“OS DESTINOS DO ENOTURISMO EM 2026 – PARTE IV”
- Marcio Oliveira - Vinoticias
- 24 de fev.
- 8 min de leitura
Nos artigos anteriores escrevemos sobre regiões de enoturismo na Europa, países vizinhos na América do Sul, e neste em especial vamos focar no Brasil.

O QUE CHAMA A ATENÇÃO NO BRASIL – Única nação no mundo a trabalhar com três tipos de vitivinicultura – a Tradicional, com cultivo de uvas colhidas no verão, forte no Sul; a Dupla Poda, ou Vinhos de Inverno, sistema que vem ganhando força na última década e transformando diversas regiões do Brasil, do Sudeste ao Nordeste, e a Tropical, concentrada principalmente no Vale do Rio São Francisco, onde são realizadas pelo menos duas safras ao ano, chama a atenção pelas oportunidades que estão sendo abertas para o enoturismo.
No Vale do São Francisco (PE/BA) os vinhos tropicais são criados sob sol intenso, e vinícolas como a Rio Sol oferece passeios e cruzeiros no rio. Na Serra Catarinense (SC), são produzidos vinhos de altitude com paisagens de montanha, ideal para colheitas entre janeiro e março, com turismo rural e gastronômico. Já no Vale dos Vinhedos (RS), que vem reinventando-se com arquitetura moderna, experiências descontraídas e ótimas degustações.
Em resumo, num país de grandes dimensões como o nosso, as experiências em enoturismo são possíveis de Norte a Sul e de Leste a Oeste (já há produção de vinho em Roraima!), mas as realidades para visitas, hospedagens e alimentação não são as mesmas em todos os cantos e vale a pena se informar antes de preparar um roteiro de viagem.
Este artigo traz várias informações e várias indicações de visitas às vinícolas, mas está longe de reunir todas elas e atender a todo mundo do vinho brasileiro.
● ROTEIROS PELO SUL DO BRASIL - O enoturismo no Sul do Brasil, concentrado principalmente na Serra Gaúcha (RS), oferece experiências imersivas como degustações, vindima (fevereiro/março), piqueniques e hospedagens em vinícolas familiares ou grandes produtoras. Com destaque para o Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves, Garibaldi) e os vinhos de altitude em Santa Catarina, o setor combina cultura italiana, paisagens cênicas e vinhos de excelência.
O turismo associado à vitivinicultura ocorre na região da Serra Gaúcha (RS/Brasil) há mais de 100 anos. A identidade cultural, a diversificação dos produtos oferecidos e a melhoria da qualidade dos mesmos são os maiores atrativos para o enoturismo, constituindo-se em fonte de crescimento econômico regional.
A região sul, que detêm a maioria da produção de vinhos no país – cerca de 90% - lidera também o enoturismo com diversas vinícolas oferecendo a oportunidade de passeios.
As principais regiões onde o vinho fino é produzido no Rio Grande do Sul são a Serra Gaúcha, Campos de Cima da Serra, Serra do Sudeste, Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste. Em Santa Catarina a produção de uvas se concentra na Serra Catarinense, no Planalto Oeste Catarinense, Urussanga e Vales da uva Goethe. No Paraná, entre outros lugares, o vinho é produzido na região Metropolitana de Curitiba e no Planalto Oeste Paranaense.
♦ VALE DOS VINHEDOS - No início dos anos 1990, no Vale dos Vinhedos, havia poucas vinícolas que recebiam turistas e o comércio direto com o visitante era pequeno - nem sempre o visitante é um turista e nem sempre o turista é um grande consumidor. Geralmente, era alguém da família, formado em enologia ou com algum conhecimento sobre o assunto, que fazia a recepção, explicava a produção da uva e do vinho, o conduzia para conhecer o vinhedo, a vinícola e, ao final da visita, oferecia uma pequena degustação e comércio dos seus produtos. Outra ação semelhante foram os cursos de degustação que, aos poucos, algumas vinícolas do Vale passaram a ministrar, geralmente nos finais de semana.
Atualmente, há no Vale dos Vinhedos mais de 30 vinícolas que produzem vinhos finos. A maior parte recebe visitantes. A Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (APROVALE) e muitas empresas, individualmente, implementaram ações de modo a atrair turistas. A importância do enoturismo pode ser avaliada pelo comércio de vinhos e derivados realizados diretamente no varejo das vinícolas, em especial as de menor porte - atingindo até 70% da produção, segundo informaram alguns dos proprietários.
