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  • Foto do escritorMarcio Oliveira - Vinoticias

“VINHOS INSULARES – A MADEIRA E SEUS VINHOS – PARTE 3.1”

O Arquipélago da Madeira fica mais próximo da África que, necessariamente da Europa (a ilha da Madeira fica a cerca de 300 milhas da costa de Marrocos). E esta parte ultramarina de Portugal, tem uma história única de produção de vinhos. 



Não dá para citar os vinhos da Ilha da Madeira (que é a principal do arquipélago) sem antes escrever sobre a própria história da ilha.


As origens da ilha da Madeira remontam ao período Miocénico, há cerca de 5 milhões de anos, quando explosões vulcânicas ocorreram na parte ocidental do Oceano Atlântico. Erupções sucessivas depositaram camadas de lava, cinza e rochas que acabaram por emergir formando uma série de ilhas: a Madeira, a maior e hoje mais povoada; dezenas de quilómetros a nordeste o Porto Santo, a outra ilha habitada; a leste, as pequenas e despovoadas ilhas Desertas; e a 250 km para sul do Funchal as Selvagens, hoje classificadas como reservas naturais.


O arquipélago estava desabitado até 1419, quando o navegador português João Gonçalves Zarco aportou ao Arquipélago. No entanto, gregos, romanos, fenícios e árabes já por aqui teriam certamente passado, durante as suas expedições pelo Atlântico Norte. A chegada, em 1419, dos primeiros navios portugueses terá sido fortuita. Navegadores ao serviço do Infante D. Henrique deram com o Porto Santo quando, ao explorarem a costa da Guiné, foram arrastados para noroeste por uma violenta tempestade. A ilha viria, por isso, a ser batizada como Porto Santo. Com a aprovação do Infante, a frota regressou um ano mais tarde para estudar uma outra forma vista à distância, para sudoeste e envolta em brumas, à maneira de um monstro tenebroso. Era a Ilha da Madeira.


Vista de perto, as novas terras devem ter aparecido aos seus descobridores como uma visão encantada, um paraíso verdejante a flutuar no meio do Atlântico. Foi imediatamente batizada de “Madeira” por causa da vegetação abundante que a cobria. Os troncos gigantes das árvores da Madeira influenciaram a construção naval portuguesa, permitindo dotar as caravelas de mastros mais altos e elevar os castelos da proa e da ré, o que contribuiu para o sucesso de viagens como a de Vasco da Gama à Índia (1498).


Portanto, descoberta em 1419, quando os portugueses começaram a fazer contínuas explorações na costa africana, em 1450 já se fazia vinho por lá, e ele foi degustado por personagens célebres da História, como Shakespeare, Thomas Jefferson e Napoleão.


As videiras foram trazidas para a Madeira pelos colonos da região portuguesa do Minho, junto com a cana-de-açúcar e trigo, no século XV. As anotações de Luis de Cadamosto, navegador oriundo de Veneza, relatam a introdução da uva Malvasia de Cândia logo no início da colonização insular. Através de seu foco na viticultura e determinação no crescimento de excelentes videiras, as vinhas logo cobriram grande parte da paisagem da Madeira. A princípio, os produtores de vinho da Madeira produziram vinhos ainda brancos e tintos, no entanto, desde o século XVIII, esta região vinícola tornou-se conhecida internacionalmente especificamente por seus vinhos fortificados. Combine isso com a requintada beleza natural que faz da Madeira um lugar que não deve ser desperdiçado.


A região vinícola da Madeira faz parte da DOC Madeira, bem como IG Terras Madeirenses. A região é conhecida pela produção de vinho fortificado com o nome do local onde é feito - vinho Madeira. As videiras da região vinícola são cultivadas principalmente nas pérgolas tradicionais (socalcos ou terraços). A partir dessas pérgolas, os cachos ficam baixos, onde são sombreados do sol pelas folhas. Este método produz altos rendimentos de uvas que têm um alto nível de acidez. Esse recurso das uvas é o que torna os vinhos da Madeira tão únicos.


Outras áreas de vinificação notáveis da região de vinificação da Madeira incluem Seixal e São Vicente. Lá você pode encontrar inclusive vinhos espumantes. Nos últimos tempos, o espumante tornou-se extremamente popular entre os amantes de vinhos, já que espumantes produzidos em ilhas são sempre algo incomum. O espumante português da Ilha da Madeira repete o repertório de aromas e sabores com toques de brioche, torradas e biscoitos, comuns aos grandes vinhos de outras regiões de produção reconhecida como a Champagne e a Lombardia.


Os vinhos da Madeira são conhecidos por ter vários perfis de sabores diferentes. Apesar disso, a maioria desses vinhos carrega os sabores de açúcar, caramelo, pêssegos, nozes, laranjas e avelãs. A DOC Madeira é mais conhecida por seu vinho fortificado. Esses vinhos estão disponíveis em vários níveis de doçura. Os vinhos de sobremesa da Madeira que são considerados melhores são os envelhecidos por um período de tempo relativamente curto.

