. Perto dali temos a Bodega del Fin del Mundo, que abriga 2.400 barricas, com capacidade de produção de 8 milhões de litros de vinho por ano.


Outra vinícola com apelo gastronômico, é a Bodega Malma, que também merece uma visita por suas modernas instalações, com um restaurante onde brilha a cozinha patagônica, que inclui pratos como o tradicional cordeiro e a truta, peixe abundante nas águas frias dos rios e lagos da região. Para uma visita exclusiva, a dica é se hospedar na Casa Malma, a pousada da vinícola, construída entre os vinhedos, com capacidade para cinco pessoas.


A vinicultura na Patagônia chilena é uma fronteira emergente focada em vinhos de clima frio, com vinhedos localizados no extremo sul, principalmente no Vale de Osorno. Caracteriza-se por produções artesanais de alta qualidade, destacando-se castas como Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc, que se beneficiam da maturação lenta e do terroir único, resultando em vinhos frescos, minerais e com excelente acidez. 


A região ao sul do paralelo 39º oferece noites frescas de verão e um clima rigoroso, ideal para uvas que exigem maturação prolongada. Áreas como o Vale de Puelo, Cochamó, Aisén e, especialmente, o Vale de Osorno, abrigam projetos vinícolas ousados.


A Viña Trapi é um exemplo notável, produzindo vinhos elegantes em meio às condições geográficas da Patagônia Chilena, criando vinhos reconhecidos por sua intensidade aromática, cor forte e perfil gastronômico.


Outra vinícola imperdível é a de Francisco Baettig e Carlos de Carlos que lançaram o projeto Viñedo los Suizos em 2003, com vinhas situadas em Traiquén, província de Malleco, a cerca de 600 quilômetros ao sul de Santiago. Seu Pinot Noir foi elaborado a partir de vinhedos jovens (plantados em 2013) e de cultivo sustentável, cultivados em solos vulcânicos a 250 metros de altitude.

 

ENOTURISMO NO CHILE - O Chile é um destino vinícola de renome mundial, com uma ampla variedade de vales que produzem vinhos de alta qualidade. Assim sendo, o enoturismo é uma das atividades mais populares para quem visita o país. Por ser um país longo e estreito, protegido pelos Andes e pelo Pacífico, o Chile conta com uma geografia única que permite o clima adequado para o desenvolvimento das melhores castas do mundo.


Mergulhar na cultura do vinho chileno combina paisagens impressionantes, uma gastronomia de primeiro nível e, claro, degustações deliciosas. Desde os vales costeiros perfeitos para os frescos vinhos brancos, até às zonas interiores onde amadurecem os tintos, cada região oferece uma identidade única.


O enoturismo, que cresce ano a ano em todas as regiões vinícolas, se tornou um dos principais atrativos da região metropolitana de Santiago, pois é ali do lado que está um dos vales mais tradicionais do país, o Vale do Maipo, que abriga algumas das vinícolas mais antigas e celebradas do país. 

 

Vale do Maipo - Dentro da Região Metropolitana, o Vale do Maipo é o berço do vinho chileno e o lar de algumas das adegas mais antigas e prestigiadas do país. É reconhecido mundialmente pelo seu excecional Cabernet Sauvignon, com vinhas de nível mundial que combinam história e vinho nos seus hotéis, vinhas e museus.


Foi aqui que os conquistadores espanhóis plantaram as primeiras vinhas durante o período colonial, ou seja, a tradição do vinho está enraizada na cultura. O vale é um dos territórios mais importantes para a vinicultura chilena, onde estão alguns dos principais produtores, como a Concha y Toro, Santa Rita, Viña Carmen, Santa Carolina, De Martino, Santa Ema, Perez Cruz, Undurraga, El Principal e Haras de Pirque, por exemplo. 


Os tours, que são compostos de visitas e degustação, podem ser de uma ou duas vinícolas, há a opção de almoçar em alguma delas e fazer uma refeição harmonizada. Porém também é possível ter um programa diferente, como andar a cavalo na Haras de Pirque (onde há criação de equinos), “harmonizar” vinhos e ecoturismo na La Montaña ou andar de bicicleta por algumas vinícolas da rota.