O crescimento do fluxo desses turistas levou as empresas a criarem espaços internos específicos à recepção, além dos externos, como estacionamentos, por exemplo, e à contratação de recursos humanos para atendimento. É voz corrente no Vale “Um turista feliz transforma-se em muitos turistas que visitam a região e em vinhos que serão comercializados”.
Na Região do Vale dos Vinhedos, esta fase permitiu a expansão e o surgimento de diversas atividades relacionadas ao enoturismo. Há uma vinícola que construiu uma pousada para hospedagem; outras estruturaram espaços para almoços e jantares; um consórcio de uma vinícola construiu o Spa do vinho; um grande hotel foi construído, inclusive com museu e infraestrutura e capacidade para sediar eventos. Outras atividades também se desenvolveram como duas queijarias, uma agroindústria de geleias e uma pequena indústria de massas e biscoitos.
Há na região um revigoramento geral na produção de conservas, compotas, geleias, biscoitos e massas artesanais, assim como do artesanato de crochê, de cestas em vime e em palha de trigo (l’sporte), mesmo que a palha seja importada, entre outros produtos.
O que antes era para consumo familiar, feito geralmente pelas mulheres em sua terceira ou quarta jornada de trabalho, cresce e se torna uma atividade rentável. A comercialização da produção ocorre nos varejos das vinícolas, em quitandas ou em lojas especializadas em comércio de artesanato, no vale e nas cidades da região. No Vale dos Vinhedos, o enoturismo tem incorporado outra característica comum em regiões vinícolas: a criação de condições para que o enoturista consuma não só o vinho, mas também a paisagem e a cultura da região.
No Brasil, uma Indicação Geográfica pode apresentar duas classificações: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). Em 2012, houve o reconhecimento do Vale dos Vinhedos como Denominação de Origem (DO). Foi a primeira região do Brasil a ser reconhecida como indicação geográfica de viticultura, por conta das características únicas de solo, clima, topografia e cultura local.
Para um vinho ser classificado como DOC Vale dos Vinhedos, as vinícolas devem preenchem as seguintes regras:
vinho varietal: mínimo de 85% da casta principal. Vinho tinto – Merlot. Vinho branco – Chardonnay.
vinho assemblage: vinho tinto com no mínimo 60% de uva Merlot, podendo ser complementado com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat. Vinho branco com no mínimo 60% de Chardonnay, podendo ser complementado com Riesling Itálico.
espumante: vinho base com no mínimo 60% de casta Chardonnay e/ou Pinot Noir, podendo ser complementado por Riesling Itálico. Só pode ser elaborado pelo método tradicional, através da fermentação na própria garrafa (champenoise).
produção: as normas sobre método de plantio, quantidade de uva por hectare, procedência da uva e outras podem ser consultadas na Embrapa.
Sugestão de Roteiro pela Região do Vale dos Vinhedos e Serra Gaúcha:
1.º dia: vinícolas em Bento Gonçalves
2.º dia: vinícolas em Bento Gonçalves
3.º dia: vinícolas em Pinto Bandeira
4.º dia: vinícolas em Garibaldi
5.º dia: vinícolas da região do rio das Antas
6.º dia: visitar alguma vinícolas que ficou faltando em Bento Gonçalves
• Principais vinícolas no Vale dos Vinhedos
• Miolo Wine Group: Uma das maiores e mais tradicionais vinícolas do Brasil, a Miolo oferece visitas guiadas, degustações e um amplo portfólio de vinhos premiados.
• Casa Valduga: Conhecida por seus espumantes de alta qualidade, a Casa Valduga proporciona uma experiência completa, com opções de hospedagem e um restaurante refinado.

• Lidio Carraro: Famosa por sua filosofia de mínima intervenção e vinhos expressivos, a Lidio Carraro é uma visita obrigatória para os enófilos.
• Pizzato: A vinícola Pizzato fica no município de Monte Belo do Sul, muito próximo do Vale dos Vinhedos e uma visita é recomendada. Os vinhos são excelentes, vários premiados, sendo uma das principais vinícolas do Vale dos Vinhedos.
• Peculiare: A vinícola Peculiare é uma pequena vinícola familiar do Vale dos Vinhedos, que produz ótimos vinhos!
• Larentis: A vinícola Larentis é uma das vinícolas pequenas do Vale dos Vinhedos que oferece a experiência de piquenique. Um dos mais famosos da região.