O Madeira é um vinho fortificado, variando de doce a seco, feito principalmente com uma variedade de uvas, incluindo a tinta Negra Mole, Sercial, Verdelho, Bual (também conhecida como Boal) e Malvasia (também conhecida como Malmsey).


Um aspecto fascinante que contribui para a distinção do vinho da Madeira é a variedade de solos encontrados na ilha, o que afeta as nuances do vinho final. Algumas vinhas estão plantadas em solos rochosos, enquanto outros são de natureza vulcânica. A natureza do terroir também contribui para a acidez e as características minerais do vinho da ilha. Essas peculiaridades geográficas e climáticas tornam o vinho da Madeira realmente único.


Como em outros vinhos fortificados, como Marsala, Porto e Jerez (Sherry), o Madeira é feito com a adição de um destilado de uva. Graças a essa dose adicional de álcool, o Madeira tem um nível mais alto de álcool, geralmente cerca de 18-20% ABV versus 12-14,5% de álcool, mais comum para os vinhos finos do mercado.


Mas, diferentemente de qualquer outro tipo de vinho do mundo (incluindo seus irmãos fortificados), o Madeira é uma criação singular graças ao seu processo único de envelhecimento.


O Vinho Madeira passa por um processo notável de envelhecimento que o diferencia de seus colegas. Os Vinhos desta ilha são únicos. Não só pela sua doçura maravilhosa e palato texturizado, mas também por sua capacidade de resistir. A maioria dos vinhos do mundo se oxidará quando deixado aberto, mas, no Madeira, isso não acontece! A fórmula para isto é uma tríade simples: oxigênio, tempo e calor. O que, certamente é destrutivo para a maioria dos vinhos, não é para os feitos na Ilha da Madeira. Para fazer o vinho Madeira, o suco prensado é fermentado e rapidamente fortificado com álcool proveniente de uva. O momento em que é adicionado o álcool permite que o vinho resultante seja doce ou seco, dependendo de quando a fermentação do açúcar da uva foi interrompida.


Se o vinho for fortificado antes do acabamento da fermentação, haverá mais açúcar residual, resultando em um vinho doce. Se o destilado de uva for adicionado após a conclusão da fermentação, o resultado será um vinho mais seco com níveis mais baixos de açúcar. É aí que terminam as semelhanças da Madeira com outros vinhos. Enquanto outros produtores de vinho fazem tudo o que podem para evitar que o vinho entre em contato com o calor e o oxigênio, os produtores de vinho da Madeira envolvem deliberadamente esses fatores. Mas todos os vinhos terão alto teor alcoólico. 


O vinho uma vez fortificado é então aquecido através de dois métodos: estufagem e canteiro.


ESTUFAGEM - Uma estufa é um recipiente grande – geralmente de aço inoxidável – forrado com canos. Os canos circulam água quente ao redor do recipiente até o vinho atingir o máximo de 50 graus Celsius. Em seguida, é mantido nessa temperatura por aproximadamente 3 meses antes do engarrafamento. Porém, há uma regra: resumidamente, vinhos desse processo, a priori não poderão ser engarrafados, tão pouco vendidos nos dias que antecedem 31 de outubro do segundo ano após a colheita. Como o processo de aquecimento é bastante rápido no método de estufagem, a bebida resultante tende a mostrar sabores de caramelo queimado.


CANTEIRO - No método Canteiro, vinhos mais jovens e fortificados são transferidos para barris de madeira e colocados em um sótão na cobertura das vinícolas. Lá são expostos ao calor do sol, que bate nos telhados. Como o tempo necessário para aquecer o vinho é consideravelmente mais demorado, o resultado final é menos de caramelo e mais aromas e sabores de frutas frescas.


Lembrando que tudo isto (seja a estufagem ou o canteiro) serve para reproduzir as condições dos antigos vinhos da Madeira, os quais passavam longos tempos pegando sol em caravelas que navegavam por meses (e em alguns casos até por anos). Aqui é de onde vem a prática. Na época das navegações, os vinhos eram transportados em barris que tinham que viajar longas distâncias a partir da pequena ilha portuguesa. Naturalmente, essas viagens tropicais incluíam climas variados e exposição aos elementos. Mas, em vez de destruir o vinho, os produtores e quem os provavam consideravam esse "Vinho Torna Viagem" (vinho que voltou da viagem) com sabor muito melhor. ​


Então, animou-se a provar um vinho da Madeira? Saúde!!! Aproveite para comentar se gostou ou não!!! (Este artigo está baseado em material disponível na internet, e minhas considerações em relação as pesquisas).


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