Além destas, há outras vinícolas que também oferecem ótimos tours fora da rota, como a Concha y Toro, Undurraga, Tarapacá, Santa Rita, Aquitania e Cousiño Macul, entre outras (são mais de 40 vinícolas no vale). Todas elas, além de mostrar a vinícola, os vinhedos e as instalações, têm opções de degustação.

 

Vale de Casablanca - Localizado estrategicamente entre Santiago e Valparaíso, o Vale de Casablanca é o referente dos vinhos brancos no Chile. O seu clima fresco, com forte influência do Oceano Pacífico, é ideal para produzir Sauvignon Blanc e Chardonnay frescos e aromáticos. Aqui encontrará vinhas pioneiras em agricultura orgânica e biodinâmica, com dezenas de adegas de primeiro nível para explorar.


Considerada uma das melhores áreas para quem quiser passeios envolvendo vinhos, ela conta com uma área de cerca de 6 mil hectares, com vinícolas belíssimas e super bem estruturadas, como a Vinícola Emiliana - que em 1998 começa um longo processo para se tornar uma vinícola orgânica. Em 2001 saiu o primeiro vinho orgânico – o Coyam, que é minha sugestão para você provar e trazer uma garrafa (pelo menos) para sua adega.


É um roteiro em que se pode levar a família inteira, porque você poderá apreciar diversos animais, fazendo com que as crianças aproveitem bastante, ficando horas e horas observando pavões, ovelhas, galinhas, lhamas. E depois, aproveitar uma degustação incrível e super saborosa de queijos, chocolates e vinhos.


A Vinícola Matetic se diferencia de outras vinícolas da região pelo fato de ser orgânica e biodinâmica. Então, se você quiser vivenciar uma experiência única e 100% natural, não pode deixar de pensar nela na hora de fazer um enoturismo no Chile. O vinho da Matetic é de uma excelência acima da média, elogiado não só pelos chilenos como por críticos e turistas do mundo inteiro.


A vinícola Casa Marín é uma vinícola orgânica de porte pequeno, mas apesar do tamanho, ela é muito requisitada na região, tendo recebido prêmios importantíssimos de excelência no mercado. A recomendação principal está em seus vinhos brancos, entre os melhores do Chile.

 

Vale de Leyda - Localizada no lado oeste da cordilheira costeira do Chile, a apenas 4 km do Oceano Pacífico, está a região do Vale do Leyda. Conhecida pela presença da vinícola de mesmo nome – Leyda, e de outras como a Viña Garcés Silva (Amayna), Boya, Undurraga e a Tarapacá, a área é agraciada por seu clima frio e próximo ao mar, perfeito para a produção e o amadurecimento das melhores uvas.


Apesar de recente – a área não era explorada até os anos 1990 e só ganhou registro de marca e Denominação de Origem do Vale do Leyda em 1998 e 2001, respectivamente – a região, hoje, é especialista em vinhos de qualidade premium, com destaque para seus Chardonnays e Pinot Noir. 

           

O estilo dos rótulos produzidos em Leyda envolvem uso de pouca madeira para ressaltar a pureza dos vinhos e estudos de utilização de leveduras em diferentes clones das videiras, para desenvolver uma levedura própria para realçar ainda mais o sabor das suas uvas. Os vinhos do Vale do Leyda são frequentemente elogiados por sua elegância, frescor e mineralidade, características que refletem as condições únicas do terroir desta região vinícola chilena.


A brisa marítima ajuda a manter as temperaturas mais baixas durante o período de amadurecimento das uvas, o que é especialmente benéfico para variedades que prosperam em climas mais frescos.


Aliás, é por conta desse clima que as uvas conseguem amadurecer lentamente, o que melhora os sabores, aromas e acidez naturais dos rótulos produzidos por lá, ao mesmo tempo que acrescentam um caráter salino aos vinhos.

 

Vale do Cachapoal - Localizado a cerca de 100 km ao sul de Santiago, é uma das regiões vinícolas mais férteis e prestigiadas, famosa pela produção de vinhos tintos potentes e de alta qualidade, especialmente Carmenère e Cabernet Sauvignon. Faz parte do Vale de Rapel e beneficia de um clima mediterrâneo, com influência da Cordilheira dos Andes.


Aninhado entre a Cordilheira dos Andes e a Cordilheira da Costa, o vale beneficia-se de um microclima ideal que favorece o cultivo de uvas de alta qualidade, permitindo aos vinicultores explorar a expressão única do terroir chileno.