• Almaúnica: Uma das vinícolas imperdíveis do Vale dos Vinhedos e última desta seleção localizada no município de Bento Gonçalves. Sua entrada, ladeada por ciprestes é fotogênica, lembrando a Itália.
• Principais vinícolas em Garibaldi – a cidade é muito conhecida pela produção de espumantes, de forma que visitas a vinícolas Peterlongo, Garibaldi, Chandon, Adolfo Lona, Courmayer, são as mais recomendadas.
• Principais vinícolas em Pinto Bandeira
• Família Geisse - Localizada na região de Pinto Bandeira, a Família Geisse é considerada a produtora dos melhores espumantes do Brasil. Por isso, é uma vinícola imperdível para colocar no seu roteiro.
• Don Giovanni: A vinícola Don Giovanni é uma graça, com uma pousada bastante romântica para quem deseja se hospedar no Vale dos Vinhedos, em meios aos vinhedos.

• Valmarino: A vinícola Valmarino está na região de Pinto Bandeira e é uma linda propriedade. A cantina oferece uma degustação individual e livre (sem o acompanhamento de enólogo), onde se pode escolher os vinhos que quer provar. Não perca a oportunidade de provar os vinhos da Linha Churchill, em especial o espumante e o Cabernet Franc (na minha opinião um dos melhores do Brasil).
• Principais vinícolas do Vale do Rio das Antas
• Salton: A Salton é uma das mais tradicionais fabricantes de vinho e espumantes do Brasil, fundada em 1910! Oferece uma visita guiada pelos vinhedos e cantina de produção, localizada no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves Se preferir, você pode apenas visitar a loja e degustar alguns vinhos ali.
• Dal Pizzol: A vinícola Dal Pizzol, na área do Vale do Rio das Antas, possui um belo parque, um Ecomuseu, um jardim botânico com várias das castas de vitis viníferas, e experiências como degustação às cegas e piquenique.
• Cristofoli: A Cristofoli é uma vinícola familiar que produz ótimos vinhos, com ótimas experiências de degustação. A cantina fica em Faria Lemos.
Dicas Extras:
• Flores da Cunha: Flores da Cunha está a 60 km de Bento Gonçalves, em uma viagem de cerca de 1 hora de carro. Lá está localizada a vinícola Luiz Argenta, já eleita uma das mais bonitas do mundo. Recomendo a visita guiada, com degustação.
• Farroupilha: A cidade de Farroupilha é considerada a capital do vinho Moscatel no Brasil, pois é a maior produtora de uva moscato do país. Está a 22 km de Bento Gonçalves, em uma viagem de 30 minutos de carro. A vinícola Casa Perini, cujos espumantes possuem bom custo x benefício é uma referência da cidade.
• Campos de Cima da Serra (Rio Grande do Sul) - Localizada na região dos Aparados da Serra, a área de Campos de Cima da Serra vem se destacando pela produção de vinhos finos de alta qualidade. Com altitudes que variam entre 900 e 1.400 metros, o clima frio e a grande amplitude térmica favorecem o cultivo de uvas como Pinot Noir, Chardonnay e Riesling.
• Principais vinícolas em Campos de Cima da Serra
• Vinícola Guatambu: Situada em Dom Pedrito, é reconhecida pela excelência de seus vinhos tintos e brancos, além de práticas sustentáveis.
• Vinícola Salvattore: Localizada em Monte Alegre dos Campos, oferece uma experiência enoturística completa, com vinhos que refletem o terroir único da região.
• Planalto Catarinense (Santa Catarina) - Santa Catarina vem ganhando notoriedade no cenário vinícola nacional, especialmente nas regiões de São Joaquim, Campos Novos e Videira. O clima frio e a altitude elevada são fatores determinantes para a produção de vinhos de alta qualidade, destacando-se as uvas Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Merlot.
• Principais vinícolas no Planalto Catarinense
• Vinícola Villa Francioni: Em São Joaquim, é conhecida por seus vinhos elegantes e sua arquitetura impressionante, que inclui uma galeria de arte.
• Vinícola Pericó: Também em São Joaquim, destaca-se pela inovação e vinhos premiados, como o Icewine, produzido a partir de uvas congeladas naturalmente.
Na próxima semana escreveremos sobre os Roteiros pelo Sudeste e Centro Oeste brasileiro! Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não do artigo!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação ao tema).