Enquanto o Carménère se destaca como a variedade emblemática do vale, refletindo a identidade vinícola do Chile, o Cabernet Sauvignon, Merlot, e Syrah também são cultivados com sucesso, produzindo vinhos tintos de reconhecida qualidade. Varietais brancas como o Sauvignon Blanc e o Chardonnay estão ganhando espaço, mostrando a versatilidade do vale.


Vinícolas de renome como Viña Vik, Altaïr, e Anakena refletem o dinamismo e a inovação do Valle de Cachapoal. Estas propriedades são conhecidas não apenas pela qualidade de seus vinhos, mas também por sua arquitetura impressionante e compromisso com a sustentabilidade.


Situada em 4.300 hectares no Vale Millahue (no Cachapoal), a VIK é uma das vinícolas mais exclusivas do mundo. Já foi eleita a segunda melhor pela World’s Best Vineyards 2024 e já foi considerada a melhor da América do Sul. A Vik é considerada uma visita imperdível (no melhor estilo de ir a Roma e ver o Vaticano), projetada pelo norueguês Alexander Vik, financista bilionário com experiência em hotelaria.


Ele queria um vinho que competisse com os melhores do mundo, um vinho de château, de estilo bordalês, e encontrou o lugar que procurava no terroir de Millahue, no meio de Colchagua, a 200 km sul da capital Santiago. Com uma adega moderna, o hotel é uma construção futurista no alto de uma colina com vista em 360 graus com teto de titânio.  Nas laterais da construção do hotel há 22 quartos, cada um com decoração temática criada por um artista convidado.


Além das acomodações de luxo, os visitantes estão inseridos em um ambiente com excelentes experiências gastronômicas e uma variedade de atividades para aqueles que desejam sair ou apenas relaxar e admirar as vistas. Os aventureiros podem escolher andar de bicicleta ou a cavalo ao redor das vinhas. Aulas de ioga também são oferecidas. Além das atividades ao ar livre, os hóspedes podem marcar uma hora no spa ou aproveitar a piscina infinita.

 

Vale de Colchagua - Situado mais distante um pouquinho, a 150 km ao sul de Santiago, o Vale de Colchagua é perfeito para os apaixonados por vinhos das tintas Cabernet Sauvignon, Carménère e Syrah.


Uma das vinícolas mais famosas da região é a Vinícola Santa Cruz, porque além de charmosa, utiliza de painéis solares para gerar energia. Tem um misto de modernidade com tradição que todo turista ama.


A vinícola Montes, situada no Valle de Colchagua, é super diferenciada. Na sala de barricas, os vinhos descansam em meio a uma trilha sonora de cantos gregorianos. Um ponto importante também é o fato desta vinícola seguir uma filosofia oriental feng shui. Os seus vinhos são super recomendados.


Na região do Valle de Colchagua você tem também a Viu Manent. Ela tem cerca de 85 anos de existência. A vinícola é bastante voltada ao vinho tinto, então se esta for a sua “praia”, certamente irá adorar a Viu Manent. Ao longo de um passeio por esta vinícola (muitas vezes feito em charretes puxadas por garbosos cavalos), você poderá fazer uma série de registros incríveis, conhecer salas de barricas, tanques e máquinas, fazer uma degustação extraordinária e estar em contato com muita área verde e jardins. Minha recomendação é provar o Viu 1, um malbec expressivo e que em nada lembra o vinho argentino.

 

Vale do Maule – A região vinícola do Vale do Maule está localizada no vale central do Chile, aproximadamente 250 km ao sul da capital Santiago. Esta região vinícola foi uma das primeiras no Chile a plantar videiras e a história da viticultura na região remonta aos tempos da colonização espanhola. O Vale do Maule é considerado a principal região produtora de vinhos em massa do Chile. Atualmente, existem 30.000 hectares de terra cultivada com videiras e os produtores de vinho aqui tendem a se concentrar na quantidade em vez da qualidade.


Além da produção de vinhos, essa região é conhecida por sua extraordinária beleza natural e charme. É o lugar perfeito para os turistas do vinho passarem longos dias explorando as maravilhosas vinícolas que estão espalhadas pelo vale e pelo campo.


O Vale do Maule, uma das maiores e mais antigas regiões vinícolas do Chile, destaca-se pela produção de Cabernet Sauvignon, Carménère e uvas patrimoniais (País/Moscatel) em solos vulcânicos. Vinícolas notáveis incluem a histórica Casa Donoso, a familiar Balduzzi, Gillmore e a moderna Via Wines, ideais para degustações, passeios e experiências enoturísticas, especialmente perto de Talca e San Javier.


A vinícola Bouchon conta com quatro propriedades, todas no Maule (Mingre, Las Mercedes, Santa Rosa e Batuco), que somam 200 hectares plantados. Foi fundada nos anos 70 por Julio Bouchon pai e hoje é liderada por seus filhos Julio, Juan e María, artífices de várias de suas mudanças recentes. Para complementar seu catálogo de Cabernet, Carménère e outras típicas variedades bordalesas, começaram a elaborar vinhos com outras castas como País, Semillon e Carignan, passando a ser das mais audaciosas do Chile. Essas variedades esquecidas que têm raiz no Maule, a exemplo da País, com a qual fazem o vinho “País Salvage”, que vem de vinhas que sobem até três metros nas árvores e são colhidas usando-se escadas para alcançar seus cachos.

 

Vale de Curicó - Aqui são quase 25 mil hectares voltados à produção de vinho. Além da bebida em si, essa região é muito indicada para quem quiser uma gastronomia de qualidade e com bastante sabor. Ou seja, a combinação perfeita! Para visitar, não deixe de inserir no seu roteiro as adegas como a Miguel Torres que é uma vinícola cheia de história, comandada pela família Torres de origem espanhola. A principal dica para os turistas que forem até ela é para que não deixem de fazer a degustação, que busca harmonizar os vinhos com queijos e chocolates. Tudo muito delicioso.


Outra vinícola do Valle de Curicó é a vinícola San Pedro, rica em história e tradição. Um ponto que a destaca das demais é o fato de ter uma das maiores extensões de vinhedos da América Latina. Além disso, ela também tem um cuidado com a agricultura sustentável, o que faz toda a diferença para a qualidade de seus vinhos.

 

Vale do Elqui - Graças à aridez do Deserto de Atacama, no norte do Chile encontrará os céus mais limpos do mundo. Aqui encontra-se o Vale do Elqui, o berço do pisco e um destino mágico para o astroturismo, assim como produção de vinhos de grande qualidade como o Syrah. Prepare-se para desfrutar de provas místicas que combinam vinho e pisco numa paisagem espetacular.

 

Vale de Itata - Localizado na Região de Bio-Bío, o Vale de Itata é um dos vales mais antigos e com mais história do Chile, remontando à chegada dos colonos espanhóis. Este vale é o epicentro de castas patrimoniais como Cinsault e País, com vinhas centenárias. Aqui, o enoturismo vive de forma sustentável e familiar, com pequenos produtores e projetos que resgatam técnicas de vinificação ancestrais, inclusive com produção de vinhos em ânforas (chamadas de tinajas no Chile).

 

Nesta parte III destacamos destinos do enoturismo na América do Sul! O enoturismo brasileiro vem no próximo artigo! Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).

 

O QUE CHAMA A ATENÇÃO NO BRASIL:


Vale do São Francisco (PE/BA): Vinhos tropicais com sol intenso, vinícolas como Rio Sol oferecendo passeios e cruzeiros no rio.


Serra Catarinense (SC): Vinhos de altitude com paisagens de montanha, ideal para colheitas entre janeiro e março, com turismo rural e gastronômico.


Vale dos Vinhedos (RS): Reinventando-se com arquitetura moderna (Miolo), experiências descontraídas e voos de degustação.


São Roque (SP): Roteiro do Vinho com fácil acesso, unindo produção de vinho e gastronomia.

1 comentário


De Campos
De Campos
20 de fev.

Texto sublime e envolvente. Consegue cativar e inspirar para uma visita. Obrigado.

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O que é o VINOTÍCIAS...

O VINOTÍCIAS foi criado por Márcio Oliveira, com o intuito de disponibilizar em um único espaço dicas de vinho, enogastronomia, eventos, roteiros de viagens e promoções. Inicialmente era disponibilizado na forma de uma newsletter para alunos, ex-alunos e amantes do vinho, com o crescimento do mercado e o amadurecimento do projeto a necessidade de um espaço maior para tantas informações se fez necessário e assim surgiu o blog e o site.

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